MC Carol, Marvvila, GBZ7N e Caio Luccas: as histórias dos artistas que vão agitar o Espaço Favela do Rock in Rio - QTU Questões do Universo

MC Carol, Marvvila, GBZ7N e Caio Luccas: as histórias dos artistas que vão agitar o Espaço Favela do Rock in Rio

Fonte: Bandeira da fonte

O Espaço Favela do Rock in Rio vai ter, a partir da sexta-feira (dia 4), três shows por dia, com nomes como Xamã, MC Cabelinho, Timbalada e Belo.
As apresentações desse palco trazem, em sua maioria, artistas que aprenderam a fazer música com o que tinham à mão em suas comunidades.
Conversei com MC Carol de Niterói, Marvvila, Caio Luccas e GBZ7N para saber mais sobre a história desses talentos que vão se apresentar em um dos maiores festivais de música do mundo.
Na telinha: jovens de favelas do Rio vão produzir série da Globo.
Projeto abre 120 vagas para nova turma
No mapa do turismo: veja quais comunidades estão entre os lugares mais visitados por turistas na cidade do Rio
Aos 14 anos, a MC Carol perdeu o bisavô e a casa onde morava no Morro do Preventório, em Charitas, Niterói.
Para conseguir se manter financeiramente, ela passou a lavar carro, carregar material de construção e fechar o dia trabalhando em uma pizzaria.
Agora, aos 32 anos, a cantora sobe pela quarta vez no palco do Rock in Rio, no dia 11 de setembro, ao lado do cantor Puterrier.
A MC celebra o número de participações com bom humor:
— Estou competindo com a Rihanna (que soma duas participações no festival).
O sonho de todo cantor é chegar no Rock in Rio.
MC Carol respondeu ao machismo no Morro do Preventório com letras de funk
Divulgação/Carol de Niterói
O repertório que a tornou conhecida nasceu de conversas que ouvia no ponto de mototáxi, onde rapazes viviam contando vantagem sobre mulheres.
Ela respondeu ao machismo que ouvia com música.
Os hits "Vou Largar de Barriga" e "Minha Avó Tá Maluca" viralizaram na era das lan houses.
— Eu entrei no mundo do funk usando o que eu ouvia os meninos falando na rua — explica.
Ela conta que a escolha do funk foi financeira:
— É o mais barato.
É o que você consegue produzir na favela.
Nos últimos anos, ela escreveu canções mais politizadas, como "Não Foi Cabral", nascida das brigas com a professora de História, e "Marielle Franco (Desabafo)", que compôs na noite em que a então vereadora foi morta.
Hoje, ela soma papéis na novela "Quem Ama Cuida" e na série "Impuros" e um novo pagode que recebeu o mesmo nome da trama das 21h.
A voz que lançou o pagode no festival
Marvvila driblou preconceitos por ser mulher cantando pagode
Divulgação
Até 2022, o pagode não tinha espaço no Rock in Rio.
A estreia foi pelo Espaço Favela.
Uma das primeiras apresentações foi a de Marvvila.
— Um monte de roqueiro lotou aquilo lá curtindo o pagode — lembra.
Para chegar lá, ela veio de um quintal de família de sete irmãos em Bento Ribeiro.
O padrasto era pastor de uma igreja em Deodoro.
A família chegou a dormir no templo para economizar a passagem de ônibus.
A música entrou na vida de Marvvila aos 5 anos, depois que uma pastora disse que ela tinha o dom de cantar.
Mesmo tendo crescido no gospel, o pagode chegou por meio das aulas de música da escola, mas junto veio o preconceito por ser mulher.
— Eu pedia pra cantar nos lugares, e muitas pessoas diziam não, com aquele olhar de "que mulher vai subir aqui, vai estragar o pagode?" — conta.
O sucesso começou com vídeos gravados no celular ao lado do seu atual cavaquinista.
