Master, bets e padroeira. Relembre os principais momentos da campanha

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Fonte da notícia: Globo Globo

Os eleitores brasileiros votarão neste domingo (4) sob um cenário polarizado e acirrado. Os dois principais candidatos, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), chegam para o pleito tecnicamente empatados, a depender do instituto de pesquisa, nos cenários de primeiro e segundo turnos. Ambos mantiveram sobre si os holofotes de uma campanha que acabou atravessada por outros protagonistas, entre eles um ex-banqueiro preso e a mais grave crise institucional da história recente do Supremo Tribunal Federal (STF). Lula, de 80 anos, busca um quarto mandato, pressionado por um terceiro governo entrecortado por baixas taxas de popularidade. Na reta final, ele apostou no eleitorado mais fiel ao reajustar o Bolsa Família, anunciou canetas emagrecedoras pelo SUS, proibiu bets, ergueu a bandeira da soberania e acusou seu adversário de abrir espaço para interferência dos Estados Unidos na eleição.

Quem são os 12 candidatos à Presidência Flávio, de 45 anos, tenta manter vivo o sobrenome do pai, Jair Bolsonaro, preso por tentativa de golpe de Estado, a quem tentará anistiar se eleito. Na reta final, ele reforçou o discurso do antipetismo e a agenda da segurança pública e da piora do custo de vida.

Há outros dez candidatos, entre eles dois ex-governadores, Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo). Nenhum foi capaz de ameaçar a polarização consolidada por quem hoje representa o petismo e o bolsonarismo, segundo as pesquisas de intenção de voto. Campanha começa sob INSS, Master e 'Dark Horse'

A campanha começa oficialmente em 16 de agosto. Tanto Lula quanto Flávio vêm de períodos de intenso escrutínio em razão de desdobramentos dos grandes "casos" da política recente, o das fraudes do INSS e do Banco Master. Os dos candidatos lideram as pesquisas de intenção de voto e também os percentuais de rejeição. O presidente não é investigado, mas precisou dar explicações sobre o filho, Fábio Luís Lula da Silva, e sobre um de seus principais assessores, Marco Aurélio Santana Ribeiro, mencionados em conversas de uma empresária suspeita de tráfico de influência – Roberta Luchsinger, alvo de uma das fases da Operação Sem Desconto e que, segundo a Polícia Federal, tem ligação com o "Careca do INSS", operador do esquema de descontos ilegais. Os citados negam irregularidades e o presidente diz defender as apurações. Com impacto menor, também teve o nome citado em mensagens vazadas do ex-banqueiro Daniel Vorcaro sobre encontros no Palácio do Planalto, em 2024, sobre o qual o governo negou ter havido articulações para tratar de Banco Master. Flávio, até então não investigado, chegou a ter a candidatura colocada em dúvida quando o site Intercept Brasil revelou, em maio, mensagens com pedidos de milhões de dólares a Daniel Vorcaro para financiar o filme "Dark Horse", cinebiografia do pai. O senador seguiu candidato, mas sem o apoio de outros partidos. Para tentar contornar o desgaste, Flávio recorreu a Donald Trump, e precisou lidar com um novo revés, após o governo dos EUA anunciar um segundo tarifaço contra o Brasil dias após a ida do senador à Casa Branca. O senador tentou dissociar sua visita das novas sobretaxas a produtos brasileiros. Sobre Vorcaro, disse se tratar de um patrocínio privado, e não prestou contas do filme, como prometeu. 1º debate sem Lula e Flávio O debate promovido pela TV Band, o primeiro na etapa inicial da campanha, é realizado em 23 de agosto sem a presença de Lula, Flávio e Zema. Ao lado de púlpitos vazios, Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão) e Augusto Cury (Avante) compareceram.

