Mariana Rosa viraliza com vídeos que denunciam violência psicológica, e prepara peça a partir de relatos de seguidoras

 

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"Meu nome é Mariana e eu sou...”. Assim começa a série de vídeos publicada no Instagram pela atriz e roteirista gaúcha Mariana Rosa, de 38 anos. Em esquetes curtos, ela interpreta rótulos associados a mulheres, como “louca”, “burra” e “vagabunda”. A atriz os descreve a partir da visão do “marido Jorge”. Enquanto relata situações absurdas — atravessadas por grande parte do público feminino —, vai se maquiando. No final, a sombra roxa espalhada nas pálpebras e o batom borrado na boca refletem a autoimagem distorcida provocada pela violência psicológica. “A make dá o toque absurdo”, explica. “Postei o primeiro vídeo em 2021. Agora, em março, mês da mulher, quis falar sobre relacionamentos abusivos, impactada pelos acontecimentos recentes, e decidi retomar o projeto”, conta. Resultado: os vídeos viralizaram. De 11 mil seguidores, Mariana subiu para mais de 340 mil, em um mês, com 30 milhões de visualizações. “Gerou uma identificação forte. Há situações que vivi e outras que estão por aí. As próprias seguidoras começaram a revelar suas experiências nos comentários e a sugerir novos temas. Virou uma comunidade”, afirma.

Agora, Mariana se prepara para estrear o monólogo “Quando eu era mulher”, no dia 28 de maio, no Teatro Estúdio, em São Paulo. O texto, assinado por ela, foi redigido a partir dos relatos. “Quero que a mulherada aprenda a reconhecer os ‘Jorges’”.

Advogada especialista em direitos das mulheres, Gabriela Manssur diz que os vídeos “vão muito além do entretenimento”. “Ajuda o público feminino a romper ciclos, que, se não identificados, podem evoluir para formas mais graves de violência”. A psicóloga Marta Monteiro faz coro. “Mariana tira da normalidade os relacionamentos abusivos que acontecem com tanta frequência. Com a autoestima abalada, as mulheres costumam perder a autorreferência”, analisa. “Ela joga luz na realidade deturpada”, conclui.