Mangueira aposta em ousadia histórica: primeiro casal fará três coreografias por causa das cabines duplas
A Estação Primeira de Mangueira abre seu desfile com ancestralidade e ousadia neste domingo. O primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, Cintya Santos e Matheus Olivério, decidiu transformar uma mudança técnica do regulamento em espetáculo: eles vão apresentar três coreografias diferentes ao longo da Avenida.
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A estratégia nasce da nova configuração das cabines de jurados no Sambódromo. Em 2026, além dos módulos tradicionais, duas cabines estarão espelhadas nos setores centrais (6 e 7), obrigando os casais a atenderem dois lados simultaneamente. A mudança altera completamente a dinâmica de apresentação — especialmente em um quesito onde cada detalhe vale décimos preciosos.
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E a decisão partiu deles.
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— Eles quiseram. Eu não propus isso não. Eles me pediram — revela a coreógrafa Ana Paula Lessa, que está na Mangueira desde 2014.
Segundo ela, a primeira cabine terá uma coreografia direcionada a um jurado específico. Na cabine dupla, os dois lados receberão outra construção coreográfica. Já na terceira, o casal vira novamente para o outro lado, apresentando uma nova sequência.
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— Falei: gente, é muita coisa. Eles disseram: ‘Não, a gente quer. É um ano diferente. É um desafio’ — disse a coreografa.
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Técnica, personalidade e autoria
Ana Paula faz questão de reforçar que a criação é coletiva.
— É uma coreografia bem complexa, de alta dificuldade mesmo. É construída pelos três. Eu não faço nada sozinha. Essa arte é deles.
Ela destaca que tanto Cintya quanto Matheus têm personalidade forte e repertório próprio.
— Eles falam: ‘Esse passo é minha assinatura, eu quero utilizar’. Isso é muito prazeroso.
Matheus encara o desafio com método. Ele explica que o casal mantém a lógica tradicional de começo, meio e fim — mas adaptada à nova realidade.
— A gente tá num sistema de começo, meio e fim só pra um lado. Esse ano faz começo, meio e fim pra um lado, começo, meio e fim pro outro. E na cabine dupla a gente dá um ar especial. É um desafio maior. O público merece, os jurados merecem e a comunidade da Mangueira merece essa saída da zona de conforto — contou Matheus.
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Fantasia e enredo
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Inserido na abertura do desfile, o casal personifica os participantes indígenas do Turé, celebração do extremo norte do país que abre a narrativa do enredo para invocar Mestre Sacaca.
Os figurinos trazem forte trabalho plumário e padronagens inspiradas nas artes dos povos originários da região, representando os integrantes do ritual que auxiliam os pajés na entonação dos cânticos que exaltam os espíritos de outro mundo.
Junto ao pavilhão verde e rosa, Cintya e Matheus simbolizam o encontro entre essa ancestralidade e a Estação Primeira.
A força da botinha
Além da coreografia tripla, outro detalhe técnico chama atenção: o calçado da porta-bandeira. Cintya aderiu à tendência das botinhas — modelo que vem substituindo o tradicional salto fino.
Ana Paula explica a escolha:
— Primeiro que protege bem o pé todo. O tornozelo fica estabilizado. Essa fantasia é muito pesada.
Segundo a coreógrafa, a roupa pode pesar entre 40 a 45 quilos. A bota, com cano curto que ultrapassa o tornozelo e salto pequeno e quadrado, garante mais segurança para giros e sustenta melhor o peso da fantasia.
— Eu não acho que aquele saltinho fino seja bom nem pra coluna. Você tem que se equilibrar numa base pequena.
A ousadia do casal acontece justamente num ano em que a avaliação está ainda mais estratégica. A Liga ampliou o número de jurados de quatro para seis por quesito — embora apenas parte das notas seja validada após sorteio na apuração.
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