A estratégia se mantém e os dois principais candidatos optam por faltar a outros debates. Lula e Flávio priorizaram sabatinas, entrevistas a podcasts e, nas duas primeiras semanas, concentraram agendas na região Sudeste, onde ficam os maiores colégios eleitorais (São Paulo e Minas Gerais). Debate da Band Renato Pizzutto/Band Candidatos na rádio e TV Em 28 de agosto começa o horário eleitoral. Lula, único candidato a formar coligação, tem o maior tempo de exibição (5min31s), seguido por Flávio (4min20s), Caiado (2min) e Cury (35s). Os demais não têm direito por não atenderem os requisitos exigidos pela legislação eleitoral. Apesar da força das redes sociais, a propaganda em rádio e TV atrai a atenção das campanhas, em parte por causa das inserções exibidas ao longo da programação das emissoras. Lula e Flávio dedicam os programas às suas principais propostas (nas áreas de segurança, economia e social), mas usam parte relevante para trocar ataques e explorar a ligação do adversário com investigações de corrupção. Pesquisa Quaest de setembro mostra que 44% dos eleitores desligam a TV ou nem ligam quando o horário eleitoral começa. Outros 25% afirmam assistir com atenção. Augusto Cury em alta e ajuste fiscal no foco Após a participação no debate da Band, Augusto Cury desperta atenção de parte do eleitorado. Crescem as buscas por seu nome na internet e também suas intenções de voto. Cury ultrapassa Renan Santos, que tentava se consolidar como terceiro colocado, e passa a ser alvo da esquerda e da direita.

Nas campanhas de Lula e Flávio, a pauta fiscal entra no debate após o Banco Central divulgar que a dívida bruta do governo geral, principal indicador do estoque do endividamento público, subiu para 82,51% do PIB em julho – o maior nível desde abril de 2021 (82,62%). O candidato do PL usa o recorde para atacar a política fiscal petista e, sem dar detalhes, promete reduzir a dívida pública. Já Lula rebate críticas e diz que sua gestão é exemplo de responsabilidade fiscal. Mensagens de Vorcaro a Moraes: estopim da crise do STF

Com pouco mais de 15 dias de campanha, em 1º de setembro, o ministro André Mendonça, do STF, torna público relatório da Polícia Federal com mensagens escritas por Daniel Vorcaro a um número atribuído a Alexandre de Moraes. A suspeita de que o ex-banqueiro buscou o ministro para interferir em investigações sobre o Master deu início ao período mais turbulento da história recente da Corte. No mesmo dia, relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) indica que Vorcaro fez mais repasses para o “Dark Horse” do que o admitido por Flávio. Nos dias que seguem, as campanhas dos presidenciáveis colocam o STF em debate, com promessas de levar adiante uma reforma do Judiciário. Em outra frente, adversários de Lula tentam associá-lo a Moraes. Já o PT explora com mais ênfase o vínculo entre Flávio e Vorcaro pelo "Dark Horse". As primeiras pesquisas de intenção de voto não identificam reflexo da crise no STF. Cury avança e a candidatura de Pablo Marçal (PRTB) é dúvida. Poderes e STF no 7 de Setembro

A 27 dias do primeiro turno, Flávio faz da crise do STF o mote para seu ato político do 7 de Setembro na avenida Paulista, em São Paulo. Do palanque, elogia André Mendonça, centra críticas em Alexandre de Moraes e trata o magistrado como um aliado de Lula. Apoiadores, com bonecos e faixas, manifestam apoio a Donald Trump e a Mendonça.

O presidente participa do desfile na Esplanada dos Ministérios. O evento oficial, com o slogan “Soberania, a Força que Une o Brasil”, aborda a soberania nacional e o combate à violência contra a mulher – alguns dos eixos da campanha petista –, além da Copa do Mundo Feminina, que será realizada no Brasil em 2027. Apenas o presidente do STF, Edson Fachin, representa a Corte no evento. Pesquisas indicam interrupção da trajetória de alta de Augusto Cury. Lula participa de desfile pelo 7 de Setembro em Brasília; em São Paulo, apoiadores de Flávio Bolsonaro protestam contra Alexandre de Moraes, do STF Fotos: Adriano Machado/Reuters e Alexandre Meneghini/Reuters Escalada da crise, Flávio investigado e pesquisa acirrada

