O presidente Luiz Inácio Lula da Silva usou seu discurso no Amapá, após a descoberta de petróleo na Bacia da Foz do Amazonas (que faz parte da chamada Margem Equatorial), para buscar demonstrar uma preocupação do governo com o meio ambiente. A exploração de óleo e gás na região é cercada de polêmica e criticada por ambientalistas. Lula disse, porém, que a máquina usada na perfuração é capaz de fechar o poço, caso haja incidentes. O presidente comparou a situação com o vazamento de petróleo no Golfo do México, em 2010. Lula falou do tema ao mencionar a máquina chamada de BOP (Blowout Preventer), um sistema de válvulas gigantes instalado na cabeça de poços de petróleo e gás para fechar a passagem de fluidos sob pressões descontroladas, evitando explosões catastróficas. – Hoje eu vi a máquina BOP é do tamanho de um prédio de seis andares. É uma máquina grande que a gente compra ela e vai pro fundo do mar, onde começa a perfuração. Qualquer incidente que houver, se tiver um vazamento como aquele no Golfo do México, que teve óleo andando no mundo inteiro, essa máquina, a BOP, ela fecha o poço. Mmediatamente. Então é isso que temos que dizer as pessoas. O Brasil está preparado para fazer muito mais – disse.
O presidente lembrou da polêmica em torno da exploração de petróleo na chamada Margem Equatorial e ressaltou que o poço descoberto pela Petrobras na costa do Amapá está a mais de 500 quilômetros da Foz do Amazonas e 175 km do litoral. – Todo mundo aqui sabe a polêmica da Margem Equatorial. Pensei que a gente precisava derrubar uma árvore para poder tirar petróleo. E aí eu fico sabendo que a distância é mais de 500 km da Foz do Amazonas. E venho para cá, ando 175 km de helicóptero, mar adentro, com um medo muito grande. Me deram um colete que pesava mais do que eu. E fui lá ver a gente tirando o petróleo – disse. Lula disse que "muita gente" sugeriu que a licença para pesquisa no poço na Margem Equatorial não fosse anunciada durante a COP no Brasil, no ano passado. O presidente disse que tomou a decisão de anunciar a licença antes da COP "porque o que estava em jogo eram os interesses do país e da nossa empresa" – E o direito do Amapá não virar só exportador de açaí ou tucunaré assado – afirmou, comparando a situação com a descoberta do pré-sal pela Petrobras em 2007: – Vou levar isso aqui (frasco de petróleo) para casa. Eu vou dizer o que eu disse quando descobriu o pré-sal: isso pode chamar passaporte para o futuro desse país. A descoberta O petróleo foi encontrado pela Petrobras no poço Morpho, localizado a cerca de 175 quilômetros da costa do Amapá. A perfuração, no entanto, ainda está em andamento. Agora, a empresa precisa avaliar quanto de petróleo existe no local e se a exploração poderá ser feita em escala comercial. A descoberta é considerada importante porque a Margem Equatorial é uma das principais apostas da Petrobras para encontrar novas reservas. A área se estende do Amapá ao Rio Grande do Norte e ganhou atenção depois de descobertas de petróleo na Guiana e no Suriname, países vizinhos. A exploração na região, porém, é alvo de discussão há anos por conta dos possíveis impactos ambientais. A Petrobras esperou mais de uma década pela autorização para perfurar o primeiro poço na Bacia da Foz do Amazonas. O Ibama concedeu a licença em outubro do ano passado, depois de exigir uma série de medidas de proteção ambiental e de resposta a eventuais acidentes. A Petrobras vê a abertura de novas áreas de exploração como necessária para compensar, no futuro, uma possível queda da produção do pré-sal. Hoje, essa região concentra a maior parte das reservas de petróleo do país.
O Globo