Máquinas no pódio: Robôs humanoides ultrapassam humanos e quebram recorde mundial em meia maratona em Pequim

 

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Dezenas de robôs humanoides de fabricação chinesa chegaram à frente de corredores humanos em uma corrida de meia maratona em Pequim, neste domingo, depois de terem ficado muito atrás um ano antes.

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A meia maratona de Yizhuang teve de um lado da pista, robôs e, de outro, humanos: cada grupo corria por em uma raia paralela, a fim de evitar qualquer colisão.

Além de competir, os robôs bateram ainda o recorde mundial humano de meia maratona, ilustrando os espetaculares avanços tecnológicos da China no setor.

Um robô corre na segunda Meia Maratona Beijing E-Town e Meia Maratona Humanoides em Pequim

Pedro Pardo / AFP

Os espectadores se aglomeravam ao longo do percurso para ver correr as máquinas, algumas muito velozes e complexas, outras com medidas e prestações muito mais rudimentares.

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O robô campeão, equipado com um sistema de navegação autônoma e representante da marca chinesa de smartphones Honor, completou os cerca de 21 quilômetros em 50 minutos e 26 segundos — a uma média de cerca de 25 km/h —, segundo a televisão pública CCTV.

O tempo do andróide foi mais rápido que o primeiro atleta humano, mas sobretudo mais rápido que o recorde mundial masculino de meia maratona (57 minutos e 20 segundos), nas mãos do ugandense Jacob Kiplimo.

Atrás das grades de segurança, Han Chenyu, uma estudante de 25 anos com boné e óculos de sol, mal teve tempo de tirar o celular quando um robô já passou. A jovem se declara entusiasmada com o evento e com os avanços tecnológicos.

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"Embora, como futura trabalhadora, também me preocupe bastante. Porque se a tecnologia avançar rápido demais, pode ter repercussões no emprego", afirma, aludindo à substituição de certas profissões pela Inteligência Artificial (IA) e pelos robôs.

Os progressos mostrados nesta meia maratona são espetaculares em comparação com a edição de 2025.

Na ocasião, o robô vencedor impôs-se com um tempo quase três vezes superior (2 horas, 40 minutos e 42 segundos) e numerosas quedas salpicaram a prova.

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A passada das máquinas foi muito mais fluida este ano e o número de equipes participantes passou de duas dezenas para mais de uma centena, um sinal do crescente entusiasmo pelo setor, segundo os organizadores.

Nos últimos anos, os robôs humanoides se tornaram uma visão habitual na China na mídia e nos espaços públicos.

"Acredito que daqui a três ou cinco anos, eles farão parte da nossa vida cotidiana" para as "tarefas domésticas, a companhia de idosos" e até mesmo para "os trabalhos perigosos, como o de bombeiro", declara Xie Lei, um espectador de 41 anos que compareceu com sua família.

Esta meia maratona aspira a popularizar essas tecnologias entre o grande público e a estimular a inovação.

Prova da vitalidade do setor é que os investimentos na China em robótica e em IA especializada nesse domínio alcançaram, no final de 2025, 73,5 bilhões de yuans (9,4 bilhões de euros, 11,066 bilhões de dólares), segundo um estudo de um órgão oficial.

"Desde há milhares de anos, os humanos estão no topo. Mas agora, olhem: os robôs, no que diz respeito à navegação autônoma, pelo menos numa prova esportiva, começam a nos superar", sorri Xie Lei.

"Por um lado, isso entristece um pouco a humanidade. Mas a tecnologia, sobretudo nestes últimos anos, também nos abre tantos novos horizontes", conclui.