Após o sucesso de Marvel's Spider-Man 1 e 2, a Insomniac aposta Marvel's Wolverine, jogo de ação com elementos de RPG que é ambientado no mesmo mundo dos jogos do Homem-Aranha. O título sofreu com diversos vazamentos de gameplay e mecânicas nos últimos anos, mas, como prometido pela equipe desenvolvedora, traz muito mais conteúdo.
Em um mundo em que não existem os X-Men, jogamos como o personagem título, que aqui faz parte do grupo chamado 'Equipe X', liderado por Nathaniel Essex. Vale um aviso: se você não lê os quadrinhos ou não conhece a fundo a mitologia mutante da Marvel, vale evitar buscar quem são os personagens que aparecem, a fim de evitar spoilers e impressões pré-estabelecidas.
História esquecida A cena de abertura mostra que Essex acha um Logan sem memórias e selvagem e resolve recrutá-lo para 'um lugar para pessoas com habilidades especiais'. Lá, a 'Equipe X' se faz completa com Dentes-de-Sabre, Mística e Walter, este último com o papel de cientista do grupo. O enredo segue a equipe enquanto ela busca e protege novos mutantes e luta contra Bolivar Trask, um extremista, bilionário e cientista, que busca uma forma de erradicar com os portadores do gene-x.
Ao longo do jogo, a história evolui nas costas do futuro dos mutantes, assim como o panorama geral e o frágil equilíbrio entre sobrevivência e anonimato. Esse brilho se perde em alguns momentos de enrolação e a clara tentativa de estabelecer conteúdo para uma sequência. Do meio para a frente, são jogadas algumas deixas de enredos secundários que atrapalham o processo de envolvimento com a história do principal, assim como novos papéis de personagens que são apenas mencionados, mas que com certeza estarão em uma possível continuação. A maior parte dos personagens secundários é bem trabalhada. Mística, Essex, Dentes-de-Sabre e Jean Grey são muito bem aproveitados, cada um com a profundidade que você pode esperar deles. De maneira alterada, os personagens marcam presença na maior parte das missões e, apesar disso beneficiar a mecânica de combate, é um pouco frustrante não ser possível jogar com ninguém além de Wolverine. No geral, o roteiro de Marvel's Wolverine é satisfatório e lembra, em termos de peso e qualidade, o do primeiro Marvel's Spider-Man. A abordagem da falta de memória de Logan (já conhecida), sua personalidade e o peso de sua longeva vida são os principais acertos. O outro destaque com certeza vai para Jean Grey, que é muito bem retratada como a poderosa mutante que ela é. Já adianto que, mais do que tudo, Marvel's Wolverine prova muito bem que um jogo focado na telepata poderia dar certo.
Marvel's Wolverine Divulgação Insomniac Progressão e liberdade O menu principal para customizar Wolverine contém quatro submenus: Trajes (e garras), Técnicas e Adaptações. Em 'Técnicas', temos uma variedade de habilidades: sete especiais e vários combos. As técnicas especiais ficam disponíveis através de um menu rápido de 4 espaços (e aí você troca conforme necessidade/desejo). As 'Adaptações' servem como modificadores para toda jogabilidade: desde detectar itens até diminuir o tempo de espera entre técnicas especiais. Para melhorar adaptações e conhecer mais da história esquecida e Logan, completamos desafios, que surgem durante o jogo na forma de portas mentais.
Em 'Trajes', que também engloba as garras, é onde a diversão acontece. Para quem jogou Marvel's Spider-Man 1 e 2, sabe quão divertida é a liberdade que a Insomniac dá com trajes e modificadores especiais. As roupas vão desde a época de 'Arma X', passando por 'Era do Apocalypse', o marrom da luta contra Hulk e o usado por Hugh Jackman em 'Deadpool & Wolverine'. Algumas missões, durante um certo período, bloqueiam a mudança para preservar algum senso de roteiro. Geralmente, é quando o jogo simplesmente te dá algum traje novo. Nos outros casos, precisamos coletar materiais em caixas (cada uma dá, mais ou menos 50 materiais) para comprar trajes, que custam entre 100-250 materiais. E não é apenas estético. Comprar trajes aumenta a vida máxima. As garras são, nessa parte, o que menos chama atenção. É um detalhe que mostra carinho pelos fãs, mas poucas são as opções que realmente se tornam perceptíveis com todo a ação do jogo.
