Marielle: saiba quanto o ex-deputado Chiquinho Brazão recebeu dos cofres públicos desde a morte da vereadora

 

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O ex-deputado federal Chiquinho Brazão, um dos condenados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) como mandante pela morte da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, recebeu pelo menos R$ 4,5 milhões (brutos) dos cofres públicos desde que os dois foram assassinados em março de 2018 até a mesa diretora da Câmara dos Deputados cassar seu mandato em abril do ano passado. A estimativa foi feita pelo Globo com base em dados dos portais de transparência da Câmara Municipal do Rio, da prefeitura do Rio e da Câmara de Deputados. Os valores não foram corrigidos pela inflação

Quando Marielle morreu em 14 de março, Chiquinho também era vereador. Ele permaneceu no cargo até renunciar ao mandato para assumir uma cadeira na Câmara de Deputados em Brasília, a partir de fevereiro de 2019. Como o subsídio dos vereadores do Rio era na época de R$ 15.031,46, o então vereador recebeu R$ 182.861,79 pelo legislativo carioca após a execução, incluindo o 13º salário e metade dos vencimentos de março. Nesse cálculo, O GLOBO desconsiderou variáveis cuja consulta já não está disponível, como despesas acumuladas com vale-combustível, selos e eventuais diárias, entre outros.

Chiquinho permaneceu deputado federal de fevereiro de 2019 até abril de 2025, quando foi cassado. Nesse período, recebeu normalmente o subsídio mensal que era de R$ 33.763 em fevereiro de 2029. Em 2023, esse valor subiu para R$ 46.366,19. Somados, os subsídios chegam a R$ 2.362.483, inclusive o 13º. Nesse cálculo, o GLOBO levou em conta que, embora tenha se licenciado para ser secretário Especial de Ação Comunitária da prefeitura do Rio por cerca de cinco meses (2023-2024), Chquinho optou por continuar a receber como parlamentar, como permitido por lei.

Na Câmara de Deputados, foi possível também verificar que Chiquinho Brazão gastou mais de R$ 2 milhões de verba parlamentar, que pode ser usada para despesas como: divulgar seu mandato, pagar passagens aéreas Rio/Brasília/Rio, combustível e conta de telefone dos gabinetes. A conta não inclui salários de até 25 assessores de livre nomeação e exoneração aos quais todo deputado tem direito.

Foram 2.905 longos dias de espera. Na tarde de terça-feira, em julgamento histórico, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) condenou, por unanimidade, os irmãos Domingos e Chiquinho Brazão a 76 anos e três meses de prisão pelo assassinato da vereadora Marielle Franco e de seu motorista Anderson Gomes e por organização criminosa. O delegado Rivaldo Barbosa foi absolvido da participação no homicídio, mas sentenciado por obstrução à justiça e corrupção passiva, somando 18 anos de pena.

O major da PM Ronald Paulo Alves foi condenado a 56 anos também pelo duplo homicídio. No cálculo das penas dele e dos irmãos Brazão, foi considerada também a tentativa de homicídio contra a então assessora Fernanda Chaves. Os ministros sentenciaram ainda o ex-PM Robson Calixto Fonseca, o Peixe, a nove anos de prisão por organização criminosa. Os cinco réus terão que pagar indenização aos familiares das vítimas num total de R$ 7 milhões.