Manifestação no Dia da Mulher em BH tem protestos contra feminicídio e críticas à decisão da Justiça
Milhares de manifestantes se reuniram na Praça Raul Soares, no centro de Belo Horizonte, neste domingo (8), em uma ato que marca o Dia Internacional da Mulher. A manifestação reuniu integrantes de diferentes movimentos sociais, coletivos feministas, educadoras e apoiadores da causa. Ao todo, cerca de 60 movimentos participaram da mobilização.
Durante o manifesto, as participantes levaram cartazes e proferiram falas em defesa dos direitos das mulheres, com destaque para o combate ao feminicídio e à violência de gênero. Também houve críticas a uma decisão recente do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, que absolveu um homem de 35 anos que manteve um relacionamento com uma menina de 12 anos, no Triângulo Mineiro.
É o que explica uma das coordenadoras do ato, a economista Dirlene Marques: "É uma conjuntura em que a gente diz que a barbárie já tomou conta da nossa sociedade e do mundo. Nós assumimos algumas bandeiras importantes. A primeira é o combate ao feminicídio. A segunda é o ‘Fora Trump’, porque não dá mais para a gente assistir ao Trump interferindo na América Latina e no mundo inteiro de forma impune. Também nos posicionamos contra o genocídio do povo palestino. E lembramos de uma situação recente que nos indignou muito: o caso de uma menina de 12 anos em que o tribunal considerou que não houve estupro cometido por um homem de 35 anos."
Manifestação no Dia da Mulher em Belo Horizonte
Anna Nunes/CBN
A educadora de museus, Danira Silva, participou do ato ao lado do companheiro e do filho. Danira contou que levar o menino desde cedo para a manifestação é uma forma de ensinar: "A gente está aqui em família hoje porque acha importante passar para os nossos filhos os nossos valores, como o que é equidade, especialmente a equidade de gênero (...). Eu já tinha o hábito de participar dos atos antes de ter um filho e continuo vindo, defendendo a mim mesma e também as outras mulheres do Brasil e do mundo."
"Queremos criar um menino para um mundo em que as mulheres estejam protegidas, assim como as crianças"
Além das pautas nacionais, o ato também trouxe discussões sobre temas internacionais. Alguns participantes e apoiadores levaram cartazes chamando atenção para os impactos de conflitos armados sobre mulheres e crianças pelo mundo. Entre eles, estava o técnico em eletrônica, Naziel Kalil.
"E hoje estamos aqui trazendo algumas figuras que muitas vezes são invisibilizadas pela mídia. Em muitos casos, acabam sendo apagadas histórias de crianças, artistas e pessoas comuns que não estão envolvidas diretamente nos conflitos, mas que acabam sendo vítimas deles. Aqui lembramos, por exemplo, de Ekenha Hamad, que era uma criança e influenciadora; Massen Al-Kateb, artista e ilustradora; Fátima Hassona, cineasta palestina; e Ola Al-Dado, jornalista palestina. São algumas das pessoas que estamos lembrando hoje aqui."
Manifestação no Dia da Mulher em Belo Horizonte
Anna Nunes/CBN
O ato em Belo Horizonte faz parte das mobilizações do Dia Internacional da Mulher em todo o país. A data, celebrada em 8 de março, surgiu a partir de movimentos de mulheres trabalhadoras no início do século 20, que reivindicavam melhores condições de trabalho, direitos políticos e igualdade.
