Manifestantes pró-Bolsonaro deslocam foco no STF para liberdade do ex-presidente
O ato pró-Bolsonaro, organizado em várias capitais, teve mudança de foco. Nos últimos dias, a intenção era fazer pressão aos pedidos de impeachment dos ministros Dias Toffoli e Alexandre do Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). No entanto, avaliação interna mostrou uma divisão de entendimento dos bolsonaristas.
Uma ala dos oposicionistas ao governo entende que a pressão pelo impedimento de Toffoli, que saiu da relatoria do caso Master, pode ajudar o presidente Lula na campanha eleitoral. A avaliação desse grupo é que, com a cadeira de Toffoli vaga, Lula poderia indicar o ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSD), o que seria um atrativo de novos aliados do centrão para a campanha petista, principalmente em Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral do país que, em geral, decide eleição.
Com isso, o foco foi direcionado para os pedidos de liberdade ao ex-presidente Jair Bolsonaro e aos presos do 8 de janeiro. O ex-deputado Eduardo Bolsonaro foi nesta linha:
"Se você puder, compareça, faça valer a sua voz, me representa fisicamente nesse momento em que eu não posso estar lá. É por mim, é pelos perseguidos políticos, é pelo Jair Bolsonaro, pelo Anderson Torres, pela Adalgilza, por todo mundo que está preso nessa situação. 1º de março, por liberdade, Brasil acima de tudo, Deus acima de todos", afirmou.
O governador de Goiás, Ronaldo Caiado, que se filiou ao PSD para tentar concorrer à presidência, afirmou que "o meu primeiro ato será a anistia geral e irrestrita em primeiro de janeiro".
Entre as lideranças do Congresso, o líder do PL Sóstenes Cavalcante (RJ) decidiu entoar "fora Moraes", mas não citou Toffoli. E falou novamente em "anistia já", afirmando que "estavam lá por Carla Zambelli, Eduardo Bolsonaro e todos os exilados políticos".
Já o deputado Guilherme Derrite, ex-secretário da Segurança de São Paulo e pré-candidato ao Senado, preferiu falar do PL Antifacção nas redes.
"Só nessa semana, duas grandes notícias. Primeiro, que preso perdeu direito ao voto por conta do PN de facção, nossa relatoria aprovada na Câmara dos Deputados. E segundo, essa atitude do governo de Minas Gerais, num momento de grande dificuldade e calamidade pública, colocou os presos que estavam lá no sistema penal para realizar esse trabalho, tirando as lamas, ajudando o Estado de Minas, as cidades e as famílias que mais necessitam. Parabéns ao governo de Minas Gerais por essa atitude", disse em referência à tragédia climática em cidades como Juiz de Fora.
Entre governistas, o deputado Rogério Correia (PT-MG) falou em protesto flopado em Belo Horizonte. "Ninguém aguenta mais ódio, demagogia e descaso com o povo. Enquanto Lula socorre as vítimas das enchentes, os extremistas fazem ato para apoiar a guerra dos EUA e pedir anistia para golpista, dormindo quentinho na Papuda", escreveu nas redes.
A deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ) falou que os atos estão "cada dia mais esvaziados, com perda de apoio e sustentação de argumentos após condenação de Bolsonaro. Um vexame", afirmou.
O vice-líder da Federação PT-PCdoB-PV na Câmara, Nilto Tatto (PT-SP), disse que os ataques a Moraes são cortina de fumaça para a tentativa de golpe de Estado.
"Eles querem atacar o STF da mesma forma como atacam também o próprio funcionamento de todas as instituições e atacam a própria democracia. Então é um movimento que tenta capturar essa mensagem, podemos dizer assim, simplista e irresponsável de querer atacar as instituições, dizendo que é elas que perseguem as pessoas".
