Marido de Andréia Horta, Ravel Andrade fala de período dedicado integralmente à filha do casal enquanto atriz faz 'Três Graças': 'Difícil tirar a bebê de casa'
Ravel Andrade poderá ser visto em breve no cinema no filme “Rio de sangue”, um thriller de ação nacional protagonizado por Giovanna Antonelli e Alice Wegmann. A trama é ambientada em Santarém e acompanha uma policial que busca recomeçar, mas precisa resgatar sua filha médica, sequestrada por garimpeiros. A narrativa é contada do ponto de vista de um indígena, interpretado pelo ator Fidelis Baniwa.
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— O diretor, Gustavo Bonafé, vem de filmes de ação. É um longa que retrata como o garimpo age sobre as comunidades indígenas e como os ativistas ambientalistas ficam na negociação. É lindo por ter essa narrativa contada por alguém de lá e por ter a participação de muita gente que faz parte da luta. O meu personagem é filho do grande garimpeiro, que é o Antonio Calloni. Eu digo que ele é professor porque me emocionei com ele em cena — diz o ator.
Na TV, ele, que foi visto no ano passado como o cantor Raul Seixas na série "Raul Seixas: Eu Sou", do Globoplay, dará vida a outra figura real. Andrade interpretará o jogador Tostão na série "Brasil 70 – A Saga do Tri", da Netflix, ainda sem data de estreia confirmada.
— Os diretores, Paulo e Pedro Morelli, dirigiram a série do Raul, então ficamos muito próximos. Fomos a um festival muito bacana na França e lá eles me falaram da série, e que estavam pensando em mim. Eu falei: 'Não brinquem com o meu coração'. O futebol está muito atrelado à minha vida. Não assistindo, mas praticando. Desde muito menino, era o violão no colo e o futebol na rua. Eu tive o sonho de ser jogador em algum momento. O último time em que joguei foi o Cascais, em Portugal, quando meus pais foram para lá atrás de oportunidade de emprego e eu fui junto. Mas comecei a estranhar o clima, a convivência, e voltei para o Brasil para fazer teatro quando tinha 17 anos — relembra. — O bom da profissão é poder realizar sonhos como este. Fiquei muito feliz por ser a Copa de 70, porque acho a Copa mais emblemática de todos os tempos, com o time mais emblemático.
O elenco teve treinamento profissional durante dois meses para interpretar os jogadores. O ator chegou a ter uma lesão e precisou, inclusive, de fisioterapia.
— Eu me senti muito atleta com alguém massageando a minha coxa (risos). E esse treinamento nos deixou muito conectados quando começamos a filmar. Estávamos todos juntos em São Paulo, no mesmo hotel — relembra ele.
Irmão de Julio Andrade, de quem ganhou o seu primeiro violão aos seis anos e por quem foi levado a muitos espetáculos musicais, o ator conta que aprendeu desde cedo sobre os percalços da profissão:
— Hoje eu lido de forma mais consciente, mas, no início, o que me atrapalhou muito foi a falta de inteligência financeira. A profissão ilude muito. O artista precisa estar sempre se aprimorando, buscando o que está sendo feito, se aperfeiçoando no método. O meu primeiro dinheiro veio na cinebiografia do Paulo Coelho. Nem era tanto, mas eu tinha chegado de Porto Alegre, onde dividia um aluguel barato com três amigos e tinha uma vida bem modesta. Eu me mudei para São Paulo e gastei tudo em dois meses. Hoje sei que tem que conquistar e guardar. Se não, é algo cruel. Você pode fazer algo muito legal e depois passar um ano e meio, dois, sem trabalhar. Tenho amigos maravilhosos desempregados e tristes. E tenho uma filha agora que me faz pensar mais ainda sobre isso. Quero fazer bons trabalhos, ter tempo de qualidade e dinheiro para ficar em paz com ela quando não estiver trabalhando.
Aos 34 anos, Andrade é casado com a atriz Andréia Horta e pai de Yolanda, de um ano e dois meses. Ele conta que nos últimos meses vem conseguindo passar mais tempo com a filha enquanto a mulher se dedica à novela 'Três Graças', em que vive a personagem Zenilda.
— Nós temos um combinado, mas que é bastante maleável, porque de uma hora para a outra pode aparecer um convite irresistível. Temos tido sorte. Eu fiz o “Brasil 70”, elas conseguiram ir durante um mês, mas, mesmo assim, é difícil tirar a bebê de casa. Aí ela começou a novela um pouco antes de eu terminar, e quando eu terminar, vou começar um novo projeto. Foi um presente esses quatro meses que passei com a Yolanda em casa.
Andrade também vem trabalhando em um futuro EP que pretende lançar, ainda sem data definida. Ele começou sua trajetória musical com o ator Danilo Mesquita, após se conhecerem em “Rock Story”, e formaram o duo Beraderos em 2018. O projeto foi apadrinhado por Milton Nascimento, e o primeiro álbum, com dez faixas, foi lançado em 2021 pela Biscoito Fino.
— A minha profissão é a de ator, e a música sempre foi algo muito íntimo até para compartilhar. A Andréia me inspirou muito, merece muitos louros. Há uns dois anos ela fala para eu jogar a minha voz no mundo, enche a minha bola. E sempre que apareço cantando, a resposta do público é muito bonita. O Beraderos me fez ter esta vontade, e a Andréia tem um valor grande na realização deste sonho.
Ele comenta que a paternidade vem o inspirando ainda mais, inclusive com a ideia de um outro disco com músicas mais infantis.
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— Estou em um momento muito criativo da minha vida. A criança dá uma energia de criação. Isso de vermos crescer no dia a dia, de ela começar a nos reconhecer como porto-seguro. Estamos saindo de casa, ela nos leva para bloquinhos, outro dia fomos ao Museu do Pontal. Eu estou entendendo que a criança é quem leva, ela está nos apresentando a vida.
Ravel e a Andreia Horta com a filha, Yolanda
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