A ordem de André Mendonça para afastar do cargo o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, citado no relatório sobre Vorcaro e Moraes, acentua o embate interno no STF. Tem início uma guerra de ofícios entre magistrados, que resulta nas derrubadas de sigilos dos inquéritos sobre Master e "Dark Horse". A 23 dias do primeiro turno, vem a público a informação de que Flávio Bolsonaro é formalmente investigado na apuração sobre o financiamento do filme. A sessão do STF para decidir se Moraes deveria ou não ser investigado termina sem julgar a questão, e é tomada por bate-bocas e trocas de acusações entre ministros. A campanha bolsonarista mantém estratégia de associar Moraes a Lula, que revida explorando a ligação entre Vorcaro e Flávio. Nos dias seguintes, o presidente dá um passo atrás e, ao mesmo tempo em que elogia atuação de Moraes na ação da trama golpista, diz que "ninguém está acima da lei" e que não foi o "culpado" pela indicação do magistrado para Corte. TSE rejeita registro da candidatura de Pablo Marçal. Pesquisa Quaest de 14 de setembro mostra Lula na liderança do primeiro turno e pela primeira vez traz Flávio numericamente à frente no segundo turno. Bolsa Família, canetinha no SUS e soberania

A 17 dias do primeiro turno, Lula anuncia o reajuste do Bolsa Família, de R$ 600 para R$ 691. O impacto estimado no orçamento com aumento é de R$ 22 bilhões. No mesmo dia, o presidente anuncia oferta de canetas emagrecedoras pelo SUS. Adversários acusam o petista de usar o Bolsa Família com finalidade eleitoral. Para Flávio, é um "ato de desespero" de Lula, que estaria preocupado com os resultados de pesquisas de intenção de voto. Em outra frente, Lula volta a enfatizar a defesa da soberania e acusa o adversário de traição à pátria em razão da proximidade com Trump. As campanhas do PT e do Missão denunciam ao STF e ao TSE suspeitas de ingerência internacional por meio de propagandas ilegais nas redes sociais. No discurso na abertura da Assembleia Geral da ONU, Lula faz alerta para risco de interferência externa na eleição, em mais um recado direcionado aos EUA.

Na primeira Quaest após o anuncio do aumento do Bolsa Família, Flávio reduz a vantagem para quatro pontos no primeiro turno e mantém à frente no segundo turno. Nos dois cenários, ele e Lula estão em situação de empate técnico. Bets e Nossa Senhora Aparecida

A 9 dias do primeiro turno, Lula anuncia a proibição de bets no Brasil e uma nova versão do Desenrola, programa de renegociação de dívidas. Adversários não criticam a medida em si, mas atacam "timing" do anúncio e uso da máquina federal na reta final da campanha. Enquanto o presidente defende o veto às apostas on-line, endossado pela maioria da população, segundo a Quaest, Flávio tenta conter danos causados pelo impulsionamento de mensagens nas redes sociais que o associam indevidamente a uma iniciativa de tirar o título de padroeira da Nossa Senhora Aparecida. O candidato se disse alvo de fake news e acionou a Justiça Eleitoral. A campanha do PT explora o episódio nas agendas de rua, nas redes e na TV. Intenção de voto em Lula cresce entre mulheres, católicos e beneficiários do Bolsa Família, segundo pesquisa Quaest. Candidatos Flávio Bolsonaro e Lula exibem imagens de Nossa Senhora Aparecida em atos de campanha Fotos: Reprodução/YouTube - SantoFlow Podcast e Ricardo Stuckert Sem debate final na TV A campanha chega ao fim sem que os candidatos líderes das pesquisas de intenção de voto se enfrentem em um debate televisivo. Lula já havia comunicado que faltaria ao evento da TV Globo, na quinta-feira (1º). Duas horas antes do início da transmissão, Flávio anuncia desistência por discordar de decisão do TSE que proíbe a emissora de exibir o púlpito onde o petista ficaria. Outra decisão, dessa vez do STF, determina que Renan Santos seja convidado. Dias antes, o TSE já havia ordenado a inclusão de Romeu Zema. A emissora cancela o debate por entender que as decisões judiciais alteravam regras previamente acordadas com as campanhas geram insegurança jurídica e uma “interferência indevida na liberdade dos veículos de imprensa”. Estúdio da TV Globo onde seria realizado debate entre candidatos à Presidência Manoella Mello/Globo

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