Manifestação esvaziada de bolsonaristas no Rio tem discurso de pré-candidato ao governo, críticas a Lula e ao STF

 

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Em ato esvaziado, manifestantes bolsonaristas se reuniram na Praia de Copacabana, na manhã deste domingo, para protestar contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e os ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF). Intitulado "Acorda Brasil", o ato foi convocado nacionalmente pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), que comparecerá no protesto marcado para a Avenida Paulista, em São Paulo.

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No Rio de Janeiro, o ato contou com a participação de nomes como os deputados federais do PL Carlos Jordy, Sóstenes Cavalcante, Altineu Côrtes, General Pazuello e o senador Carlos Portinho. Além dos parlamentares, quem também discursou foi o secretário estadual das cidades, Douglas Ruas (PL), escolhido pelo senador Flávio Bolsonaro (PL) como pré-candidato ao governo do Rio.

Douglas Ruas discursou durante manifestação bolsonarista em Copacabana

Márcia Foletto

Em seu discurso, Ruas atacou seu provável rival nas eleições deste ano, o prefeito do Rio Eduardo Paes (PSD). Em tom de campanha, o pré-candidato ressaltou que o mandatário carioca é aliado de Lula, e lembrou de sua participação no desfile da escola Acadêmicos de Niterói.

— 2026 é o ano da virada, do Brasil acordar. Está muito claro o que temos do outro lado. O presidente que diz que traficante é vítima, não vamos admitir isso. Ele esteve aqui, e ao lado do Eduardo, sambou, riu e aplaudiu o maior ataque já visto à família brasileira. Nós defendemos a família, eles defendem os vagabundos. Isso tem que ficar claro — declarou Ruas.

No trio elétrico, neste domingo, também houve ironias ao rebaixamento da escola de samba, criticada pela ala que retratou famílias conservadoras em "latas de conserva". O enredo em homenagem ao presidente Lula virou alvo de ações da oposição no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por suposta campanha antecipada.

— Vamos enfrentar o crime organizado com toda a força do estado, e não vamos permitir que zombem, sambem e aplaudam um ataque à família. A família é nosso projeto, a base das pessoa de bem. Vamos juntos rumo a vitória — completou Ruas.

Em seguida, o deputado estadual Rodrigo Amorim (União), presidente da Comissão de Constituição e Justiça da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), endossou o discurso de Ruas e chamou Paes de "o soldado de Lula"

— O deputado estadual Douglas Ruas tem uma missão importante de enfrentar o PT no Rio de Janeiro, de enfrentar o soldado do Lula no Rio de Janeiro. Fora, Paes! — afirmou.

Como foi a manifestação

O protesto começou por volta das 11h15, e um dos primeiros a discursar foi Portinho, líder do PL no Senado. Escanteado na chapa majoritária formada pelo partido para as eleições deste ano, o senador disse que sua prioridade é eleger Flávio à Presidência.

Manifestação bolsonarista em Copacabana

Márcia Foletto

— O nosso propósito maior, com todos os sacrifícios que forem necessários, é eleger Flávio. Nosso propósito é "fora, Lula" — disse. — Chega desse governo de perseguição política. Nós precisamos pacificar o país e o devolver à ordem e ao progresso.

Depois, quem discursou foi Jordy. O parlamentar ressaltou a importância de realizar o ato no Rio, disse que os ministros do Supremo são "tiranos" e atacou o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).

— Quando nós falamos "fora, Lula, Moraes e Toffoli", é porque queremos Bolsonaro livre. Hoje temos um presidente do Congresso frouxo, que se chama Davi Alcolumbre, por isso tivemos que aceitar a dosimetria — afirmou o deputado, em alusão ao projeto de lei para reduzir as penas dos condenados pelos atos golpistas.

O prefeito de Belford Roxo, Márcio Canella (União), também esteve em Copacabana. Ele é pré-candidato ao Senado na chapa definida pelo PL para rivalizar com o prefeito Eduardo Paes (PSD). O nome para a outra vaga é o governador do Rio, Cláudio Castro (PL), que não compareceu ao protesto.

Pauta difusa

Quando convocou a manifestação pelas redes sociais, Nikolas abordou que o tema ficaria restrito a "Fora, Lula, Moraes e Toffoli". Isso desagradou a ala bolsonarista que defende moderação para eleger Flávio. Por conta disso, os organizadores também incluiram os pedidos de anistia.

No dia 14 de fevereiro, Nikolas chegou a dizer que seus apoiadores não deveriam acreditar em parlamentares que os convocassem para os atos sem mencionar o impeachment dos ministros do Supremo. A postura gerou reação de nomes como o deputado federal Mário Frias (PL-SP) e o deputado Gil Diniz (PL-SP), o que fez parlamentar mineiro incorporar o tema em seus pronunciamentos antes dos protestos.