MC Carol está tendo um segundo semestre e tanto.
Enquanto grava diariamente sua primeira novela, Quem Ama Cuida, a artista se prepara ainda para voltar o Rock in Rio pela quarta vez.
"A gente olha para um lugar e não imagina que vai conseguir chegar lá, mas vai sonhando.
Só que eu nunca, nunca imaginei que aconteceria comigo", diz ela à Quem sobre se apresentar no maior festival de música do País.
Neste ano ela divide palco com o funkeiro Puterrier, com quem tem a música viral Investir em Você, no Espaço Favela do Rock in Rio no dia 11 de setembro.
Na faixa, Carol responde à ideia de um homem que acha que, por pagar bebida ou cigarro, tem direito sobre o corpo das mulheres.
A cantora já viu isso acontecer ao lado dela, desde que era menor de idade, e conta que descarregou na letra toda a raiva que tem desse tipo de situação.
MC Carol
Divulgação
Aos 32 anos, a funkeira de Niterói conta ainda o que tem feito quando não está nos Estdios Globos ou viajando para fazer shows.
Caseira e tranquila, ela tem ido ao teatro e à praia com o elenco da novela das 21h e até assistir Homem-Aranha com o marido, Cosme Santiago.
Surpreendente para quem acha que Carolina é "só" a MC Carol do palco.
Você já se apresentou no Rock in Rio três vezes.
Era algo que sonhava?
É minha quarta no Rock in Rio, estou competindo com a Rihanna! Ela já foi três vezes, eu também.
(risos) O Rock in Rio era, para mim, como a Furacão 2000 para os MCs -- todos tinham o sonho de ir para a Furacão 2000, gravar o DVD deles.
Consegui realizar esse sonho lá atrás, em 2011, e depois comecei a pensar: “Quero ambições maiores.
Quero o Rock in Rio.” A gente olha para um lugar e não imagina que vai conseguir chegar lá, mas vai sonhando.
Só que eu nunca, nunca imaginei que aconteceria comigo.
E como foram essas experiências?
Fui convidada pela primeira vez para o Palco Favela com a Tati Quebra Barraco e o Leo Justi; a segunda vez foi no Palco Sunset — porque ela não é qualquer uma —, com o Papatinho, L7nnon, MC Hariel e Cidinha e Doca....
Cara, eu sou muito fã de Cidinha e Doca, muito, muito fã, e tive a honra de estar no mesmo palco que eles! Enquanto eu cantava, ficava olhando para eles, todos rindo, brincando e se divertindo.
É outra geração, os caras já estavam cantando quando eu nem era nascida, entende? Depois voltei ao Palco Favela com uma galera, foi muito legal -- novamente com a Tati Quebra Barraco! Ela e eu estamos sempre juntas.
MC Carol e Puterrier
Reprodução/Instagram
Dessa vez você vai com o Puterrier! Como surgiu essa parceria entre vocês dois?
Exatamente.
Estou com o Puterrier para fazer algo um pouco diferente do que estamos habituados.
A parceria foi através de um cara que fecha shows para mim, meu booker.
Ele falou: “Carol, estou em contato com uma galera e me mandaram isso aqui, dá uma olhada.” Eu estava em casa, sozinha, e abri o áudio.
Já era o Puterrier cantando a parte dele na música, Investir em Você.
Em 15 minutos eu devolvi a resposta.
Foi muito rápido, porque aquilo me deu uma raiva! Falei: “Cara, como assim?”.
Quando alguém fala para fazer uma música contigo em que a pessoa te manda uma mensagem dizendo que vai investir em bebida, droga, cigarro, etc, para ficar contigo, eu levei isso para o pessoal e falei: “Caralh*, não.” Isso existe.
Eu sei que é uma música, que a música é uma atuação, mas aquilo existe na vida real.
Os caras realmente acham isso.
Existem homens que, por pagar um copo de bebida ou uma lata, acham que têm o direito de te levar para casa.
Acham até que têm o direito de morar na sua casa.
Já viveu algo parecido?
Eu já vi acontecer do meu lado.
Quando eu era menor de idade, lá pelos 17 anos, sempre fui meio que a mãe da galera.
Mesmo sendo, às vezes, mais nova que as outras pessoas, eu era a que ficava falando: “Não faz isso, não vai, não faz...” Por mais que as pessoas pensem que eu sou louca, que bebo, que fumo — e eu não sou nem um pouco assim —, sempre fui muito a mãe da galera.
Lembro que juntei umas amigas, a gente não tinha dinheiro, e compramos um galão de [vinho] Cantina da Serra, que custava R$ 15 o galão.
Era para durar a festa toda, para todo mundo beber e ficar tranquilo! (risos) Pegamos o ônibus e fomos para um baile.
