Mapa do crime: casos de roubo se concentram a partir das 19h em SP, apontam dados

 

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Os roubos de celular, veículos e de rua ocorrem com maior incidência a partir das 19h em São Paulo, segundo dados da ferramenta interativa Mapa do Crime, do GLOBO. O levantamento, que destaca dados de 2023, 2024 e 2025, aponta que o pico destes crimes é entre 20h e 21h. Já durante o horário comercial (8h - 17h), o número de ocorrências mantém-se estável.

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Roubo de celular

A dinâmica do roubo de celulares se distribui ao longo do dia útil de São Paulo. O primeiro pico surge ainda cedo, por volta das cinco da manhã, com mais de 2.500 casos registrados neste horário. Ao longo da tarde, os números caem pela metade, com um enfraquecimento da onda de roubos.

O auge diário chega no período da noite, iniciado por volta das 19h, com quase 4.000 casos. Os roubos de celulares seguem intensos e atingem o nível máximo às 21h, com mais de 4.500 registros de ocorrências em toda a cidade. A intensidade começa a reduzir a partir da 00h, com menos de 3400 casos registrados em média.

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Os três anos analisados pelos dados do Mapa do Crime de São Paulo possuem uma curva de evolução, ao passar das horas, semelhante, com a parte da noite sendo a mais intensa. No primeiro ano de análise, porém, há uma diferença de uma hora no pico máximo de roubos. Em 2023, os roubos atingiam seu "auge" às 20h, diferentemente dos anos seguintes que seguiram com o horário das nove.

Roubo de veículos

O pico de roubos de veículos — categoria que reúne carros e motos — na capital no último ano foi registrado às 21h, faixa em que houve 956 ocorrências. Em seguida, aparecem 20h, com 904 casos, e 22h, com 850 registros. O ranking dos horários mais críticos se completa com 19h, quando foram contabilizadas 692 ocorrências, e 23h, com 637.

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Na outra ponta, a madrugada segue como o período de menor incidência há três anos consecutivos. Entre 2h e 4h está a faixa com menos registros, com o menor patamar observado às 3h, horário em que foram anotadas 142 ocorrências.

Nos dois anos anteriores, 2024 e 2023, o comportamento foi semelhante, embora com uma leve mudança na liderança. Em ambos, o maior volume de casos ocorreu às 20h, seguido por 21h, 22h, 19h e 23h.

Roubo de rua

A distribuição horária das ocorrências de roubos de rua em 2025 mostra que o período mais crítico segue concentrado no início da noite. O pico foi registrado às 20h, com 8.544 casos, seguido por 21h, com 8.082 registros, 22h, com 7.641, 19h, com 7.298 ocorrências, e 23h, com 6.337 casos. Na madrugada, entre 0h e 6h, foram contabilizadas 20.692 ocorrências. O volume recua nas primeiras horas, atinge o menor patamar às 2h, com 2.103 ocorrências, e volta a crescer a partir das 4h, com um salto mais expressivo às 5h, quando chega a 5.651 registros.

O padrão se repete nos anos anteriores. Em 2024, o pico também ocorreu às 20h, com 11.232 registros, seguido por 21h, 22h, 19h e 23h. Já em 2023, a liderança permaneceu no mesmo horário, com 15.622 casos, e a faixa entre 19h e 22h concentrou novamente o maior volume diário. Apesar da queda gradual no número absoluto de ocorrências ao longo dos três anos, a dinâmica permanece estável: maior pressão no período noturno, baixa incidência entre 1h e 3h e retomada do crescimento a partir das 4h.

O que é o Mapa do Crime de São Paulo?

O Mapa do Crime de São Paulo foi produzido a partir de microdados de 330 mil boletins de ocorrência disponibilizados pela Secretaria da Segurança Pública (SSP) do estado. Ao contrário do Rio, São Paulo torna públicas as coordenadas e os nomes das ruas das ocorrências. O levantamento cobre roubos ocorridos entre 2023 e 2025. Diferentemente do governo paulista, O GLOBO usou a data do fato — e não a do registro na polícia. Assim, um roubo ocorrido em 31 de dezembro e registrado no dia seguinte é contabilizado no ano correto. Erros de grafia e inconsistências nos dados foram corrigidos com auxílio de inteligência artificial.

Disponível no site do jornal, com acesso pelo computador, celular ou tablet, a ferramenta permite navegar por uma compilação inédita de dados de roubos na capital, com filtros sobre tipos, marcas e cores dos bens subtraídos.

Para usá-la, busque o endereço da sua casa, do trabalho ou de qualquer outro ponto da cidade e escolha um dos quatro tipos de crime disponíveis: roubo de celular, de carro, de moto e de rua — esse último inclui carteiras, colares, alianças e relógios levados de pedestres. Cada ponto no mapa corresponde a uma ocorrência e, ao ser clicado, mostra detalhes do crime e dados sobre a rua: total de casos em 2025, série histórica dos últimos três anos, bens mais roubados ali e um mapa de calor com horários e dias de maior incidência. Também é possível refinar as buscas por tipo, marca e cor do bem roubado — para descobrir, por exemplo, quantos HB20 brancos foram roubados em determinada via — ou navegar por um ranking de ruas.

*Estagiários sob supervisão de Rafael Soares