Marinha dos EUA retoma escolta de navios na passagem de Ormuz, diz jornal

Marinha dos EUA retoma escolta de navios na passagem de Ormuz, diz jornal

 

Fonte: Bandeira



A Marinha dos Estados Unidos retomou o auxílio na travessia de embarcações pelo Estreito de Ormuz, informou o jornal americano The Wall Street Journal nesta terça-feira (26), citando autoridades militares dos EUA.

As autoridades disseram que um superpetroleiro grego transportando dois milhões de barris de petróleo bruto foi escoltado pela Marinha dos EUA ao cruzar o canal próximo à costa de Omã.

O navio estava retido no Golfo Pérsico desde o início de março e agora está a caminho da Índia para entregar sua carga.

O esforço renovado foi considerado parte do 'Projeto Liberdade', uma iniciativa dos EUA para orientar navios através do corredor marítimo, onde passa cerca de 20% do petróleo mundial.

Segundo a reportagem, a Marinha dos EUA planeja ajudar cerca de algumas embarcações, incluindo superpetroleiros e navios porta-contêineres, a cruzar o Estreito de Ormuz nos próximos dias.

Mídia estatal iraniana divulga três 'linhas vermelhas' para negociações com os Estados Unidos

Embarcação no Estreito de Ormuz.

PUNIT PARANJPE /AFP

Após ataques dos Estados Unidos nessa segunda-feira (25), o Irã fez diversas ameaças nesta terça-feira (26) prometendo uma resposta aos ataques.

Após isso, a mídia estatal iraniana listou quais são as linhas vermelhas de Teerã nas negociações:

Situação nuclear: a agência de notícias IRNA afirmou que a manutenção da "infraestrutura do programa nuclear iraniano" não está em discussão. Trump declarou repetidamente que o Irã não pode desenvolver armas nucleares, enquanto relatos sugerem que os EUA querem que Teerã entregue seu urânio enriquecido.

Estreito de Ormuz: O relatório afirma que os dois lados chegaram a um "mecanismo abrangente de não colisão" para pôr fim aos combates. Mas, em vez de retornar às condições pré-guerra, uma linha vermelha para o Irã é 'o reconhecimento, por Washington, do direito do Irã à inteligência e à vigilância operacional sobre essa importante via navegável'.

Fundos congelados: A liberação de fundos iranianos retidos sob sanções também é fundamental para Teerã, especialmente aqueles mantidos no Catar.

O Irã prometeu que 'não deixará nenhum ato de agressão sem resposta' após o que chamou de 'violação flagrante' do cessar-fogo pelos Estados Unidos. Os EUA lançaram o que chamaram de ataques defensivos contra o Irã, em um contexto de cessar-fogo cada vez mais instável,

O Ministério das Relações Exteriores do Irã afirma que o exército americano 'cometeu uma violação flagrante do cessar-fogo na província de Hormozgan nas últimas 48 horas'.

'Sem dúvida alguma, a República Islâmica do Irã não deixará nenhum ato de agressão sem resposta e não hesitará minimamente em defender a soberania do Irã', afirmou o ministério.

Antes, a Guarda Revolucionária Iraniana afirmou ter o direito de responder a qualquer violação do cessar-fogo por parte dos EUA, após o governo Trump ter lançado ataques no sul do Irã nessa segunda-feira (25).

O Comando Central dos EUA classificou os ataques como 'autodefesa' e afirmou que eles visavam 'locais de lançamento de mísseis e embarcações iranianas que tentavam instalar minas'.

A Guarda Revolucionária Islâmica afirmou ter identificado 'caças e drones americanos invasores' em um comunicado divulgado pela mídia estatal - uma aparente referência aos ataques.

Em um comunicado, o grupo também afirmou ter abatido um drone MQ-9 quando este ativou suas defesas e também alegou ter forçado outro drone e um caça americano a 'fugir'.

Acrescentou ainda:

'A Guarda Revolucionária Islâmica alertou contra qualquer violação do cessar-fogo por parte do exército agressivo dos EUA e considera legítimo e certo o seu direito a uma resposta recíproca'.

Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante discurso.

Brendan SMIALOWSKI / AFP

Conforme a autoridade do governo americano, os alvos incluíram locais de lançamento de mísseis e embarcações do regime iraniano que estariam instalando minas subaquáticas.

As ações foram realizadas em meio ao cessar-fogo e negociações entre Estados Unidos e Irã. A guerra começou no fim de fevereiro.

Mais cedo, as autoridades iranianas haviam reportado explosões na cidade de Bandar Abbas, no litoral sul do país, onde se encontra uma importante base militar das forças aérea e naval.

Antes dos ataques, na rede social Truth Social, o presidente Donald Trump afirmou que o urânio enriquecido do Irã será entregue aos Estados Unidos.

O Pentágono afirmou que foi uma ação defensiva e que vai continuar protegendo tropas americanas durante o cessar-fogo, em vigor desde 8 de abril.

A agência oficial de notícias do Irã classificou o bombardeio ao sul do país como uma declaração formal de guerra por parte de Washington.

O líder supremo iraniano afirmou que as potências do Golfo não serão mais um "escudo" para as bases militares americanas e que os Estados Unidos não terão mais um "porto seguro" na região.

Por causa do bombardeio americano, o preço do petróleo voltou a subir. O barril do tipo Brent, referência internacional, teve um aumento de quase 7%, saltando de 98 para 104 dólares e 52 centavos.

Apesar da ofensiva, o presidente Donald Trump reiterou que as negociações de paz com o regime iraniano estão prosseguindo bem.

Diplomatas dos Estados Unidos e do Irã participam de uma reunião de emergência na capital do Paquistão para tentar salvar o rascunho de um acordo de paz.

O ministro das Relações Exteriores do Paquistão desembarcou em Nova York e deve participar de um debate no Conselho de Segurança da ONU.