A Fangchengbao, marca de veículos elétricos voltada para o segmento off-road da BYD, triplicou suas vendas no período de janeiro a julho deste ano.
Esse desempenho alimenta a expectativa de um avanço significativo com o lançamento do primeiro sedã da marca, em um momento em que o crescimento geral da montadora chinesa começa a desacelerar.
A BYD revelou o interior de um novo modelo de sedã elétrico — o Formula S — e também a versão off-road Formula S GT durante o Salão do Automóvel de Chengdu de 2026, evento que vai até domingo.
A pré-venda começou na última quinta-feira, com preços variando entre 230 mil e 280 mil yuans (US$ 34 mil a US$ 42 mil).
Ambos os modelos incorporam sistemas de suspensão que respondem rapidamente a impactos e vibrações da pista.
Cada veículo possui autonomia de 900 quilômetros e conta com uma nova bateria capaz de ser totalmente carregada em nove minutos.
Os SUVs (veículos utilitários esportivos) representaram 55% das vendas de automóveis no varejo chinês entre janeiro e julho, enquanto os sedãs corresponderam a 40%, segundo a associação da indústria de veículos de passeio do país.
A participação dos SUVs cresce a cada ano, mas os sedãs continuam populares, especialmente entre consumidores que buscam um carro para o deslocamento diário e a condução urbana.
A marca Fangchengbao tem como pilar a exclusividade.
Veículos off-road geralmente apresentam um visual robusto e de linhas quadradas, mas os carros da Fangchengbao foram projetados para se integrar bem a ambientes urbanos.
Eles são populares entre motoristas mais jovens.
"Disseram-nos que veículos elétricos off-road não teriam futuro", afirmou Xiong Tianbo, gerente-geral da marca, à imprensa chinesa.
Em 2023, a marca lançou seu primeiro modelo, o Bao 5, combinando as vantagens da propulsão elétrica com um sistema de suspensão controlado eletronicamente.
A BYD trabalha para destacar as diferenças entre esses modelos off-road de nova energia — equipados com tecnologias avançadas — e suas outras marcas voltadas para o mercado de massa.
"Não existe um sedã capaz de atender às necessidades de todos os consumidores", disse Xiong.
"Certamente haverá uma grande demanda por carros mais exclusivos, que ofereçam alto desempenho e sejam divertidos de dirigir." A Fangchengbao vendeu 200.687 veículos entre janeiro e julho, aproximando-se do volume de vendas da Honda na China, que ficou em cerca de 230 mil unidades.
O crescimento das vendas da Fangchengbao é o maior entre as quatro marcas da BYD, com sua participação no total de vendas da montadora subindo 6 pontos percentuais para atingir 9%.
No entanto, o caminho está se tornando mais desafiador para a líder chinesa em veículos elétricos.
As vendas de veículos novos das linhas Ocean e Dynasty da BYD — que representam 90% das vendas globais de veículos novos da empresa — caíram 16% no período de janeiro a julho, totalizando 1,89 milhão de unidades.
Embora as vendas fora da China tenham crescido, no mercado interno foram prejudicadas pela intensa concorrência e pela demanda em declínio.
O preço médio de venda da Fangchengbao foi de 202 mil yuans no primeiro semestre deste ano, segundo a provedora de dados automotivos LandRoads, valor bem superior à média de 111 mil yuans das linhas Ocean e Dynasty.
A marca "tornou-se uma peça-chave na estratégia da BYD de avançar no mercado de veículos na faixa de 200 mil yuans", afirmou um analista da empresa.
A BYD não é a única montadora chinesa a adotar uma estratégia multimarca.
A startup de veículos elétricos Nio lançou seu primeiro modelo compacto sob a nova marca Firefly em abril de 2025.
Somando essa nova marca à sua marca premium Nio e à Onvo, voltada para famílias, a empresa agora opera três marcas, buscando capturar a demanda potencial ao abranger uma faixa de preços mais ampla.
