Master: ex-superintendente do banco fica em silêncio em depoimento à PF

 

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O superintendente-executivo de tesouraria do Banco Master Alberto Felix de Oliveira Neto optou por exercer o direito ao silêncio e não respondeu às perguntas da Polícia Federal (PF) durante o depoimento que estava marcado para esta segunda-feira. A oitiva, realizada por videoconferência, durou cerca de 15 minutos, segundo relatos feitos ao GLOBO. 

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Antes de optar por usar o direito ao silêncio, Felix fez alguns esclarecimentos iniciais aos investigadores. Segundo relatos colhidos pela PF, o executivo afirmou que não detinha poder decisório no Banco Master e sustentou que contratos nos quais seu nome aparece — inclusive aqueles vinculados à Tirreno — eram firmados também por executivos de hierarquia superior na instituição, e que agiu como mero procurador. 

Ainda de acordo com pessoas que acompanham as investigações, o funcionário do banco se colocou à disposição para falar em uma nova data, depois que a defesa tiver tido acesso às provas reunidas. 

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Além deste, outros dois depoimentos previstos para esta segunda foram adiados pela PF. Defensores de dois dos investigados — André Felipe de Oliveira Seixas Maia e Henrique Souza e Silva Peretto, sócios da Tirreno — conseguiram suspender temporariamente suas audições ao argumentar que não tiveram acesso integral às provas reunidas pela PF. Eles estavam agendados para prestar esclarecimentos às 10h e às 14h, respectivamente, mas não foram ouvidos, e ainda não há nova data definida para as oitivas. 

A PF havia marcado para esta segunda e terça-feira uma bateria de depoimentos envolvendo as investigações sobre supostas irregularidades na tentativa de aquisição do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB), no âmbito da Operação Compliance Zero.  Na manhã desta segunda, a PF ouviu por cerca de duas horas o ex-diretor financeiro do BRB, Dário Oswaldo Garcia Júnior. 

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As diligências fazem parte das apurações sobre uma negociação que chegou a mobilizar mais de R$ 12 bilhões em ativos — carteiras de crédito que, segundo a PF, eram supostamente "insubsistentes" e teriam sido oferecidas ao BRB em condições questionáveis. O caso está sob relatoria do ministro Dias Toffoli no Supremo Tribunal Federal (STF), onde as oitivas são realizadas de forma híbrida, presencial e por videoconferência. 

Ao todo, oito investigados estavam marcados para prestar depoimento até terça-feira. Entre eles estão executivos e ex-diretores do BRB e do Banco Master, como o superintendente de operações financeiras do BRB, Robério César Bonfim Mangueira, e o executivo Luiz Antonio Bull, ligado ao Master.

A investigação mira possíveis crimes como gestão fraudulenta, gestão temerária e organização criminosa. Como mostrou O GLOBO, a permanência do caso no STF, em vez de retornar à Justiça Federal, dependerá em parte das informações colhidas nessas oitivas.

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