Mais uma vez, Yánsàn chega à Mangueira, em 2027, com ‘Oyá Por Nós’

Mais uma vez, Yánsàn chega à Mangueira, em 2027, com ‘Oyá Por Nós’ - Foto
Fonte da notícia: Extra Extra

Não é a primeira vez que Ọya ou Yánsàn faz balançar os bons ventos no Palácio do Samba mangueirense. A senhora dos ventos e das tempestades mostrou sua força em 2016, quando a Estação Primeira de Mangueira levou para a Avenida o enredo “Maria Bethânia: A Menina dos Olhos de Oyá”. Naquele ano, a verde e rosa conquistou seu 19º título de campeã do Carnaval carioca, quebrando um jejum de 14 anos. A conquista anterior havia sido em 2002. O desfile celebrou os 50 anos de carreira de Maria Bethânia, abordando sua religiosidade e sua profunda ligação com a cultura popular brasileira. A própria homenageada participou do desfile. O enredo foi desenvolvido por Leandro Vieira, em sua estreia como carnavalesco do Grupo Especial. Ele promoveu uma verdadeira renovação estética na Mangueira: reduziu o excesso de componentes sobre os carros alegóricos, apostou em alas coreografadas e apresentou um abre-alas que fugia das cores tradicionais da escola. A comissão de frente e o casal de mestre-sala e porta-bandeira também fizeram referência a um Orixá. Agora, para o Carnaval de 2027, a Estação Primeira de Mangueira renova os bons ventos de Yánsàn com o enredo “Oyá Por Nós”. Desta vez, porém, a relação é ainda mais direta. Se em 2016 Ọya aparecia como força protetora da homenageada, Maria Bethânia, agora os louvores, a reverência e os tributos serão inteiramente dedicados ao Orixá. Yánsàn traz em sua essência a imagem da mulher guerreira, corajosa e transformadora. Como Orixá, Ọya-Yánsàn representa os ventos que movimentam o mundo, a renovação, a liberdade e a força capaz de transformar aquilo que parecia imóvel. Sua potência também está presente em suas transformações. Yánsàn pode assumir diferentes formas, da delicadeza de uma borboleta à imponência de um poderoso búfalo, revelando a dimensão de sua força e de sua intensidade feminina. O nome Ọya também está relacionado ao rio Niger, chamado pelos yorùbás de Odò Ọya, o “Rio de Ọya”. Já Yánsàn é associado à expressão yorùbá Ìyá Mẹ́s’Ọ̀run, “a mãe dos nove espaços”, em referência aos caminhos entre o céu e a terra e ao seu poder de encaminhar os espíritos dos mortos. É essa força feminina, ancestral e transformadora que a Mangueira pretende levar para a Sapucaí. O enredo é desenvolvido pelo carnavalesco Sidnei França, em seu terceiro Carnaval na Mangueira, em parceria com Felipe Tinoco e Sthefanye Paz. “Celebrar Ọya no próximo cortejo mangueirense é a oportunidade de fazer história em verde e rosa na Sapucaí, enaltecendo a identidade negra que o samba herdou do matriarcado nos terreiros de axé. Evocar esta energia feminina, quente e avassaladora, é propor um Brasil tal qual se experimenta no Morro da Mangueira: diverso, potente e transformador!”, enfatiza Sidnei França. O enredo também destaca a herança dos povos africanos e a maneira como Yánsàn é cultuada no Brasil, aproximando a ancestralidade dos Terreiros da força cultural do samba. E há ainda uma dimensão especial nessa homenagem: além de reverenciar o Orixá que protege a Mangueira, a escola também celebra todos os seus filhos e filhas, sua força, sua coragem e sua fé. Em 2016, os ventos de Ọya sopraram sobre a Mangueira e conduziram a escola ao título. Em 2027, eles voltam a soprar, agora com uma homenagem inteiramente dedicada à senhora dos ventos e das tempestades. Èpà Heyi! Axé para todos!

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