Médico acusado de morte após ‘harmonização de bumbum’ está foragido há duas semanas
O médico Marcelo Alves Vasconcelos, réu pela morte de uma paciente após um procedimento de “harmonização de bumbum”, está foragido há cerca de duas semanas. A prisão preventiva foi decretada no último dia 27 de março pela 3ª Vara do Tribunal do Júri da Capital, em Pernambuco, mas, até esta quinta-feira (9), ele não havia sido localizado pelas autoridades.
BR-319: Artigo na revista Science aponta negligência do governo Lula e vê risco pandêmico caso rodovia seja pavimentada
Educação: MEC Livros tem alta procura, mas usuários reclamam de instabilidade do serviço
A decisão foi assinada pela juíza Danielle Christine Silva Melo Burichel, que apontou a necessidade da medida para garantia da ordem pública e da saúde pública, diante do risco de repetição das condutas. O médico responde por homicídio qualificado por motivo torpe, associado à ganância, e pode pegar de 12 a 30 anos de prisão.
O caso envolve a morte da comerciante Adriana Barros Lima Laurentino, de 46 anos, que morreu em janeiro de 2025, poucas horas após se submeter ao procedimento estético em uma clínica no Recife. Segundo as investigações, ela foi liberada após a intervenção, mas passou a sentir dores intensas ao chegar em casa, onde foi encontrada morta no banheiro.
De acordo com o inquérito, a causa da morte foi embolia pulmonar. A apuração também aponta que a paciente sofreu choque séptico decorrente de uma infecção urinária pré-existente, que teria sido agravada pelo procedimento.
A família afirma que a harmonização foi realizada com polimetilmetacrilato (PMMA), substância que não é recomendada para fins estéticos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O uso do material é alvo frequente de alertas por riscos à saúde.
As investigações indicam ainda que o médico não possuía inscrição ativa no Conselho Regional de Medicina de Pernambuco (Cremepe) à época e exercia a atividade de forma irregular no estado. Uma fiscalização apontou também que a clínica onde o procedimento foi feito não tinha estrutura adequada para esse tipo de intervenção.
O inquérito sustenta que Marcelo Alves Vasconcelos tinha conhecimento dos riscos associados ao produto utilizado e “assumiu o risco do resultado”, sendo “indiferente a ele”. Os investigadores apontam ainda que ele não realizou exames prévios adequados — como testes de sangue e urina, que poderiam ter identificado a infecção — e atendeu a paciente apenas no dia do procedimento, pelo qual teria recebido R$ 21 mil.
Além disso, a apuração menciona que o médico já teria sido investigado por participação em um esquema de fraude para ingresso em cursos de medicina em Minas Gerais e no Rio de Janeiro, com cobrança de até R$ 140 mil por vaga.
A audiência de instrução do caso foi marcada para o dia 22 de setembro de 2026, em formato híbrido.
Procurada, a defesa do médico afirmou ao g1, em nota, que ele “sempre esteve, e continuará estando, à disposição da Justiça por meio de seus advogados” e que vai contestar a decisão pelos meios legais cabíveis. Segundo o advogado Lymark Kamaroff, o processo tramita sob segredo de Justiça e as questões técnicas serão discutidas apenas nos autos, com base em laudos e provas.
A defesa sustenta que a paciente não apresentava comorbidades ou contraindicações e que todos os exames necessários teriam sido realizados previamente, sem apontar impedimentos. Afirma ainda que o procedimento seguiu “os mais rigorosos padrões de segurança e qualidade”.