Os cenários de Marvel's Wolverine são bonitos e com uma certa liberdade de exploração. As salas são interativas e modificam o combate, seja por arremessar inimigos para fora de arenas, arremessá-los em objetos ou usar elementos (fogo e eletricidade) para derrotá-los. Vale lembrar que a aventura não é de mundo aberto e isso se mostrou um acerto da Insomniac. Simplesmente, não há muito sentido em um jogo desse tipo para o herói, porém, ainda há muita liberdade na aventura de Logan. No geral, a progressão consiste em cenas cinemáticas e jogabilidade. É um bom e velho jogo de história, sem multiplayer, e, até um certo ponto, nostálgico para os que curtem aventuras focadas em história.
O trabalho da dublagem brasileira é, novamente, primoroso. Todas as vozes combinam perfeitamente com o que espararíamos dos personagens. Todas as emoções, frustrações e peso se refletem na fala e o maior destaque vai, com certeza, para Dentes-de-Sabre. O motivo? Vale deixar em aberto para vocês descobrirem.
Marvel's Wolverine Divulgação Insomniac Combate Como diz Logan, ele é o melhor no que faz, mas o que faz não é agradável. Em Marvel's Wolverine somos recebidos com muitos, muitos combates sangrentos e viscerais. Fica evidente que o sistema de confrontos é o principal pilar de apoio do título, maior ainda que o roteiro.
Os inimigos surgem a toda hora e em todos os lugares. Alguns confrontos podem ser resolvidos de maneira furtiva, mas, quando joguei, optei, na maioria das vezes, pelo embate direto. Como dito antes, muitas missões são feitas com auxílio de NPC's aliados e mecânica se encontra no combate. É muito satisfatório derrotar alguém que é arremessado por Jean Grey ou dividir uma presa com o Dentes-de-Sabre.
A divisão dos oponentes se dá entre inimigos fracos (curta e longa distância), capitães (os mais fortes, com armas diferentes), mini-chefes e chefões (os grandes combates). Entre as organizações e naturezas, essa premissa se mantém e isso é, de certa forma, repetitivo. Não há muita diferença entre quem você está enfrentando se você souber identificar o 'rank' do inimigo.
Há um sistema de capitães entre os inimigos. Ao lutar contra vários ao mesmo tempo, eles se organizam e seguem as instruções deste, que possui um marcador para indicar qual dos inimigos ele é. Sim, os capitães não possuem um estilo próprio, logo, qualquer inimigo NPC comum pode ser um capitão. Parece mais empolgante do que realmente é, para ser sincero. A maior dinâmica nos combates é a mobilidade, versatilidade e os combos do mutante protagonista.
O fator de cura de Wolverine é um dos sistemas que mais ficou em dúvida. Como fazer um ser praticamente imortal morrer? Além de lava e quedas, o personagem morre se for derrotado e a barra de fúria estiver vazia. Caso esteja cheia, uma ação rápida de pressionar um botão repetidas vezes aparece, a barra de fúria é consumida e Wolverine retorna pronto para a ação. É possível acumular fúria durante os combates e, quando com essa barra de status cheia, Logan entra em um 'modo de fúria' e é possível finalizar os inimigos rapidamente. Outro método de restaurar a saúde é através de uma técnica especial, que restaura parte da saúde e aumenta sua regeneração. Todo esse sistema flui no combate e funciona como uma solução para o fator de cura de Wolverine.
No geral, como dito antes, Marvel's Wolverine tem muitos combates e eles são bem divertidos, entretanto, a luta contra sentinelas, que era o que eu mais estava esperando, soou apenas como mais um combate, entre vários. Não é nada criativo como um Shadow of the Colossus, mas sim mais como 'lide com a parte de cima de um monstro gigante'.
Um trabalho bom, mas.. Quanto mais perto do lançamento, mais fria senti a temperatura ao redor de Marvel's Wolverine. Os gráficos são bonitos, apesar de alguns erros e bugs, mas que a Insomniac prometeu sanar no lançamento. O combate é divertido e o roteiro é o suficiente para colar tudo no lugar, mas é isso. A aventura começa bem divertida e te prende pela curiosidade do que está por vir, mas peca pelas repetições e pela súbita superexposição de conteúdo sem explicação e amarração, tudo para garantir uma sequência.
O que eu mais esperava não surpreendeu tanto, porém, o elenco, com destaque para Jean Grey, ficou bom. Em um ano de bons lançamentos, Marvel's Wolverine pode não ser o melhor no trabalho dele, mas o que ele faz até que é agradável.
O Globo