Manaus tem nível de poluição acima do que é considerado péssimo

Manaus tem nível de poluição acima do  que é considerado péssimo - Foto
Fonte da notícia: O Globo O Globo

A fumaça de queimadas cobriu Manaus na manhã desta quarta-feira (23). Os índices de poluição do ar ultrapassaram o limite da escala do Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva). Por volta das 5h15, o Distrito Industrial I, bairro da Zona Sul da capital do Amazonas, marcou 188,5 µg/m³ (microgramas por metro cúbico) de concentração de partículas no ar. O valor é maior que o limite da escala da Selva, que é 160 µg/m³, e já é classificado como péssimo. Agentes de saúde do município relatam maior procura por atendimentos devido à inalação da fumaça. Céu de Manaus amanhece coberto de fumaça de queimadas e qualidade do ar atinge nível considerado péssimo Caso Isabelle Caracristi: polícia afirma que jovem se jogou de terraço e que câmera registrou queda — Hoje amanhecemos com uma camada de fumaça bem intensa e os prontos-socorros tiveram uma demanda maior por conta da fumaça e do calor intenso. Os sintomas são tosse, olhos e garganta ressecados. Sou enfermeira em uma instituição de longa permanência e estamos tendo todos os cuidados redobrados para que os nossos idosos não venham passar mal nesse momento crítico. Por isso, eles não tomaram banho de sol. Tivemos que ficar com janelas fechadas e com muita hidratação oral. Estamos passando o maior verão de todos os tempos — contou a enfermeira Núibia Rodrigues, da Fundação Dr Thomas. O monitoramento em tempo real da IQAir, sistema que vê o nível de poluentes em todo o mundo, indicou, na tarde de quarta-feira, que a qualidade do ar em Manaus está em 41,3 µg/m³. O nível é considerado não saudável para grupos sensíveis. Qualidade do ar em Manaus não está saudável IQAir Segundo a Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), a orientação para os moradores é reduzir a exposição à fumaça, especialmente crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças respiratórias ou cardíacas. Além de evitar exercícios físicos ao ar livre, manter-se hidratado e proteger os olhos e o nariz. Quando a exposição à fumaça for inevitável, a Semsa recomenda usar máscaras para reduzir a inalação de partículas presentes no ar.

"Tosse, irritação ou dor de garganta, ardência e lacrimejamento dos olhos, coriza, dor de cabeça, chiado no peito, falta de ar e piora de crises de asma são sinais de alerta. Em casos leves, a orientação é procurar uma unidade básica de saúde. Para sintomas mais graves, deve-se buscar um serviço de pronto atendimento e, em emergências, acionar o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu)”, recomenda a Semmas.

Período seco leva a propagação de fogo A Secretaria Municipal de Segurança Pública informou que monitora a qualidade do ar e que o nível registrado na manhã desta quarta-feira é classificado como péssimo. A fumaça é proveniente de áreas de queimadas em diversas regiões da Amazônia, principalmente nos municípios da Região Metropolitana de Manaus e do leste do Amazonas. “A Prefeitura de Manaus segue acompanhando as condições meteorológicas e a qualidade do ar, com atualização das informações diante de mudanças significativas. De acordo com dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Manaus está entre as cidades com menor número de focos de incêndio no Amazonas. A prefeitura mantém ações de prevenção, fiscalização e monitoramento por meio do Comitê de Prevenção às Queimadas”, diz a prefeitura em nota.

A Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Mudança do Clima (Semmas) destaca que realiza campanha educativa, fiscalização e monitoramento de queimadas com drones. Selva registrou pior nível de poluição do ar em Manaus. Os pontos vermelhos mostram onde a qualidade o ar está péssima na tarde desta quarta-feira Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva) Segundo a meteorologista Andrea Ramos, a fumaça que cobre o céu de Manaus está relacionada com as queimadas e com os incêndios florestais, que ocorrem tanto no estado, quanto em áreas de estados vizinhos. — Durante o período seco, a redução das chuvas, as temperaturas elevadas e a menor umidade da vegetação favorecem a propagação do fogo. Além disso, os ventos transportam essa fumaça por centenas de quilômetros, permitindo que ela alcance regiões distantes dos incêndios. É importante entender que uma redução no número de queimadas não significa necessariamente uma redução proporcional da fumaça. Isso acontece porque a quantidade de poluentes emitidos depende da extensão dos incêndios, do tipo de vegetação que está queimando, da duração do fogo e das condições de dispersão atmosférica — explica Ramos. A fumaça produzida por queimadas em outras regiões pode ser transportada para Manaus, mesmo quando a cidade apresenta poucos focos de incêndio, ocasionando os focos no céu. A meteorologista aponta que, embora 2025 tenha registrado uma redução expressiva das queimadas em relação a 2024, setembro apresenta um aumento das queimadas em relação ao mesmo mês do ano passado, segundo os dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Névoa seca O fenômeno que ocasiona as fumaças no céu de Manaus é conhecido como névoa seca, associada às queimadas e ocorre quando partículas muito pequenas liberadas pela combustão ficam suspensas na atmosfera, reduzindo a visibilidade e deixando o céu com aparência esbranquiçada ou acinzentada. Os ventos transportam essas partículas, enquanto situações de pouca ventilação podem favorecer o acúmulo próximo à superfície. — Manaus já enfrentou episódios extremamente graves de fumaça, especialmente em 2023 e 2024, quando a estiagem e os incêndios comprometeram significativamente a qualidade do ar. Em 2026, a fumaça voltou a preocupar, mas não podemos afirmar que a situação seja pior do que nos anos anteriores sem comparar as concentrações de poluentes, a duração dos episódios e a área atingida. Um estudo científico sobre a crise de fumaça em outubro de 2023 identificou concentração de 314µg/m³ no sul de Manaus. O valor evidencia a gravidade daquele episódio, embora não possa ser comparado diretamente à média municipal registrada neste mês, porque os locais e os métodos de medição são diferentes — pontua Ramos.

Na semana passada, o céu de Manaus também amanheceu coberto de fumaça das queimadas que atingiram os municípios de Itacoatiara, Careiro da Várzea, Iranduba e Manacapuru. Na ocasião, o Selva registrou que a qualidade do ar atingiu nível considerado péssimo, o índice chegou a 129,5 µg/m³. No início de setembro, moradores da capital também registraram fumaça no ar e relataram cheiro forte.

No município de Manacapuru, o sensor registrou 114,7 µg/m³; em Manaquiri, o índice chegou a 126,8 µg/m³; em Iranduba, foi registrado 107,4 µg/m³, considerada qualidade péssima. *Estagiária sob supervisão de Afredo Mergulhão

Compartilhar: WhatsApp Facebook Telegram X

Deseja ler a íntegra original na fonte jornalística?

Acessar matéria no site O Globo