MC Ryan preso: namorada influencer declara apoio ao funkeiro e diz que 'nem sempre a vida é justa'
Após a prisão de MC Ryan SP, a namorada dele, Giovanna Roque, declarou apoio ao cantor e disse que segue ao lado dele "hoje e sempre". A influenciadora digital publicou imagens ao lado do funkeiro no Instagram e destacou confiar que a "verdade" encontrará seu caminho e que "tudo vai passar".
Na postagem, Giovanna Roque ressaltou saber que, "lá na frente", os dois vão olhar para o que aconteceu "com a cabeça erguida, mais fortes do que nunca".
"Nem sempre a vida é justa, e às vezes somos colocados à prova de maneiras que não entendemos. Mas eu acredito, de todo o meu coração, que a verdade sempre encontra seu caminho. Estamos juntos nisso, em cada passo, em cada dificuldade. E é esse “juntos” que me dá certeza de que vamos superar tudo isso. Porque o que é verdadeiro permanece, e o que é justo prevalece", escreveu.
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O casal, que tem uma filha, Zoe, reatou o relacionamento em junho de 2024 após ficar algum tempo separado. Ryan perdeu contratos comerciais após a divulgação de um vídeo em que aparece agredindo Giovanna. Nas imagens, o artista atinge com um chute a influenciadora, que estava sentada no chão do closet do apartamento em que viviam, em abril do mesmo ano.
"Sei que errei", disse o cantor, na época. "Naquele vídeo mostra um cara que eu não sou".
Operação Narcofluxo
A detenção do cantor em uma festa à beira-mar no litoral paulista nesta quarta-feira (15) é o capítulo mais recente de uma investigação que começou muito antes, e bem longe dos palcos. Tudo tem origem num aparelho de celular apreendido pela Polícia Federal durante uma ação contra o tráfico marítimo de drogas. O dono do dispositivo era Rodrigo de Paula Morgado, empresário do setor contábil cuja trajetória, reconstruída pelos investigadores, conecta veleiros carregados de cocaína no Atlântico a casas de apostas eletrônicas, criptoativos e uma constelação de empresas de fachada.
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A megaoperação desta quarta-feira, que resultou na detenção de cantores do funk, influenciadores com milhões de seguidores e produtores de conteúdo, é fruto direto das informações extraídas da nuvem pessoal de Morgado, um acervo digital que as autoridades descrevem como a "caixa-preta" do esquema.
O início dessa teia criminosa remonta a 2023, quando a Marinha dos Estados Unidos interceptou o veleiro Lobo VI em alto-mar, entre o arquipélago de Cabo Verde e as Ilhas Canárias. A bordo estavam mais de quatro toneladas de cocaína, que deram origem à Operação Narco Vela, investigação que mirou uma organização dedicada ao tráfico de entorpecentes para a África e a Europa, valendo-se de satélites, embarcações de alto padrão e rotas marítimas cuidadosamente planejadas.
Apreensão de cocaína em veleiro Lobo IV deu origem à Operação Narco Vela
Reprodução de vídeo
As apurações identificaram membros do Primeiro Comando da Capital (PCC) entre os envolvidos, entre eles Levi Adriani Felício, o "Mais Velho", e seu parente Rodrigo Felício, o "Tico", ambos já presos por crimes ligados ao tráfico naval. Além deles, a investigação traria à tona um personagem até então menos exposto: Rodrigo de Paula Morgado.
Durante a Narco Vela, os agentes apreenderam o celular de Morgado. Ao vasculhar o equipamento, descobriram que ele havia atuado como contador das empresas Saito Construtora Ltda. e Caetano da Silva Construtora EIRELI, ambas identificadas como partícipes na aquisição do veleiro Lobo IV, outra embarcação confiscada com mais de três toneladas de cocaína. A ligação do empresário com o universo do narcotráfico marítimo estava estabelecida.
A Narco Bet e o primeiro ciclo de prisões
Com base nas descobertas iniciais, a Polícia Federal avançou para a Operação Narco Bet, deflagrada em outubro de 2025. O alvo central continuava sendo Morgado, agora descrito pelas autoridades como um possível "operador logístico-financeiro" de um esquema transnacional de lavagem de capitais.
O juiz federal Roberto Lemos dos Santos Filho, ao autorizar o mandado de prisão preventiva contra o empresário, destacou haver provas suficientes, "ao menos em tese", de seu envolvimento em atos ilícitos antecedentes à lavagem de dinheiro, com clara relação ao tráfico internacional de drogas. O magistrado sublinhou os indícios de "união de esforços" para dissimular a origem criminosa do capital.
