Matinas Suzuki Jr. recomenda leitura de 'A Ilíada' e defende jornalismo como antídoto às fake news
O jornalista e editor Matinas Suzuki Jr. abriu a nova temporada do Fim de Expediente, da CBN, com uma recomendação direta aos ouvintes: se tivesse que indicar um único livro para todos lerem, seria “A Ilíada”, de Homero. Para ele, o clássico segue atual por tratar de valores humanos fundamentais.
Ao explicar a escolha do épico grego, Matinas destacou o impacto moral e humano da obra.
“Eu vou escolher um, que eu acho que todo mundo deveria ler: ‘A Ilíada’. É um livro fundamental e é um livro violento, mas ali você aprende muito sobre os homens, sobre a humanidade, sobre lealdade, sobre heroísmo e sobre valores”, afirmou.
Ele ressaltou especialmente a passagem em que um pai vai ao inimigo pedir o corpo do filho morto em combate — trecho que, segundo ele, funciona como uma síntese poderosa sobre dignidade e compaixão.
Na conversa, o editor também refletiu sobre o momento da imprensa profissional diante da desinformação e das novas tecnologias. Para Matinas, apesar das transformações no modelo de negócios e das demissões em grandes redações internacionais, o jornalismo ganhou importância estratégica.
"Eu acho que o jornalismo nunca foi tão importante quanto é hoje em dia. Porque, quando eu militava na imprensa diária, essa coisa toda, lá nos anos 80, 90, etc, você não tinha as fake news com a força que você tinha. Você não tinha o poder de ampliação que a fake news tem hoje, e o poder de penetração. Então, a vacina contra a fake news é o jornalismo", apontou.
Além de defender o trabalho profissional de apuração, o jornalista também enxerga no rádio e nos podcasts um papel de formação sociocultural. Ao mesmo tempo, não deixa de mostrar sua preocupação o encolhimento dos cadernos literários e da crítica cultural nos grandes veículos.
O legado pessoal e profissional também entrou na pauta ao se falar de Jô Soares, tema de dois livros escritos por Matinas a partir de um longo período de convivência diária com o apresentador. O editor descreveu o impacto dos encontros ao longo de mais de um ano de trabalho:
“Eu só posso agradecer as pessoas que eu cruzei, porque aonde eu cheguei é fruto desse cruzamento. Eu dei muita sorte de encontrar pessoas muito maravilhosas”.
