Mangueira vai ao Norte do país para mostrar o encanto de Mestre Sacaca, guardião da Amazônia Negra

 

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Com o enredo "Mestre Sacaca do Encanto Tucuju - o Guardião da Amazônia Negra", a Mangueira apresenta uma homenagem ao curandeiro amapaense e xamã babalaô Mestre Sacaca, influente na identidade amapaense.

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Segundo o carnavalesco Sidnei França, a escola não tem a pretensão de contar a vida do homenageado ou a história da região. O enredo é sobre o encanto tucuju, um termo de origem tupi-guarani que significa “aquele que voa”, utilizado atualmente para definir aquilo que é amapaense.

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— O desfile é sobre o jeito de ser de um povo influenciado pela percepção de Mestre Sacaca, do cuidado popular através das ervas e da cultura. Contaremos a importância dele, um indivíduo preocupado com seu povo, e o quanto ele agiu para que esse povo tivesse bem-estar e qualidade de vida — conta Sidnei.

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Estarão presentes na Marquês de Sapucaí Clécio Luis, governador do Amapá, além de 54 membros da família Sacaca. Entre eles, a viúva, os filhos, os netos, os bisnetos, as noras e os genros do mestre, além de figuras importantes da comunidade negra de Macapá, como marabaxeiros e todos os presidentes das escolas de samba da cidade.

— Mestre Sacaca foi Rei Momo no carnaval de Macapá por mais de 20 anos — explica Sidnei.

O encantamento proposto pela Mangueira tem destaque no começo do desfile, com o abre-alas recheado de esculturas feitas pelo coletivo de artistas indígenas do Oiapoque, Waçá Wara.

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Ficha técnica

Presidente: Guanayra Firmino

Carnavalesco: Sidnei França

Intérprete: Dowglas Diniz

Mestre-sala e porta-bandeira: Matheus Olivério e Cintya Santos

Mestres de bateria: Taranta Neto e Rodrigo Explosão

Rainha de bateria: Evelyn Bastos

Quando é o desfile da Mangueira em 2026?

A escola é a quarta a desfilar no domingo de carnaval, 15 de fevereiro. A previsão é que o desfile comece entre 2h30 e 3h.

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Letra do samba enredo da Mangueira em 2026

"Mestre Sacaca do encanto tucuju o guardião da Amazônia negra"

Finquei minha raiz

No extremo norte onde começa o meu país

As folhas secas me guiaram ao Turé

Pintada em verde-e-rosa, jenipapo e urucum

Árvore-mulher, Mangueira quase centenária

Uma nação incorporada

Herdeira quilombola, descendente Palikur

Regateando o Amazonas no transe do caxixi

Corre água, jorra a vida do Oiapoque ao Jari

Çai Erê, Babalaô, Mestre Sacaca

Çai Erê, Babalaô, Mestre Sacaca

Te invoco do meio do mundo pra dentro da mata

Salve o curandeiro, doutor da floresta

Preto Velho, saravá

Macera folha, casca e erva

Engarrafa a cura, vem alumiar

Defuma folha, casca e erva, saravá

Negro na marcação do marabaixo

Firma o corpo no compasso

Com ladrões e ladainhas que ecoam dos porões

Ergo e consagro o meu manto

Às bençãos do Espírito Santo e São José de Macapá

Sou gira, batuque e dançadeira (Areia)

A mão de couro do amassador

Encantaria de benzedeira que a Amazônia negra eternizou

No barro, fruto e madeira, história viva de pé

Quilombo, favela e aldeia na fé

Yá, Benedita de Oliveira, mãe do Morro de Mangueira

Abençoe o jeito Tucuju

Yá, Benedita de Oliveira, mãe do Morro de Mangueira

Abençoe o jeito Tucuju

A magia do meu tambor te encantou no Jequitibá

Chamei o povo daqui, juntei o povo de lá

Na Estação Primeira do Amapá

Composição: Pedro Terra / Tomaz Miranda / Joãozinho Gomes / Paulo César Feital / Herval Neto / Igor Leal.

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