A Malásia anunciou, nesta sexta-feira (4), estado de emergência em parte do estado de Sarawak, na ilha de Bornéu, devido a um nevoeiro tóxico provocado pela fumaça dos incêndios florestais na vizinha Indonésia.
Bornéu, ilha cujo território é compartilhado por três países (Indonésia, Malásia e Brunei) sofre há semanas com incêndios devastadores.
O rei da Malásia, o sultão Ibrahim, autorizou "a declaração do estado de emergência em todo o distrito de Serian, em Sarawak, devido às condições de nevoeiro que atingiram um nível de contaminação do ar perigoso para a saúde e a segurança públicas", informou em um comunicado o gabinete do primeiro-ministro de Anwar Ibrahim.
Apenas serviços essenciais vão funcionar
@@NOTICIAS_RELACIONADAS@@
O índice de contaminação do ar na região de Serian superou o limite crítico de 500 nesta sexta-feira. O país o considera perigoso a partir de 300.
Além disso, a contaminação do ar obrigou o fechamento de quase 650 escolas na região de Serian a partir da segunda-feira durante pelo menos uma semana, informou o governo.
Chuva artificial Na quinta-feira, o país implementou uma semeadura de nuvens, uma técnica artificial de modificação do clima para aumentar as precipitações e reduzir os contaminantes no ar. Esta será mantida até a segunda-feira.
"Esperam-se formações de nuvens mais favoráveis durante este período", destacou o Comitê de Gestão de Desastres de Sarawak.
Os serviços de emergência começaram a distribuir água potável entre os moradores, muitos dos quais usavam máscaras.
Durante uma coletiva de imprensa, o presidente do Comitê de Gestão de Desastres de Sarawak, Douglas Uggah Embas, insistiu que a emergência será adotada apenas em uma parte da região de Serian, mas insistiu em extremar as precações.
"Por favor, reduzam ao mínimo as atividades ao ar livre e evitem esforços físicos intensos no exterior", disse.
A contaminação provocada pelos incêndios na província de Kalimantan Ocidental alcança a Malásia e as Filipinas.
O fogo se propagou devido à temporada seca e a um episódio do fenômeno climático El Niño que, segundo a ONU, poderia ser o mais intenso em quatro décadas.
Cerca de 300.000 hectares queimaram desde o começo do ano, segundo especialistas, que temem que o pior ainda esteja por vir.
Os incêndios também estão relacionados ao desmatamento e à derrubada de árvores com fogo especialmente para os cultivos, segundo vários analistas.
"Falta de recursos" Na parte indonésia da ilha de Bornéu, a paisagem florestal exuberante com fauna muito rica que inclui orangotangos, está salpicada por áreas queimadas.
São, sobretudo, pequenas parcelas capinadas por agricultores para suas plantações. A população local também acusa grandes empresas, como os produtores de óleo de palma.
Centenas de bombeiros voluntários foram mobilizados. Kristoforus Sinyong é um deles.
Este homem, de 27 anos, e um pequeno grupo de colegas arriscam suas vidas para combater as chamas, armados apenas com botas de borracha, uma pequena motobomba, pulverizadores e seis mangueiras fornecidos pela empresa para a qual trabalha, uma ONG ambiental, constatou a AFP.
As máscaras são fornecidas por uma clínica local.
"A verdade é que não é suficiente, mas é tudo o que temos. Se tivéssemos esperado para ter meios suficientes, o fogo poderia ter se propagado por todas as partes", explica Kristoforus à AFP.
"Nosso principal obstáculo é a falta de recursos humanos e de equipamento", lamenta.
Folha de Pernambuco