Mausoléu onde Chávez está enterrado foi um dos alvos de ataque americano na Venezuela, afirmam fontes em Caracas
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmou neste sábado que forças americanas realizaram um "ataque de grande escala" contra a Venezuela e capturaram o presidente Nicolás Maduro. A declaração foi feita em sua plataforma Truth Social. O mandatário afirmou ainda que mais detalhes serão apresentados em uma coletiva de imprensa marcada para as 13h (horário de Brasília), em Mar-a-Lago, na Flórida.
Segundo informações do jornal El País e de fontes em Caracas, capital venezuelana, um dos locais atingidos no ataque foi o Quartel da Montanha, mausoléu onde está enterrado o líder bolivariano Hugo Chávez. O quartel está localizado na favela 23 de Janeiro, uma das maiores da cidade. Imagens não verificadas de redes sociais mostram o local em chamas.
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O mausoléu é um dos locais mais sagrados do chavismo, movimento que governa a Venezuela desde que Chávez chegou ao poder pela primeira vez em 1999. Os restos mortais do ex-presidente foram levados para lá após ele morrer de câncer, em 2013. O espaço é protegido pela Guarda de Honra Presidencial e conta com uma sala histórica que expõe elementos relacionados à vida e ao legado político do ex-presidente.
O quartel foi originalmente construído em 1906 como parte do sistema de defesa militar da cidade, então conhecido como Museu Histórico Militar. Ele ganhou importância nacional depois de 1992, quando Chávez, então tenente-coronel, comandou ali uma tentativa fracassada de golpe de Estado. Em 2002, quando Chávez já havia chegado ao poder, o local foi rebatizado de Quartel da Montanha.
Ao menos sete explosões e ruídos semelhantes ao sobrevoo de aviões foram relatados na madrugada deste sábado, por volta das 2h, em Caracas. Segundo fontes na cidade, “foram ouvidas explosões na base militar de La Carlota e no Forte Tiuna”. Espécie de Pentágono venezuelano, o forte é o maior complexo militar da Venezuela, onde, segundo se comentou recentemente, estaria morando Maduro com sua família.
La Carlota é a principal base da Força Aérea venezuelana na capital do país, localizada muito perto de bairros de classe média e média alta da cidade. Em La Carlota operam aviões militares pequenos, na região leste de Caracas. Outro alvo teria sido, segundo fontes diplomáticas, a base militar de La Guaira, próxima do aeroporto internacional de Maiquetía.
Outras fontes informaram que o Palácio presidencial de Miraflores também foi alvo dos ataques. Imagens não verificadas compartilhadas nas redes sociais mostram grandes incêndios com colunas de fumaça, embora sem elementos que permitam identificar a localização exata das explosões, que parecem estar ocorrendo no sul e leste da cidade. Ainda, porém, não é possível verificar sua autenticidade.
Além de Caracas, lugares nos estados de Miranda, Aragua e La Guaira também foram atingidos no ataque. Em comunicado, a Venezuela afirma que o ato "constitui uma violação flagrante da Carta das Nações Unidas especialmente dos seus artigos 1 e 2, que consagram o respeito à soberania, a igualdade jurídica dos Estados e a jurisdição do uso da força". Afirmando que os ataques ameaçam a paz e a estabilidade internacional, o regime também pede que a comunidade internacional se pronuncie sobre os acontecimentos.
De acordo com uma equipe da rede americana CNN, algumas áreas da capital venezuelana ficaram sem energia elétrica. "Uma delas [explosões] foi tão forte que minha janela tremeu depois", escreveu a correspondente da CNN em Caracas, Osmary Hernandez.
As explosões ocorrem depois que o presidente dos EUA, Donald Trump, enviou uma frota de navios de guerra para o Caribe, mencionou a possibilidade de ataques em território venezuelano e afirmou que os dias do presidente Nicolás Maduro no poder estavam contados.
Na última segunda-feira, Trump afirmou que os Estados Unidos destruíram uma área de atracação usada por embarcações acusadas de tráfico de drogas na Venezuela, o que seria o primeiro ataque terrestre dos EUA em solo venezuelano.
