Master declarou pagamento de R$ 1,3 milhão a empresa que contratou ex-chefe do BC e era usada por Vorcaro para 'serviços informais'

 

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Uma empresa usada pelo banqueiro Daniel Vorcaro para a contratação de “serviços informais” recebeu R$ 1,3 milhão do Banco Master, mostram documentos do banco apresentados à Receita Federal obtidos pelo GLOBO.

A Varajo Consultoria era utilizada, de acordo com a investigação da Polícia Federal, dentro de uma estrutura de apoio aos negócios de Vorcaro e foi responsável pela contratação de um serviço de consultoria do ex-chefe de Supervisão Bancária do Banco Central (BC) Belline Santana, que é investigado no caso e foi afastado da função.

A Polícia Federal afirma que as contas bancárias da Varajo serviam de “conta de passagem para os recebimentos ilícitos”. Na decisão em que determinou a prisão de Vorcaro, no mês passado, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou que a Varajo foi usada pelo grupo comandado por Vorcaro para fazer pagamentos a Santana.

“Os elementos colhidos indicam que Belline Santana recebeu proposta de contratação simulada por meio da empresa Varajo Consultoria Empresarial Sociedade Unipessoal Ltda, estruturada com a finalidade de justificar pagamentos relacionados aos serviços informais prestados ao controlador do Banco Master. A proposta foi encaminhada por e-mail ao investigado e discutida em comunicações mantidas com integrantes do grupo, evidenciando a utilização de mecanismo contratual fictício para formalizar repasses financeiros associados às atividades desempenhadas. Pelos serviços prestados à estrutura criminosa, Belline recebia uma remuneração”, diz a decisão de Mendonça.

Os pagamentos declarados pelo Master à Receita mostram que a Varejo recebia recursos diretamente do caixa do Master. Em 2025, houve um repasse de R$ 1 milhão, enquanto no ano anterior a instituição de Vorcaro pagou R$ 309,8 mil.

A defesa de Santana afirma que ele sempre exerceu as atividades de "forma técnica e, principalmente, lícita, dentro dos limites legais, observando-se a natureza prudencial inerente à referida Autarquia na supervisão do Sistema Financeiro Nacional". O texto diz ainda que não houve "favorecimento a qualquer Instituição Financeira, muito menos ao Banco Master, esperando-se que seja resguardado o regular contraditório nas instâncias competentes". Por fim, a nota afirma que as atividades dele no BC não se confundem com outras atividades "igualmente lícitas, não havendo desvio de finalidade ou obtenção de vantagem indevida”. Procurada, a defesa de Vorcaro não se manifestou.

A administração da Varajo, segundo a PF, recebia ordens feitas por Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro. Zettel, por sua vez, agia a mando de Vorcaro.

“Mas veja se Leo pode pagar. E reembolsamos dia seguinte. Bem importante isso”, diz Vorcaro em uma mensagem a Zettel, em referência a um pagamento que teria como beneficiário Belline Santana.

Na semana passada, a “Folha de S. Paulo” mostrou que uma investigação interna do BC mostrou que Santana recebeu ao todo R$ 4 milhões da Varajo, fruto de contratos que na realidade buscavam simular os pagamentos do grupo de Vorcaro.