Mão santa e franco-atiradora: Relembre recordes internacionais de Oscar Schmidt no arremesso de três pontos

 

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A morte de Oscar Schmidt, aos 68 anos, nesta sexta-feira, encerra a trajetória de um dos maiores arremessadores da história do basquete mundial. Conhecido como “Mão Santa”, o ex-ala construiu uma carreira marcada por feitos impressionantes — especialmente nas bolas de três pontos, fundamento que dominava como poucos em uma época em que ainda não era prioridade tática.

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Um dos momentos mais emblemáticos ocorreu no concurso de três pontos do All-Star da Liga Italiana, em 1993. Na final, contra o sérvio Sasha Djordjevic, o brasileiro protagonizou uma atuação quase perfeita ao converter 22 de 25 arremessos, consolidando sua reputação internacional como um dos maiores especialistas da longa distância.

Oscar Schmidt, lenda do basquete brasileiro, morreu aos 68 anos

Michel Filho

Na Espanha, defendendo o Forum Valladolid, Oscar também deixou sua marca na Liga ACB. Na temporada 1993-94, acertou 11 bolas de três em uma única partida contra o CB Murcia (11/19), estabelecendo um recorde que resistiu por duas décadas.

A marca só foi superada 20 anos depois, quando Jacob Pullen converteu 12 arremessos, curiosamente também diante do Valladolid.

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A precisão nos arremessos era fruto de dedicação extrema aos treinos, como o próprio jogador destacou em entrevista ao “Fantástico”, em 2016:

— Quanto mais eu treino, mais minha mão é santa. Minha carreira foi assim. Muito treino, muito jogo e minha esposa ao meu lado sempre, em qualquer ocasião.

Oscar Schmidt e Michael Jordan aparecem em destaque no confronto entre Brasil e Estados Unidos, em Barcelona-1992

Anibal Philot / Arquivo O Globo

Além dos recordes, Oscar construiu números históricos. Até 2024, era o maior pontuador da história do basquete, com 49.737 pontos em 1.615 jogos, marca posteriormente superada por LeBron James. Pela seleção brasileira, acumulou 7.693 pontos em 326 partidas e segue como o maior cestinha da história das Olimpíadas, com 1.093 pontos.

O auge de sua carreira pela seleção veio nos Jogos Pan-Americanos de 1987, em Indianápolis, quando marcou 46 pontos na vitória histórica sobre os Estados Unidos por 120 a 115 — resultado que marcou época e evidenciou a força dos arremessos de longa distância em um período em que a linha de três ainda engatinhava no cenário internacional.

— É uma emoção muito forte, que você não consegue segurar. Eu vejo (o vídeo da vitória) todos os dias. Faço palestras da minha carreira, tenho que ver esse jogo — revelou em entrevista à TV Globo, em 2017.

Mesmo sem atuar na NBA, onde foi selecionado pelo New Jersey Nets em 1984, Oscar preferiu manter o vínculo com a seleção brasileira, decisão que moldou sua trajetória e ampliou seu impacto no basquete mundial. Sua carreira o levou aos Halls da Fama da Fiba e dos Estados Unidos, reconhecimento raro para um jogador que nunca disputou a liga americana.

Com uma combinação única de talento, disciplina e precisão, Oscar Schmidt não apenas acumulou recordes — ele redefiniu o papel do arremesso de três pontos no basquete e deixou um legado eterno como um dos maiores “franco-atiradores” da história do esporte.