O jornalista e estrategista Fernando Carreiro decidiu diminuir o ritmo de participação direta em campanhas eleitorais e concentrar investimentos na inteligência artificial aplicada à política. A decisão, segundo ele, não significa abandonar as eleições.
Carreiro diz que continuará atuando em projetos pontuais, nos quais sua participação possa produzir diferença real, mas deixará de assumir várias operações simultaneamente. “A era dos supermarqueteiros acabou.
O futuro do marketing político pertence à inteligência, humana e artificial, capaz de escutar, interpretar e decidir em tempo real”, afirma. O centro dessa nova fase será o Centro de Inteligência de Campanhas e Cidades (CiC).
Desenvolvida a partir de um acervo de aproximadamente 16 terabytes de arquivos e do repertório acumulado por Carreiro em mais de 20 anos de experiência, 55 campanhas eleitorais no currículo e mais de 100 projetos políticos desenvolvidos em quatro Estados brasileiros, a plataforma tem como potencial produzir diagnósticos sobre mandatos, governos e candidaturas; avaliar viabilidade eleitoral; acompanhar movimentos políticos e realizar uma escuta ativa das redes e dos cidadãos.
Essa inteligência, destaca, pode orientar narrativas, discursos, decisões e o posicionamento de candidatos, prefeitos, vereadores, deputados, governadores, senadores e outras figuras públicas, estejam ou não disputando uma eleição. O futuro não será da inteligência artificial contra o ser humano.
Será dos profissionais que souberem utilizar a máquina sem terceirizar a ela o próprio julgamento. A tecnologia pode processar uma eleição inteira.
Ainda será preciso inteligência humana para compreender o eleitor Para Carreiro, a inteligência artificial será o principal vetor de transformação do marketing político nos próximos anos.
Não porque substituirá estrategistas, jornalistas, publicitários ou pesquisadores, mas porque já consegue acelerar processos, organizar grandes volumes de informação, encontrar padrões, comparar cenários e ampliar a capacidade de resposta das equipes. “Quanto mais a inteligência artificial produzir, mais importante será a inteligência humana capaz de escolher.
A máquina acelera o processo, mas alguém ainda precisa compreender o contexto, separar o barulho do movimento verdadeiro e decidir o que deve — e o que não deve — ser feito. A curadoria não desaparece.
Ela se torna ainda mais valiosa”, explica. Carreiro diz que continuará aceitando campanhas específicas, desde que exista afinidade com o projeto e uma função estratégica clara para sua participação.
A diferença é que a operação integral de várias disputas deixa de ser o centro de seu modelo profissional. “Não estou deixando as campanhas.
Estou mudando de lugar nelas, escolhendo melhor onde minha presença faz sentido e transformando a experiência que acumulei nelas em uma inteligência capaz de atender muito mais projetos. Antes, esse repertório trabalhava apenas para as campanhas que eu comandava.
Agora, poderá trabalhar para candidatos, gestões, mandatos, agências e profissionais de todo o mercado”, enumera. O profissional enfatiza que a mudança não representa uma despedida, mas uma troca de posição.
Fernando Carreiro adianta que continuará dentro da política, mas agora menos como o marqueteiro que pretende comandar tudo e mais como o estrategista que ajuda diferentes equipes a compreender melhor o que está acontecendo.
A Gazeta