Maria Mariana lança nova edição de

Maria Mariana lança nova edição de 'Confissões de adolescente' e alerta sobre patologização dos jovens: 'Muito vulneráveis'

Fonte: Bandeira da fonte

Ao lançar a peça “Confissões de adolescente”, no início dos anos 1990, Maria Mariana desbravou um nicho então negligenciado.
Não havia obras que falassem, com honestidade e sem dedo na cara, sobre temas como sexo, drogas e aborto.
O tamanho da demanda se revelou pelo próprio sucesso da montagem, inspirada em seus diários reais, que arrastou multidões de jovens aos teatros e foi transformada em livro e série de TV.
Três décadas depois, aos 53 anos e mãe de quatro filhos, a autora revisita a obra e lança, nesta segunda-feira, uma nova edição da publicação pela Maquinaria com o desejo de promover um diálogo entre pais e filhos.
“Vivemos mudanças profundas nos últimos tempos, mas sinto como se tivéssemos mergulhado nessas águas e, só agora, botássemos a cabeça para fora.
Ao fazer isso, descobrimos que algumas pessoas estão se afogando”, ilustra.
Além das experiências pessoais, a observação é feita a partir de uma recente formação em Psicologia.
Passar pela faculdade fez com que aspectos como o excesso de patologização da adolescência entrassem no radar da autora.
“Eu era uma jovem insegura e tímida e fiz os diários por sugestão do meu pai.
Foi assim que desenvolvi habilidades e superei várias questões”, diz ela, filha do dramaturgo Domingos Oliveira (1936-2019).
“Hoje, os adolescentes estão muito vulneráveis e já chegam aos consultórios em busca de diagnóstico e remédios.”
"Confissões de adolescente": Carol Machado, Maria Mariana, Ingrid Guimarães e Patrícia Perrone, no elenco original, em 1993
Guilherme Rozenbaum/Agência O Globo
Atrizes da primeira montagem, Ingrid Guimarães, Carol Machado e Patrícia Perrone se juntam à autora com textos em que rememoram a juventude na nova edição.
“Mesmo com o advento das telas, não há algo tão diferente hoje quando se trata das primeiras experiências”, diz Carol.
“E o livro traz a importância de as coisas serem faladas.
Se tenho conexão com a minha família e conversamos sobre assuntos polêmicos, fico protegida.”
O mesmo pensamento reverbera na nova montagem da peça, desta vez como musical, com estreia prevista para outubro, no Rio.
O elenco ainda está em processo e seleção, mas a personagem de Maria Mariana será interpretada por Laura, uma de suas filhas, num encontro providencial.
“Quero colocar uma geração diante da outra e deixar o público chegar às próprias conclusões”, diz a autora.
“Repetir as mesmas histórias nunca é demais para uma escritora.
Sempre aparece coisa nova.”