Lá, apareceu um cara de moto, mais velho do que a gente, chegou para a mais bonitinha do bonde e falou: “Ô, fulaninha, vem cá.
Quer um copão?”; naquela época, um copão de uísque com não sei o quê no baile custava R$ 20, era o mesmo preço do galão de vinho.
Estar com um copão na mão era ostentação no baile.
Ele insistiu e ela aceitou.
Na hora de ir embora, já eram seis da manhã, na porta da favela, esse cara de moto parou na nossa frente e mandou ela subir.
Ela falou: “Não, estou tranquila.
Vou de ônibus com as meninas”; ele começou a engrossar e, no final, deu um tapa na cara dela.
Ela era menor de idade, e ele era adulto.
O que a gente podia fazer naquele cenário, naquele lugar, naquele momento? Nada.
Ela ficou com o tapa na cara, e ficou por isso mesmo.
O verso do Puterrier te deu gatilhos...
Quando ouvi isso, relembrei de coisas que presenciei.Falei: “Ah, não, meu irmão.
Agora eu vou quebrar tudo.
Vou responder a ele e a todos de uma vez só.” Eu respondi com ódio, muito ódio.
Foi um deboche misturado com raiva.
E essa música é tudo.
MC Carol em show
Reprodução/Instagram
Como essa parceria, que começou em uma música, vai se desdobrar no palco? O que estão preparando?
Ainda não fui aos ensaios, porque estou gravando a novela, então não sei exatamente como está, mas vou fazer [ensaios], lógico.
Não sou maluca.
Aliás, sou! (risos) Olha, a minha vida toda foi assim: chegar e não saber o que está rolando.
No final, sempre dá certo.
Inclusive, como está sendo se dividir entre a novela e a carreira musical?
Loucura.
Estou evitando sair do Rio e, quando saio, vou para lugares mais perto, como São Paulo, que dá para ir de carro.
Já fiz isso de sair do Projac à meia-noite para fazer show em Macaé, pegando três, quatro horas de estrada.
Também já saí das gravações, acho que umas nove da noite, e fui fazer show em São Paulo — no interior, então era um pouco menos de tempo.
Mas, diminuí um pouco os shows.
Às vezes faço aos domingos, pois é o dia que consigo ir para mais longe, porque não gravo.
MC Carol como Mirtes, em 'Quem Ama Cuida'
Reprodução/ Instagram
E tem conseguido ter alguma vida pessoal entre gravar e tentar fazer shows?
Descansar, sempre.
Toda oportunidade que a gente tem, a gente dorme.
(risos) E vida social, eu tento.
Descobri um cinema em Niterói, em Itaipu, que eu nem sabia que existia, fui lá assistir ao Homem-Aranha com o meu marido.
Homem-Aranha, meu Deus...
Mas, enfim, homens! De vez em quando, a gente tem que ceder e fazer uma vontadezinha deles.
Estávamos na fila comprando pipoca quando chegou um garotinho vestido de Homem-Aranha.
Falei para ele: “Era assim que você queria chegar aqui, né?”.
Esses dias também fui curtir uma praia com a galera do elenco de Quem Ama Cuida e foi bem bacana.
Também fui ao teatro! A última vez que eu tinha ido ao teatro eu era criança, em um passeio de escola, nem lembro o que estava rolando.
Agora fui, já adulta, com a galera do elenco, assistir a uma peça da Pri Helena, que está muito legal.
Achei muito interessante.
Vou passar a assistir mais peças de teatro.
Eu também sou caseira, não sou muito de dar rolê.
Mas a galera do elenco, toda semana, marca um!
Como tem sido a recepção do público à sua personagem?
A galera está feliz! Muita gente não está me reconhecendo, também.
Minha aparência mudou, emagreci 65 quilos com a bariátrica, meu cabelo está diferente, a roupa [da personagem] também é diferente.
Então, as pessoas têm dificuldade de me reconhecer quando assistem à novela e isso é legal.
É muito legal não estarem vinculando a MC Carol à minha personagem, porque não tem nada a ver.
Significa que é um bom trabalho de atuação.
Você tem gostado de se ver de outra forma?
A Mirtes é muito parecida com a Carolina.
Sou uma pessoa caseira, gosto de silêncio, de passeios calmos e tranquilos.
Acho que essa personagem é muito parecida comigo.
A Carolina é uma pessoa que ninguém conhece; os fãs conhecem a MC Carol.
A pessoa do palco é aquela que xinga, que bate em homem, que não vê filme do Homem-Aranha.
Essa é a visão do público, e está tudo bem.
Foi a visão que eu vendi e foi o que as pessoas compraram.
Cheguei até aqui sendo a MC Carol do palco, essa mulher braba, que grita, que encara, que faz e acontece, mas todo mundo tem esses dois lados: o lado mais calmo e o lado mais brabo.
MC Carol
Reprodução/Instagram