As investigações revelaram que Morgado havia aberto dezenas de empresas em parceria com jovens moradores de comunidades de difícil acesso, sem endereço verificável, cuja documentação apresentava suspeitas de fraude. Todas as companhias tinham como sede formal o mesmo endereço de coworking, do qual Morgado era o único sócio. O esquema detectado na Narco Bet movimentou, segundo os investigadores, R$ 313 milhões ao longo de cinco anos, além de operações de cripto ativos que se aproximaram de R$ 100 milhões.
A nuvem que mudou as investigações
Foi durante a Operação Narco Bet que a Polícia Federal obteve autorização judicial para acessar o serviço de armazenamento em nuvem vinculado a Rodrigo Morgado. A decisão abriu uma janela para a vida digital do empresário, e o que os investigadores encontraram ali redirecionou completamente os rumos das apurações.
Ao cruzar os arquivos e conversas armazenados na nuvem de Morgado com os Relatórios de Inteligência Financeira (RIFs) emitidos pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), o núcleo de inteligência da PF identificou algo que até então não estava no radar: uma organização criminosa autônoma, completamente independente daquela que era investigada nas operações anteriores. Tratava-se de uma estrutura própria, articulada para captar, custodiar e redistribuir recursos oriundos de apostas ilegais, com MC Ryan SP no centro do esquema.
As conversas extraídas do celular do empresário foram determinantes não apenas para mapear a rede de laranjas e operadores envolvidos, mas também para demonstrar que os crimes seguiam ocorrendo de forma ativa. Os registros indicavam movimentações financeiras ilícitas ao longo de todo o segundo semestre de 2025, incluindo o mês de dezembro. Essa foi a evidência de que a engrenagem estava em plena atividade enquanto as investigações avançavam.
A conexão entre o tráfico de drogas exposto na Narco Vela e o esquema financeiro desarticulado agora passa diretamente pelas plataformas de apostas, as chamadas bets. Segundo as autoridades, os investigados utilizavam esses serviços para transformar em dinheiro aparentemente lícito os recursos gerados pelo narcotráfico internacional.
Os dados extraídos da nuvem de Morgado permitiram às autoridades revelar os nomes de diversas pessoas físicas e empresas de fachada usadas para operacionalizar o ciclo. A empreitada criminosa começava com a entrada dos valores ilícitos, sua custódia e posterior redistribuição em formas distintas, com cripto e remessas internacionais complementando o mecanismo. Tudo era feito para dificultar o rastreamento e disfarçar a origem do capital.
O papel de Morgado na nova fase
Com a deflagração da operação desta quarta-feira, Rodrigo de Paula Morgado passou de investigado a um dos pivôs documentais da maior fase da investigação. A Justiça Federal decretou sua prisão temporária pelo prazo de 30 dias, além de ter determinado o bloqueio e sequestro de bens, valores, cripto ativos e veículos.
O montante global bloqueado contra os integrantes do grupo chegou a R$ 1,63 bilhão — valor correspondente ao fluxo financeiro indevido identificado pelos investigadores ao longo de toda a apuração. Morgado figura entre os alvos das medidas determinadas pelo juiz responsável pelo caso.
O material obtido da conta em nuvem do empresário foi tão central que, nesta nova etapa, o magistrado chegou a dispensar as grandes empresas de tecnologia de fornecer dados telemáticos adicionais. A justificativa é direta: as análises das contas titularizadas por Rodrigo de Paula Morgado já foram completamente esgotadas pela Polícia Federal e forneceram toda a base necessária para sustentar a fase atual da investigação.
A operação desta quarta-feira ampliou consideravelmente o espectro de investigados. MC Ryan SP foi preso durante uma festa na Riviera de São Lourenço, em Bertioga, no litoral paulista, onde celebrava com convidados enquanto os agentes se mobilizavam para cumprir os mandados. MC Poze do Rodo, outro nome de destaque do funk nacional, também foi detido.
No campo dos influenciadores digitais, a ação alcançou Raphael Sousa Oliveira — criador da página Choquei, um dos perfis de entretenimento mais populares do Brasil — e Chrys Dias, com quase 15 milhões de seguidores nas redes sociais. Outros produtores de conteúdo integram a lista de presos.