Aos 17 anos, ela virou as quatro cadeiras do "The Voice", e depois passou pelo BBB, já com carreira firmada no pagode.
Agora, ela retorna ao Espaço Favela, no dia 13 de setembro.
— A gente volta mais madura e com muita coisa para mostrar — promete.
O artista da CDD vai levar teatro para o palco
GBZ7N estará no Rock in Rio e em uma série da Netflix
Divulgação
Quando disse à família que queria ser cantor, Gabriel Bezerra Mendes, o GBZ7N, recebeu do irmão um caderno com 20 palavras escritas e o desafio de fazer uma música com elas.
— Fui lá e em 20 minutos fiz a música.
Aí ele viu que eu tinha potencial — lembra o artista.
GBZ7N recebeu esse nome artístico nas ruas do 15, uma das cinco áreas da Cidade de Deus.
Ele continua morando lá, onde cresceu ouvindo Djavan, Seu Jorge e Xande de Pilares.
Atualmente, o artista transita entre funk, trap, rap e eletrônica.
A virada veio com a música "Passadão", lançada há um ano.
Agora, ele prepara o álbum "Caixa Baixa", grupo de meninos que corriam para se manter vivos no filme "Cidade de Deus".
Além do talento musical, GBZ7N estudou teatro no Instituto Arteiros, escola da própria Cidade de Deus.
Ele também vai atuar em uma futura série da Netflix.
Aos 20 anos, o cantor vai se apresentar pela primeira vez no Rock in Rio no dia 4 de setembro.
Sobre o show, ele adianta pouco, mas garante que vai levar ao palco a outra parte do seu trabalho:
— Posso falar que vai ter teatro.
O rap que saiu do Free Fire
Músicas de Caio viralizaram entre jogadores
Divulgação
Aos 24 anos, Caio Luccas se apresenta pela primeira vez no Rock in Rio, no dia 11 de setembro.
Nascido e criado em Andrade Araújo, Belford Roxo, ele passou a infância na comunidade do Castelar, de onde vem a família do pai, contrabaixista e professor de música.
Caio foi levado pelo pai a um projeto de formação musical da Assembleia de Deus de Nova Iguaçu.
Mas a identificação foi mesmo com o rap, referência de um tio e da rua.
Ele gravava freestyles no colégio, mas tinha medo de publicar.
— Se começassem a falar que tá um lixo, eu ia ficar maluco — lembra Caio.
O empurrãozinho que faltava veio, em 2020, por meio do jogo virtual Free Fire.
Após mandar as próprias músicas para outros jogadores, as suas criações começaram a aparecer nas montagens de vídeo sobre o game.
— Eu dormi com 500 seguidores e acordei com 15 mil — comemora o cantor.
Com a repercussão, Caio ganhou a atenção do meio do trap, os primeiros shows profissionais e o convite para o Espaço Favela.
Agora, ele vai se apresentar com o irmão, Caíque Miguel, de 22 anos, contrabaixista de sua banda, e promete percorrer as fases da carreira, do trap melódico ao mais pesado, além de passar por pagode.
— Eu fico feliz de mostrar para as pessoas que elas podem chegar longe — afirma.
Confira a programação completa do Espaço Favela
4 de setembro (sexta-feira)
15h — GBZ7N
16h50 — Hitmaker
19h10 — Rodrigo do CN
5 de setembro (sábado)
15h — Quantum
16h50 — Canto Cego
19h10 — Major RD
6 de setembro (domingo)
15h — Budah
16h50 — Rael
19h10 — Xamã
7 de setembro (segunda-feira)
15h — Tiee
16h50 — Mart'nália
19h10 — Belo
11 de setembro (sexta-feira)
15h — Caio Luccas
16h50 — MC Carol e Puterrier
19h10 — MC Cabelinho convida TZ da Coronel
12 de setembro (sábado)
15h — Soul de Brasileiro
16h50 — Priscila Senna
19h10 — Timbalada
13 de setembro (domingo)
15h — Marvvila
16h50 — Suel
19h10 — Dennis