Estudantes e seus apoiadores voltaram a ocupar as ruas de cidades francesas nesta quinta-feira, em mais um dia de protestos contra o que consideram falhas no sistema educacional do país, como falta de professores e infraestrutura adequada. Aulas foram suspensas ou canceladas em 375 escolas durante a manhã, enquanto o governo do presidente Emmanuel Macron convocou alguns líderes estudantis para uma reunião nesta tarde, a fim de acalmar a inquietação social. Após adolescente perder a mão: França suspende uso de granadas de efeito moral em protestos estudantis Quer morar fora? Veja guia interativo do GLOBO que reúne informações sobre 36 países Quer ler mais notícias de Mundo? Acompanhe o canal no WhatsApp Representantes das organizações USL, Renouveau Lycéen e Lycéens! serão recebidos pelo ministro da Educação Nacional, Édouard Geffray, e o ministro do Ensino Superior, Philippe Baptiste, de acordo com anúncio do gabinete do premier francês, Sébastien Lecornu. Horas antes da reunião, Geffray anunciou que apresentaria um "plano de emergência" nas "próximas horas ou dias" sobre a demanda dos alunos quanto a professores substitutos. Também garantiu que não haveria cortes de vagas nas escolas.
Embora a movimentação nesta quinta-feira seja menor do que no começo da semana — estimativas apontam que entre 250 mil e 450 mil pessoas estiveram presentes nos atos de terça-feira —, há entre as autoridades uma preocupação de que o movimento, focado nas reivindicações dos estudantes até o momento, estenda-se para outras áreas, criando algo semelhante ao movimento dos "coletes amarelos", que afrontou as autoridades do país a partir de 2018. Sindicatos se uniram à movimentação massiva da terça, e partidos de esquerda, como o França Insubmissa (LFI, na sigla em francês), têm se articulado em torno da insatisfação com o governo Macron. Representantes do partido participaram de atos nesta quinta, bem como representantes sindicais. — Os 'boomers' dizem que os jovens estão sempre no celular, no TikTok, mas, quando eles levantam a cabeça e mostram que têm cérebro e demandas claras, a única resposta que encontram é a repressão — disse Peter Gurruchaga, bombeiro de 45 anos e integrante de um dos maiores sindicatos da França, que compareceu a um ato em Cergy, também para expressar preocupação com as condições de trabalho de sua categoria. Manifestantes carregam cartazes durante protesto em escola secundária em Montpellier, no sul da França Gabriel Bouys/AFP Greves, barricadas e turbulência fiscal: Protestos revelam crise ampla na França a poucos meses das eleições presidenciais Por volta do meio-dia (7h em Brasília), o número de escolas fechadas já tinha diminuído para cerca de 150 — uma queda considerável em comparação às 900 na terça. Embora os protestos tenham atingido escolas em todo o país, eles têm sido particularmente intensos em Seine-Saint-Denis, um subúrbio ao norte de Paris que registra níveis excepcionalmente altos de desemprego, pobreza, imigração e falta de professores. Milhares de pessoas também marcharam em Lille, Caen, Nantes, Lyon e Marselha, segundo relatos da imprensa francesa. Em Paris, a polícia avançou contra estudantes que bloqueavam uma via em frente a uma escola antes de desmontar a barricada deles. Alguns protestos descambaram para a violência, e a polícia foi acusada de reagir com força desproporcional. Cerca de 6,6 mil pessoas foram detidas desde o início dos protestos, segundo o governo, e aproximadamente 760 policiais e mais de 300 estudantes e funcionários de escolas, ficaram feridos. (Com AFP e NYT)
O Globo