Mapa do Crime em SP revela mudança na forma como criminoso busca celular, diz um dos idealizadores

 

Fonte:


Quais são as ruas mais perigosas de São Paulo? O Jornal Globo lançou neste domingo (26) o Mapa do Crime em São Paulo, uma ferramenta que permite entender a segurança nas diversas regiões da cidade entre os anos de 2023 e 2025.

Por meio de dados detalhados de roubos, furtos, e outros crimes que ocorrem na capital paulista, esse mapa oferece um filtro em que é possível verificar as ocorrências por rua. Com a ferramenta, o usuário pode checar roubos de celulares na rua onde mora ou no caminho do trabalho, por exemplo.

Com base em 330 mil boletins de ocorrência, o projeto utiliza informações da Secretaria de Segurança Pública, e revela uma mudança no padrão dos roubos de celulares em São Paulo, com um aumento significativo nos distritos de: Capão Redondo, Jardim Herculano e Parque Santo Antônio, na Zona Sul.

De acordo com o Mapa do Crime, em 2025, esses locais registraram 4.852 roubos, 14% a mais que no ano anterior, impulsionados pela procura por iPhones. Enquanto isso, o Centro expandido teve uma queda nos roubos e a periferia tornou-se o novo epicentro.

Guilherme Queiroz, repórter do Jornal O Globo que foi um dos idealizadores do Mapa do Crime em São Paulo, foi entrevistado pelo CBN São Paulo trazendo destaques do projeto e análises sobre os dados.

Para ele, o Mapa revela uma mudança na forma como o criminoso busca o celular hoje na cidade de São Paulo. O repórter destaca que, hoje, a grande preocupação do paulistano é o "roubo quebra-vidro", aquele em que a vítima está parada no trânsito e o criminoso usa algum artefato para quebrar o seu vidro e tomar o seu celular rapidamente.

"Isso causou uma mudança também na forma como o crime se concentra na cidade. A gente passou a entender, com os dados que a gente levantou para o mapa, que os crimes se concentram, por exemplo, na Avenida do Estado, em um intervalo de três horas, entre 18h e 21h, que é aquele momento em que a Avenida do Estado, assim como outras vias de grande fluxo na cidade, estão congestionadas, que você tem um trânsito parado, e os criminosos se aproveitam desse momento para tentar pegar o celular."

Queiroz também explica que o aparelho mais visado atualmente é o iPhone, e o aumento de crimes na Zona Sul "é muito puxado por esse modelo específico de celular".

"Eles estão muito mais de olho no iPhone e por diversos motivos, tanto pelo valor de revenda que eles conseguem na hora de repassar esse telefone, como também pelo perfil socioeconômico de quem tem um iPhone comparado a outras marcas. Há uma perspectiva de se conseguir retirar mais dinheiro das contas bancárias."

Os dados utilizados para o Mapa são públícos e estão disponíveis no site da Secretaria de Segurança. Guilherme Queiroz adirma que existe uma base de dados muito interessante em São Paulo em comparação a outros estados brasileiros, e que acredita que essa é uma vantagem para os jornalistas e "também deveria ser uma vantagem pra segurança pública porque a gente consegue entender num detalhe o que acontece na cidade."

"Esse trabalho que a gente fez, que foram quatro meses de apuração, de consolidação de dados, com o Rafael Soares coordenando o projeto. Eu cuidei da parte de dados e também, junto das reportagens com ele. A gente teve a ajuda de várias pessoas dentro do jornal. É um trabalho de, olha, eu diria que mais de 10 pessoas."

Ouça a entrevista completa