O marqueteiro Duda Lima passará a acompanhar Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em viagens pelo país, em uma mudança na rotina da campanha que atende a uma sugestão de aliados do candidato.
Desde que assumiu a comunicação, Duda vinha concentrando boa parte de sua atuação no QG em São Paulo e na formulação estratégica da candidatura, em contato frequente com Flávio.
A avaliação no entorno do senador é que a presença do marqueteiro ao lado do candidato pode ajudar a adaptar a comunicação às diferentes agendas e situações políticas encontradas nos estados.
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A mudança ocorre justamente quando Flávio começa a ampliar o raio de sua campanha.
Nesta segunda-feira, o senador estará em São Paulo para um evento na Fiesp e, na terça e na quarta-feira, seguirá para Alagoas, onde fará sua primeira incursão pelo Nordeste desde o início oficial da disputa.
A agenda no estado será acompanhada pelo candidato a vice, Alfredo Gaspar (PL-AL), e inclui compromissos em Maceió e Arapiraca.
A campanha prevê novas viagens nas próximas semanas, aumentando a necessidade de uma presença mais próxima do estrategista ao lado do candidato.
A ideia é que Duda não fique restrito à produção e à definição das peças de comunicação, mas participe também da construção dos discursos, da leitura dos ambientes políticos e da escolha da abordagem de Flávio em cada região.
A ida de Duda para a estrada também ocorre em um momento em que a campanha começa a lidar com desafios diferentes em cada estado.
No Nordeste, por exemplo, Flávio enfrenta uma distância maior para Lula nas pesquisas e dificuldades para reunir no mesmo palanque aliados envolvidos em disputas locais.
Em Alagoas, João Henrique Caldas, o JHC (PSDB), candidato ao governo, e Arthur Lira (PP-AL), que disputa uma vaga ao Senado, devem evitar uma associação pública com o candidato do PL.
No recorte regional da última pesquisa Datafolha, Lula aparece com 53% das intenções de voto no primeiro turno no Nordeste, contra 25% de Flávio.
A diferença de 28 pontos pesa sobre o cálculo de políticos locais que disputam eleições próprias e têm interesse em preservar uma relação com o eleitorado da região.
A avaliação entre aliados é que Duda poderá ajudar a adaptar a estratégia e a comunicação de Flávio a esse tipo de cenário, além de acompanhar de perto a execução das agendas.
A presença física também permitiria ao marqueteiro participar de conversas com lideranças e avaliar quais mensagens funcionam melhor em cada lugar.
Terceiro marqueteiro a ocupar a função desde o início da pré-campanha, Duda assumiu o trabalho com um perfil diferente dos profissionais que o antecederam.
Sua atuação está menos concentrada na produção de vídeos, fotos e peças para redes sociais e mais voltada à formulação da estratégia eleitoral, em contato direto com o candidato.
Duda mantém uma interlocução frequente com Flávio para discutir cenários, posicionamentos e a forma como o candidato deve se apresentar ao eleitor.
A ideia é construir as mensagens junto com o senador, sem transformá-lo em um personagem rigidamente roteirizado.
A mudança representa uma inflexão em relação aos profissionais que passaram anteriormente pelo posto, como Eduardo Fischer, que acabou assumindo a função em conjunto com Alexandre Oltramari.
Fischer tinha trajetória mais concentrada na publicidade e na propaganda do que na política, o que gerou críticas e questionamentos dentro da equipe sobre sua experiência eleitoral.
A passagem da dupla, porém, não se consolidou e depois de um período sem produzir os resultados esperados e em meio à saída ou perda de espaço de outros integrantes da equipe, Fischer e Oltramari foram substituídos por Duda.
Próximo do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, Duda já trabalhou no partido e também na última campanha de Jair Bolsonaro, em 2022.
Esta é a primeira disputa presidencial do senador, que passou por sucessivas mudanças na estrutura e na comunicação da candidatura.
Pessoas próximas à campanha relatam que houve pouca continuidade entre as equipes e que, em alguns momentos, Flávio chegou a executar ideias ou formatos com os quais não tinha plena identificação.
A aposta é que a reorganização dê à campanha uma unidade que, na avaliação de pessoas próximas ao candidato, faltava até então.
Agora, com a ampliação das viagens, a expectativa é que essa atuação mais estratégica saia também do QG e acompanhe Flávio na tentativa de transformar agendas regionais em parte de uma narrativa nacional para a candidatura.
