O Ministério Público Eleitoral mudou de posição no processo de registro de candidatura de Márcio Canella (União), ex-prefeito de Belford Roxo que disputa uma vaga de deputado estadual. Em novo parecer, apresentado na segunda-feira, a Procuradoria Regional Eleitoral citou novas provas e pediu o indeferimento do registro por indícios de ligação com milícias. Na última sexta-feira, o MPE também passou a defender o indeferimento da candidatura de Antônio Rueda (União), presidente nacional da sigla e candidato a deputado federal, apontando que os dois teriam se beneficiado da mobilização política de lideranças da Baixada Fluminense ligadas a grupos paramilitares. Quaest: Flávio Bolsonaro reduz vantagem de Lula no Nordeste, enquanto petista avança no Sudeste; veja recortes Mudança nos locais de votação devido à influência do crime cresce no Rio e já afeta um quinto dos municípios do estado Assim como no caso de Rueda, com quem faz dobradinha na campanha no estado, o MPE havia se manifestado inicialmente a favor do registro de Canella, por entender que faltavam provas oficiais para barrá-lo. O TRE-RJ, no entanto, suspendeu o julgamento e determinou a realização de novas diligências urgentes, requisitando provas e informações sigilosas ao Supremo Tribunal Federal (STF), à Polícia Federal, às zonas eleitorais e a órgãos de inteligência para julgar o caso. Ligação com milícia e fuzil apreendido No novo parecer, a procuradoria eleitoral aponta três eixos para sustentar o pedido de indeferimento. O primeiro é a relação político-administrativa e eleitoral de Canella com lideranças que, segundo o órgão, têm ligação com milícias na Baixada Fluminense. Entre os nomes citados estão Fábio Augusto de Oliveira Brasil, o Fabinho Varandão, e Luiz Eduardo Santos de Araújo, cujas candidaturas foram indeferidas pelo TSE em 2024 por envolvimento com milícias armadas. Entre as novas provas está uma resposta oficial da Prefeitura de Belford Roxo confirmando que os dois ocuparam secretarias municipais de primeiro escalão na administração de Canella entre janeiro e setembro de 2025. A PRE também destacou que, mesmo após deixarem os cargos, ambos continuaram atuando na campanha de Canella em 2026. Quer acompanhar de perto o noticiário das eleições? Participe da comunidade do GLOBO no WhatsApp O parecer cita, como exemplo, publicações de Varandão em apoio ao candidato e material de campanha produzido por Eduardo Araújo. Varandão publicou peças com os slogans “#Fechado com Canella” e “#Tô com Canella” e chamou o ex-prefeito de “meu grande amigo e líder”. Já Eduardo produziu e distribuiu panfletos com a foto e o número de Canella sob o bordão “nossos deputados”. Outro ponto retomado pela procuradoria é a situação de Canella no inquérito 5.020/DF, que tramita no STF sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes, o qual passou a ter informações sobre o conteúdo, que antes dizia desconhecer. O ex-prefeito é investigado formalmente no caso, que apura organizações criminosas, extorsão e lavagem de dinheiro, e chegou a ser alvo de medidas cautelares, como busca e apreensão, afastamento de sigilos e sequestro de bens. A Procuradoria também considerou a apreensão, durante a sexta fase da Operação Unha e Carne, em julho, de um fuzil Colt calibre 5,56, de uso restrito e pertencente ao acervo da Polícia Militar, encontrado em um veículo blindado de Canella. O episódio resultou na prisão em flagrante do ex-prefeito por posse ilegal de arma de uso restrito. O ex-prefeito de Berlford Roxo e candidato ao Senado Márcio Canella; e o fuzil apreendido no carro dele Ana Paula Jaume / CBN; e divulgação PF Nesta terça-feira, a investigação teve um novo desdobramento. Em mais uma fase da Operação Unha e Carne, a Polícia Federal prendeu o vereador do Rio Jorge Eduardo Barreto de Andrade Filho, o Jorge Canella (União), coronel da Polícia Militar e aliado político de Márcio Canella. Embora usem o mesmo sobrenome, eles não têm parentesco, porém mantêm mantêm uma relação política de longa data. Durante as buscas na Barra da Tijuca, foram apreendidos dois fuzis e uma submetralhadora de uso restrito. O vereador Joge Canella (União), ao lado do ex-prefeito Márcio Canella: não são parentes, mas aliados político Reprodução/Instagram Do Senado à Alerj Canella chegou à eleição deste ano inicialmente como pré-candidato ao Senado. A pré-candidatura, porém, foi abalada pela prisão em flagrante por posse ilegal do fuzil em julho. Em agosto, ele anunciou que desistiria da disputa pelo Senado e tentaria um novo mandato de deputado estadual na Alerj.
Segundo Canella, a decisão foi tomada após reflexão com seu grupo político. Ao anunciar a mudança, afirmou que Belford Roxo e a Baixada Fluminense precisavam de parlamentares dispostos a combater a criminalidade.
O Globo