Os mercados começam a semana em tom mais negativo, após os Estados Unidos atacarem o Irã pela primeira vez desde o fim de julho.
A nova escalada do conflito impulsiona os preços do petróleo e provoca leve queda dos futuros dos índices de Nova York, ampliando as preocupações com a inflação, sobretudo após as declarações duras do presidente do Federal Reserve (Fed), Kevin Warsh, no simpósio de Jackson Hole, na sexta-feira.
Os alvos foram duas plataformas de foguetes na ilha iraniana de Larak que, segundo um oficial americano ouvido pela Reuters, tentavam lançar minas no Estreito de Ormuz.
Em retaliação, Teerã afirma ter atacado bases militares americanas na Jordânia, enquanto o governo jordaniano diz que os mísseis foram interceptados.
Por volta das 8h20 (de Brasília), o Brent com entrega em novembro subia 3,36%, cotado a US$ 91,06 por barril, ao passo que o WTI para outubro avançava 3,62%, a US$ 86,42 porbarril.
No mesmo horário, o futuro do S&P 500 caía 0,15% e do Dow Jones perdia 0,14%, enquanto na Europa, o índice Stoxx 600 recuava 0,20%.
O cenário reforça as preocupações com uma alta dos juros americanos no curto prazo.
“O discurso de Kevin Warsh, do Fed, em Jackson Hole foi o claro fator de movimentação do mercado”, afirma Geoff Yu, do BNY, em nota.
Segundo ele, o tom mais “hawkish” (favorável a juros mais altos) levou os investidores a elevar de cerca de um terço para mais de 50% a probabilidade de um aumento em setembro e a precificar quase uma alta e meia até o fim do ano.
A possibilidade, porém, está longe de ser consenso.
A analista Thu Lan Nguyen, do Commerzbank, afirma que uma alta em setembro “não é, de forma alguma, algo garantido” e recomenda cautela com o otimismo em torno do dólar.
Antes da decisão do Fed, os investidores ainda conhecerão, nesta sexta-feira, os dados de emprego dos Estados Unidos.
Um novo resultado fraco, segundo ela, pode “desencadear uma correção significativa [do dólar]”.
No Brasil, os investidores devem acompanhar o resultado primário do setor público consolidado e o relatório sobre a tributação simplificada das remessas postais internacionais, a chamada “taxa das blusinhas”.
Além disso, a participação do ministro da Fazenda, Dario Durigan, e do ministro do Planejamento, Bruno Moretti, em evento do banco BTG Pactual será monitorada pelos investidores.
As movimentações do tabuleiro eleitoral também devem concentrar as atenções dos investidores.
A pesquisa Atlas/Bloomberg divulgada nesta segunda mostra uma redução da vantagem de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre Flávio Bolsonaro (PL) em um eventual segundo turno.
Lula aparece com 47,1% das intenções de voto, ante 42,6% de Flávio, reduzindo a diferença entre os dois de 6,3 para 4,5 pontos percentuais.
Já no primeiro turno, Lula tem 43,4% e Flávio, 33,7%.
O destaque é o avanço de Augusto Cury (Avante), que passou de 1,6% em julho para 7,8% e assumiu a terceira colocação.
A pesquisa BTG/Nexus também mostra uma disputa apertada entre Lula e Flávio em um eventual segundo turno, com 46% e 45% das intenções de voto, respectivamente, mantendo a diferença de 1 ponto percentual registrada na semana passada.
No primeiro turno, Lula aparece com 39% e Flávio, com 33%.
Cury também avança no levantamento, de 2% para 11%, e assume a terceira colocação.
