Marquise do Ibirapuera completa um mês reaberta sob críticas a restrições para skate e patins
A Marquise José Ermírio de Moraes, no Parque Ibirapuera, completou um mês de reabertura sob críticas à delimitação de áreas para a prática de patins, skate e bicicletas de manobra BMX Flatland, além da falta de sinalização clara sobre as novas regras. As normas passaram a valer desde a reinauguração do espaço, em 25 de janeiro, sob gestão da Urbia, concessionária responsável pela administração do parque.
Historicamente, a marquise é ponto de encontro de skatistas e patinadores, mas a Urbia se posicionou contra a prática dessas modalidades no local, sob o argumento de que o parque já conta com áreas específicas destinadas a esses esportes.
Na regulamentação definida em conjunto com o Conselho Gestor do parque, ficou estabelecida a restrição de uma área de 3,6 mil metros quadrados para skate, patins e BMX Flatland. Uma fita preta delimita o espaço. Há ainda outra área demarcada, de 700 metros quadrados, destinada ao público infantil, para crianças de zero a 10 anos.
A reportagem da CBN esteve no local nesta quarta-feira (4), um dia com movimento menor em comparação ao fim de semana, quando o número de praticantes costuma ser maior. Os dois espaços delimitados ficam próximos às entradas dos estacionamentos. O acesso é livre, e, aos fins de semana, o público em geral se mistura aos praticantes das modalidades.
Para garantir o cumprimento das regras, seguranças do parque orientam os usuários a permanecer dentro dos limites estabelecidos. Liruam Reis utiliza o espaço desde a reinauguração e conta que já foi advertido por estar com a cachorra na marquise:
“Parece uma tentativa de afastar os skatistas do restante do parque. Eu mesmo já fui abordado pela segurança por estar com meu cachorro enquanto andava de skate. Disseram que não era permitido estar com o cachorro e o skate no mesmo espaço. Sempre houve uma organização natural sobre onde cada um podia praticar, mas agora parece que o espaço destinado aos skatistas está cada vez mais restrito", criticou.
Concessionária alega danos à estrutura
A discussão sobre o uso do espaço por skatistas voltou ao centro do debate após nota divulgada pela Urbia. A concessionária afirmou que praticantes têm “vandalizado” a estrutura projetada por Oscar Niemeyer ao realizar manobras no local, o que geraria custos adicionais de zeladoria.
A empresa também informou que não autorizou a cessão do espaço para manobras durante a semana do Campeonato Mundial da modalidade, que segue até o próximo domingo, na capital paulista. Duas ativações estavam previstas na marquise para divulgar o evento.
Marcelo Reis aproveitou a folga para voltar ao local e andar de patins pela primeira vez desde a reabertura. Frequentador antigo, ele criticou as novas regras:
“É uma sensação ruim, porque antes a marquise era liberada e todos podiam usar qualquer espaço. Havia respeito mútuo entre quem estava com crianças, quem andava de patins, skate ou bicicleta, e até quem queria apenas ficar sentado. Não havia necessidade de delimitação. Por ser um espaço público, as pessoas sempre conseguiram se organizar e conviver bem", relata.
O patinador Fabio Pagan afirmou que há praticantes que não respeitam a delimitação e defendeu a instalação de mais sinalização com informações claras sobre as normas em vigor:
“Muita gente sai da área delimitada, mas, pelo que observo, isso acontece quando o espaço está vazio, sem ninguém por perto. Não precisa haver radicalismo, mas falta sinalização. Seria importante ter placas informando claramente que patins, skate e outros esportes sobre rodas só podem ser praticados na área demarcada no chão, com a faixa preta", opinou.
Bicicletas, patinetes elétricos e esportes com bola seguem proibidos sob a marquise. A Urbia também tem cobrado maior apoio da Prefeitura de São Paulo na fiscalização do espaço. A CBN aguarda nota da concessionária.
