Aos 48 anos, Maju Coutinho anunciou nesta sexta-feira (28) que está grávida pela primeira vez.
A jornalista e apresentadora do Fantástico compartilhou a novidade nas redes sociais ao lado do marido, o artista visual Agostinho Paulo Moura, de 61, com quem é casada desde 2009.
O bebê é um menino e se chamará Malik.
"Mãe de primeira viagem e pai de terceira viagem embarcando no show da vida particular", escreveu Maju na publicação.
A notícia chama a atenção também por acontecer em uma fase da vida em que a fertilidade feminina já sofreu uma redução importante.
Aos 48 anos, uma gestação é considerada "de idade materna avançada" e exige acompanhamento médico individualizado.
Isso não significa, contudo, que a maternidade deixe de ser possível.
O avanço da medicina reprodutiva ampliou as alternativas para as mulheres que desejam adiar a maternidade, embora a idade continue sendo um dos principais fatores a serem considerados.
Maju, inclusive, já havia falado publicamente sobre o tema.
Em entrevistas anteriores, ela contou que congelou seus óvulos aos 37 anos e afirmou que falar abertamente sobre a decisão de não ter filhos naquele momento poderia ajudar a reduzir a pressão social sobre as mulheres.
Na época, ela dizia que a maternidade não era um assunto fechado, mas que não havia pressa.
A maternidade tardia tem se tornado cada vez mais comum nos últimos tempos.
A atriz Claudia Raia, por exemplo, foi mãe pela terceira vez de Luca aos 55 anos.
"As duas histórias são completamente diferentes do ponto de vista reprodutivo.
No caso de Claudia, houve uma ovulação espontânea após um processo de estimulação hormonal.
Já em uma mulher que está na menopausa e não apresenta mais óvulos com potencial reprodutivo, a doação de óvulos pode ser uma alternativa para a formação do embrião", explica o especialista em fertilidade e ginecologia cirúrgica Waldemar Carvalho, que atua há mais de 25 anos na área de reprodução humana.
Maju Coutinho e o marido
Reprodução/Instagram
Embora o caso de Maju seja diferente dos exemplos de reprodução assistida que costumam ganhar repercussão, a gravidez aos 48 anos ajuda a colocar em discussão as possibilidades e os limites da maternidade tardia.
A idade interfere diretamente na fertilidade feminina, principalmente por causa da redução da quantidade e da qualidade dos óvulos ao longo dos anos.
Segundo o especialista, a idade materna avançada também está associada a uma maior necessidade de acompanhamento durante a gestação, especialmente em relação às condições cardiovasculares e metabólicas.
"Uma gestação em idade materna avançada exige uma avaliação criteriosa antes mesmo do início do tratamento.
É necessário investigar as condições clínicas da mulher, especialmente aspectos cardiovasculares e metabólicos, além da saúde uterina, para avaliar se a gestação pode ocorrer com segurança", afirma Carvalho.
Maternidade tardia
Para Ana Paula Del Padre, representante da Tammuz [agência internacional especializada em reprodução assistida, doação de óvulos e gestação por substituição] no Brasil, o caso também reflete uma mudança na forma como muitas mulheres encaram o planejamento familiar.
"A idade é um dos fatores que levam à procura pela reprodução assistida, mas está longe de ser o único.
Existem mulheres que adiaram a maternidade por questões profissionais, financeiras ou pessoais e que, mais tarde, procuram alternativas para realizar esse desejo.
Também há pacientes que enfrentam condições médicas que interferem na fertilidade", afirma.
Ana Paula esclarece, no entanto, que o avanço da medicina reprodutiva, nesse contexto, não significa que o chamado relógio biológico deixou de existir.
Significa que algumas de suas limitações podem ser contornadas por diferentes estratégias, dependendo da idade, da saúde da mulher e das condições dos óvulos e do útero.
"A medicina reprodutiva avançou muito, mas isso não significa que a idade deixou de ser um fator relevante.
Quanto mais cedo houver planejamento, maior é o número de possibilidades que podem ser preservadas para o futuro", explica ela.
