Martine Grael volta à Baía de Guanabara e lidera equipe brasileira no Enel Rio Sail Grand Prix

 

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Tem algo de poético em ver Martine Grael guiar um catamarã F50 pelas águas da Baía de Guanabara, com o Cristo Redentor ao fundo. A atleta é a primeira mulher a ocupar o posto de capitã de uma equipe na história do SailGP, considerado a “Fórmula 1” da vela.

Foi nessa mesma baía que ela aprendeu a velejar ainda criança, a, ao lado do irmão, levada pela mãe. Foi ali também que conquistou o ouro olímpico em 2016. Agora, retorna ao cenário de origem nos dias 11 e 12 de abril, como capitã do Mubadala Brazil SailGP Team, para o Enel Rio Sail Grand Prix, etapa que marca a estreia do Rolex SailGP Championship na América do Sul.

Martine Grael volta à Baía de Guanabara e lidera Brasil na estreia do SailGP na América do Sul

Divulgação

A equipe brasileira, uma das mais jovens do circuito, está focada em aprimorar a comunicação a bordo como estratégia para enfrentar adversários mais experientes. Em um ambiente de alta performance, onde decisões são tomadas em frações de segundo, o entrosamento pode ser determinante.

Filha de Torben Grael e integrante de uma das famílias mais tradicionais da vela, Martine construiu uma trajetória própria. Bicampeã olímpica e campeã mundial, ocupa hoje também um espaço simbólico no esporte. À frente da equipe, lidera em um circuito disputado com catamarãs de alta tecnologia, capazes de ultrapassar os 90 km/h ao “voar” sobre a água. Em um ambiente historicamente masculino, sua presença no comando representa uma mudança concreta na dinâmica da modalidade.

Essa liderança vem acompanhada de responsabilidades que vão além das regatas. Como embaixadora da Rolex, parceira titular do campeonato, Martine incorpora valores como precisão, excelência e consistência, características que também definem sua forma de competir.

Martine Grael volta à Baía de Guanabara e lidera Brasil na estreia do SailGP na América do Sul

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“Estou muito animada para voltar ao Rio. Acho que vai ser um grande fim de semana de regatas. Mais do que tudo, mal posso esperar para competir diante da torcida de casa. A energia e o entusiasmo das pessoas locais significam muito para mim e para a equipe. Tenho certeza de que o evento vai inspirar os brasileiros a irem para a água e vivenciarem o esporte por si mesmos. O litoral e o clima são perfeitos para a vela”, afirma a atleta.

Fora da água, Martine também se posiciona sobre temas que extrapolam o esporte. Em entrevista à revista ELA em que foi capa no ano passado, falou sobre a pressão de gênero, a construção da própria identidade e a recusa em seguir padrões estéticos. Defende uma postura mais funcional do que estética, priorizando desempenho e autenticidade.

Martine Grael

Rag Dutra

O SailGP chega ao Rio cercado de expectativa, não apenas pelo espetáculo esportivo, mas pelo potencial de impacto. Com vencedores diferentes a cada etapa da temporada, a competição se consolidou como uma das mais imprevisíveis do calendário internacional.

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André Luiz Mello/AGIF