Ex-prefeito de Maceió, João Henrique Caldas, o JHC, desistiu de concorrer ao Senado e colocou a mulher, Marina Cândia, agora Marina JHC, em seu lugar, em uma operação que preservou a aliança com o deputado Arthur Lira (PP) na disputa pelo governo de Alagoas. A solução, porém, criou um novo problema: Marina passou a disputar com Lira uma das duas vagas disponíveis e, lançada no limite do prazo, aparece tecnicamente empatada com ele e com Renan Calheiros (MDB), segundo pesquisa Quaest divulgada no dia 24.
Quaest: Corrupção e defesa da democracia são temas que pesam mais na decisão do voto para presiden Incômodo na direita: Nikolas Ferreira monta rede própria de candidatos e contraria Flávio Bolsonaro Marina marcou 15% das intenções de voto no levantamento, contra 20% de Lira e 18% de Renan. A margem de erro é de três pontos percentuais para mais ou para menos.
Candidato ao Senado pelo Republicanos, Davi Davino Filho afirma que o principal obstáculo, na sua avaliação, é transformar o sobrenome JHC, já conhecido em Maceió, em uma candidatura reconhecida no interior. Davi aparece em quarto lugar na Quaest, com 10%.
— A dificuldade dela, e a minha, é se tornar conhecida no estado — afirma o candidato do Republicanos, que disputa o Senado de forma avulsa.
De acordo com a Quaest, Marina JHC é desconhecida por 48% do eleitorado. Já 21% dizem não conhecer Lira e 18%, Renan. Em relação a Davino Filho, 54% não o conhecem.
Na avaliação de lideranças locais, Marina se beneficia da estrutura de comunicação que levou o marido a conquistar 83,25% dos votos na reeleição para a prefeitura de Maceió, em 2024. Ao mesmo tempo, porém, precisa construir uma rede de prefeitos, vereadores e lideranças locais.
Aliados de JHC apostam no voto de opinião. Maceió, os grandes centros urbanos e o eleitor alcançado diretamente pelas redes sociais formam o núcleo da estratégia. É a mesma narrativa que o levou à prefeitura: a ideia de um político jovem, independente e capaz de enfrentar os grupos tradicionais.
O cientista político Ranulfo Paranhos, professor do Instituto de Ciências Sociais da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), vê na candidatura de Marina uma extensão do modelo usado por JHC. Para ele, o ex-prefeito construiu uma comunicação personalista e digital baseada na ideia de renovação e na exposição da própria família.
A candidatura de Marina sofreu um revés na quinta-feira com a decisão do ex-governador Ronaldo Lessa (PDT) de deixar a segunda suplência. A decisão mina tentativa de construir musculatura fora da capital e adiciona uma dúvida sobre a capacidade de JHC de atrair figuras tradicionais da política alagoana para o projeto.
O pedetista deixou o grupo político dos Calheiros e se aproximou de JHC. Ele tinha a expectativa de ser escolhido candidato a vice na chapa. A vaga, porém, acabou com Célia Rocha (PSDB), ex-prefeita de Arapiraca.
O Globo