Marco do Saneamento e Manual ANA aceleram adoção de IA na gestão de ativos - QTU Questões do Universo

Marco do Saneamento e Manual ANA aceleram adoção de IA na gestão de ativos

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As concessionárias de saneamento ganharam um prazo e um padrão de governança.
Até 2033, precisam levar água tratada a 99% da população e coleta e tratamento de esgoto a 90%, meta fixada pelo Marco Legal do Saneamento (Lei nº 14.026/2020).
Além disso, têm necessidade de provar ao regulador que cada decisão de investimento foi tecnicamente fundamentada, questão estabelecida pelo Manual da ANA (Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico).
Seis anos após a aprovação do Marco, porém, o setor segue avançando a passos lentos.
Segundo o Instituto Trata Brasil, no ritmo atual de investimentos o país levaria cerca de 170 anos para universalizar o saneamento.
Universalizar, no entanto, não é apenas construir novas redes: é garantir que a infraestrutura existente (estações de tratamento, adutoras, reservatórios e equipamentos eletromecânicos) sustente a expansão sem perder confiabilidade.
Para isso, ainda são necessários cerca de R$ 431 bilhões até 2033, o equivalente a aproximadamente R$ 48 bilhões por ano, conforme o Instituto Trata Brasil.
Em meio ao impasse, o avanço de soluções globais de inteligência artificial (IA) desponta como alternativa para mudar esse cenário.
"A solução para acelerar este processo já existe e está disponível no Brasil: o Asset Investment Planning & Optimization", afirma o presidente da IFS para a América Latina, Falcão Oliveira.
"A IFS comprou em 2024 uma empresa chamada Copperleaf, por cerca de 1 bilhão de dólares, plataforma com uma solução de IA nativa que permite o planejamento e a priorização de investimentos em ativos, ajudando empresas de infraestrutura (saneamento, energia, utilities e transporte) a decidir onde investir o CAPEX primeiro, com base em risco, retorno econômico e obrigações regulatórias", explica.
Para o executivo, o gargalo de muitas concessionárias é a falta de instrumentos que permitam a gestão do ativo e de seu ciclo de vida em tempo real.
"É nesse ponto que a IA ganha relevância: ela permite prever falhas ou localizar vazamentos nos equipamentos, mas tem um uso mais estratégico, que é responder à pergunta que domina os comitês de investimento: qual projeto deve vir primeiro? Atendendo às regras de transparência e compliance exigidas pela legislação", enfatiza o presidente da IFS na América Latina.
O que a inteligência artificial aplicada à gestão de ativos permite
O IFS Copperleaf é uma plataforma de AIP (Asset Investment Planning) com inteligência artificial.
"A IA não é um recurso periférico: é o motor que diferencia a ferramenta na priorização e otimização de investimentos de capital", explica Oliveira.
A plataforma usa otimização alimentada por IA para avaliar um grande número de combinações de projetos e identificar, em minutos, o plano de investimento de maior valor.
Ela integra avaliação estruturada de risco, medição de valor e análise de cenários, voltada para executivos e times financeiros.
A nova geração amplia as capacidades de IA para decisões de investimento mais rápidas, transparentes e defensáveis, incluindo ferramentas de IA no-code e automação de business case.
"Na prática, a IA ajuda a priorizar investimentos comparando milhares de cenários de risco, custo e retorno: decidir entre renovar uma adutora, modernizar uma estação ou expandir a rede.
Além disso, é possível gerir o ciclo de vida de cada ativo, do planejamento à operação, com cadastro, histórico e documentação confiáveis, e antecipar falhas com manutenção preditiva, reduzindo interrupções que afetam receita e concessão", enfatiza Oliveira.
A solução de IA da IFS combina gestão de ativos e planejamento de investimentos
A IFS, fornecedora global de software de gestão de ativos, combina planejamento de investimentos (Copperleaf, de Asset Investment Planning), gestão do ciclo de vida (IFS Cloud EAM, aderente à ISO 55001), operações de campo e IA Industrial numa visão integrada.
A empresa possui mais de 22 mil modelos de análise de risco construídos com dados de três décadas no setor de utilities.
Para o presidente da IFS para a América Latina, o principal valor da tecnologia está em transformar dados em decisão.
"A Inteligência Artificial permite que as informações sejam processadas em tempo real.
Essa capacidade se traduz em escolhas de investimento mais rápidas, documentadas e defensáveis diante do regulador".