Márcio Tuma defende recuperação judicial no Paysandu e descarta SAF: 'Hoje não é tema em pauta'

 

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Minutos antes da vitória bicolor no Re-Pa que decide o Campeonato Paraense, o presidente Márcio Tuma conversou com a reportagem da rádio Liberal+ e, entre outros assuntos, abordou o atual momento administrativo vivido pelo clube. O Paysandu Sport Club passa, pela primeira vez em sua história, por um processo de recuperação judicial, cujo objetivo é permitir que a instituição continue funcionando enquanto reorganiza suas dívidas, evitando a falência e preservando a atividade esportiva.


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Decretada pela Justiça no último dia 20, a medida concede ao clube um prazo de 180 dias, período em que as execuções ficam suspensas, até que seja apresentado um plano detalhado para quitar cerca de R$ 75 milhões em débitos. Para Tuma, a decisão representou mais do que um gol: foi uma vitória fora de campo.


“Para quem entende minimamente de recuperação judicial, sabe que foi um grande acerto. Foi a única alternativa jurídica e legítima para manter a operação do clube em pleno funcionamento, garantindo o pagamento dos débitos pretéritos dentro da nossa capacidade financeira”, explicou o presidente, afirmando não enxergar outra solução viável que não comprometesse o planejamento da temporada.


“Outra solução não seria possível. A recuperação judicial fortalece o Paysandu no mercado e oferece segurança aos atletas que chegam ao clube, já que não podemos mais registrar atrasos. Isso gera confiança para os novos jogadores e para aqueles que ainda irão chegar”, acrescentou.


Do total da dívida, mais de R$ 15 milhões correspondem ao passivo trabalhista. O restante envolve débitos com a União, o Estado e o Município, além de obrigações comuns, sem garantias reais, decorrentes de aportes ou doações — como no caso do ex-presidente Roger Aguilera, que injetou cerca de R$ 12 milhões e já afirmou não ter intenção de cobrar esses valores do clube.


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SAF


Outro tema abordado foi a possibilidade de o clube se transformar em Sociedade Anônima do Futebol (SAF). A discussão ganhou força durante a gestão de Maurício Ettinger, em 2024, avançou na administração de Roger Aguilera e acabou sendo freada por Márcio Tuma, que adota uma postura mais cautelosa sobre o tema.


“Vejo a SAF como um caminho de profissionalização, mas essa profissionalização também pode acontecer fora desse modelo. Neste momento, estamos realizando um movimento interno de aprimoramento da gestão, tornando nossos processos cada vez mais eficientes”, comentou.


De modo geral, o presidente sinalizou que o Papão não deve aderir ao modelo por impulso ou em momento de dificuldade, evitando decisões precipitadas que possam comprometer o valor de um clube centenário, considerado o maior vencedor do futebol da Amazônia.


“A SAF é uma possibilidade futura, caso surja um investidor que reconheça e quantifique o valor do Paysandu, que é muito grande. No entanto, qualquer discussão sobre SAF precisa ocorrer no momento adequado, quando o clube estiver em uma divisão compatível com sua grandeza, na elite do futebol brasileiro e financeiramente estabilizado. Somente nesse cenário poderemos pensar em SAF por opção, e não por necessidade. Hoje, não é um tema que esteja em pauta”, concluiu.