A euforia com a virada à direita no Congresso e a possibilidade de vitória de Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno da eleição presidencial pode dar continuidade ao bom humor dos mercados locais nesta quarta-feira. Embora a declaração do senador de que usará a maioria conquistada por seu partido no Congresso para mudar a Constituição tenha causado estranhamento, os negócios seguiram amparados pelo otimismo eleitoral. O dólar e os juros futuros continuaram em queda, enquanto a bolsa passou por uma pequena realização de lucros e recuou apenas 0,5%.
O momento é de euforia com os ativos locais, tanto de investidores locais quanto de estrangeiros. Em relatório enviado a clientes, os estrategistas do J.P. Morgan Gisela Brant, Tania Escobedo e Santiago Olalquiaga elevaram a recomendação para o real e os juros brasileiros de neutra para “overweight”.
“Embora o rali do real tenha sido rápido, o câmbio permanece bem dentro das nossas expectativas e vemos espaço para que esse movimento se prolongue caso Flávio Bolsonaro consolide sua liderança nas próximas pesquisas”, afirmam. “Além disso, se uma transição política for confirmada, acreditamos que a composição do Congresso aumentaria a probabilidade e a eficácia potencial de um plano de consolidação fiscal mais ambicioso ser proposto e levado adiante.”
Ao Valor, o estrategista-chefe de ações para a América Latina do Morgan Stanley, Nikolaj Lippmann, afirmou que a bolsa brasileira poderia receber até US$ 50 bilhões de estrangeiros, com maior exposição de fundos de mercados emergentes e uma eventual retomada do apetite global pela classe. Em sua avaliação, os aportes totais poderiam chegar a US$ 100 bilhões, embora o cenário mais provável seja de US$ 50 bilhões a US$ 60 bilhões.
Ontem, o banco elevou a recomendação para ações brasileiras para "overweight" (equivalente à compra) após o resultado do primeiro turno.
Em relatório, o Itaú BBA calcula que, caso os aportes de investidores estrangeiros e de fundos locais retornem às médias históricas, o potencial de entrada de recursos na bolsa brasileira pode chegar a R$ 270,2 bilhões. Desse total, cerca de R$ 123,1 bilhões viriam de investidores estrangeiros.
O cenário externo, no entanto, pode pesar em alguma medida sobre o mercado local, com a alta do petróleo, que leva o Brent de volta ao patamar de US$ 101 por barril e o recuo dos futuros dos índices de Nova York.
Na agenda, os investidores observam o leilão de Treasuries de dez anos, diante da venda de títulos da dívida pública dos Estados Unidos, e acompanham a publicação da ata da reunião de setembro do Federal Reserve (Fed). As atenções se concentram, principalmente, no recado do colegiado sobre a trajetória dos juros, que pode sinalizar uma pausa no ciclo de aperto monetário em outubro.
Valor