Aos 106 anos, o último combatente da Segunda Guerra Mundial ainda vivo em Santa Catarina precisou de atendimento de urgência no Hospital Cirúrgico de Camboriú (HCC), na noite de segunda-feira (2). O 3º sargento do Exército Hugo Pedro Felisbino, conhecido como Vô Hugo, recebeu alta na madrugada de terça-feira (3) e, já em casa, gravou um vídeo para agradecer a equipe que o atendeu.
Morador do bairro Rio Pequeno, em Camboriú, o veterano da Força Expedicionária Brasileira (FEB) passou o dia com fortes dores na região da bexiga. A família chamou o Corpo de Bombeiros Militar, que levou o Vô Hugo ao hospital.
No HCC, a equipe identificou uma obstrução no canal urinário. Com um procedimento e uma sonda, os profissionais restabeleceram a passagem, e o veterano eliminou quase dois litros de urina, o que aliviou o desconforto.
“Não doeu nada. Foi tudo de primeira, talvez em outros lugares eu não seria tão bem atendido.
Elas foram uns anjos. E agradeço ao Paulo Canhoto, diretor da Junta Militar, que me acompanhou também”, contou o Vô Hugo.
O veterano também falou da fé e da alegria de voltar para casa, ao lado da esposa, Olíndia. “Agora estou em casa com o meu amor.
Se não fosse a mão de Deus, eu não estaria aqui. Creio que Ele usou a mão das enfermeiras, que, mesmo com uma sonda grossa, fizeram tudo de maneira que não doeu nada”, afirmou.
Na chegada, a esposa, a enteada Elifelete e o genro Calinho prepararam um mingau de aveia para o Vô Hugo antes de ele ir descansar. Na terça-feira (3), o veterano seguiria para o Hospital Militar do Exército, em Joinville, para exames complementares.
O secretário de Saúde de Camboriú, Henrique Manoel Alves, e o coordenador do Pronto-Socorro, Lucas Moraes, acompanharam o atendimento. O Hospital Cirúrgico de Camboriú voltou recentemente à gestão da prefeitura.
Hugo Pedro Felisbino nasceu em 30 de dezembro de 1919, em Tijucas. Ele entrou para o Exército Brasileiro em 1941 e, em 1944, embarcou para a Itália com a FEB, que lutou ao lado dos países aliados na Segunda Guerra Mundial.
O então sargento integrou o 6º Regimento de Infantaria. Em 4 de janeiro de 1945, Hugo foi ferido por estilhaços de granada durante a Batalha de Monte Castello.
Depois de cerca de 30 dias de recuperação no hospital, voltou à frente de combate. Pela participação na guerra, o veterano recebeu a Medalha Sangue do Brasil.
A trajetória dele está no livro “Memórias de um Centenário da Força Expedicionária Brasileira”, da escritora Keila Borinelli. Lúcido aos 106 anos, o Vô Hugo tem como um dos maiores prazeres contar as histórias da guerra.
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