Mais prazer, menos pressão: como mudou a relação com a vida íntima

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Sexo nem sempre precisa estar associado à performance. Para uma parcela dos solteiros brasileiros, a vida íntima parece estar cada vez mais ligada a uma ideia menos performática e mais ampla de bem-estar, que envolve saúde mental, confiança, conforto e autoconhecimento. É o que indica uma pesquisa divulgada pelo happn, aplicativo de relacionamentos, às vésperas do Dia do Sexo, celebrado em 6 de setembro. Do match à collab: como funciona o 'Tinder' dos criadores de conteúdo adulto O que é 'sexo por compaixão'? Estudo revela por que mulheres mantêm relações sem desejo Segundo o levantamento, 51% dos entrevistados consideram a saúde sexual um pilar fundamental do equilíbrio emocional e da qualidade de vida. A percepção se torna mais forte com a idade: passa de 41% entre pessoas de 18 a 25 anos para 58% entre aquelas com 36 anos ou mais. Os números sugerem uma mudança na maneira de encarar a intimidade. Em vez de colocar a experiência sexual apenas sob a lógica do desempenho, parte dos entrevistados parece associá-la também à forma como se sente consigo mesmo e com o outro. É uma perspectiva que ganha força à medida que a idade avança e que pode mudar também as expectativas em torno dos relacionamentos. Prazer também pode ser uma forma de autocuidado Essa transformação aparece inclusive na relação com a intimidade solo. A masturbação, historicamente cercada por tabus, é considerada por 34% dos participantes um hábito legítimo de autocuidado para aliviar o estresse e a carga mental. Entre as mulheres, a proporção chega a 43%. Já entre os homens, 33% associam a prática principalmente a uma espécie de válvula de escape física durante períodos de solteirice. A pesquisa também aponta uma redução da pressão relacionada ao desempenho: 32% dos entrevistados afirmam que essa cobrança diminuiu ao longo dos anos. O dado ajuda a compor um cenário em que questões como limites, conforto e bem-estar passam a dividir espaço com a preocupação tradicional sobre "dar conta" da experiência. Confiança ganha importância com a idade Quando a intimidade envolve outra pessoa, a conexão emocional e a confiança aparecem como prioridades para 61% dos participantes. Entre as mulheres, porém, existe uma diferença significativa entre as gerações. Enquanto 35% das entrevistadas de 18 a 25 anos colocam a confiança emocional em primeiro lugar, o índice chega a 74% entre aquelas com 36 anos ou mais. Entre as mais jovens, 41% apontam o alívio do estresse, o relaxamento e a regulação emocional como prioridades. A percepção sobre uma vida íntima plena também muda conforme a faixa etária. Entre os adultos mais velhos, 33% consideram ter uma vida sexual satisfatória, contra 23% dos participantes mais jovens. Os dados não significam que exista uma única maneira de viver a sexualidade em cada fase da vida, mas apontam para diferenças nas prioridades declaradas pelos grupos. A maturidade, nesse recorte, aparece associada a uma valorização maior da segurança emocional e da qualidade da conexão. Falar sobre desejo ainda exige confiança Se entender os próprios desejos pode fazer parte desse processo, colocá-los em palavras diante de outra pessoa continua sendo um desafio. Embora 42% dos entrevistados afirmem se sentir muito confortáveis para falar sobre vontades e fantasias logo no início de uma conversa, homens e mulheres demonstram comportamentos diferentes. Entre os homens, 41% se mostram dispostos a abordar o assunto desde o começo. Já 56% das mulheres preferem estabelecer algum grau de confiança antes de entrar nesse tipo de conversa. As razões também mudam. Para 39% das mulheres, a principal barreira é não se sentirem confiantes para expressar aquilo de que gostam. Entre os homens, 38% temem intimidar o interesse amoroso ou quebrar o clima ao trazer o assunto para a conversa. A diferença ajuda a mostrar que falar sobre sexo não envolve apenas conhecer os próprios desejos. Há também uma dimensão de segurança e intimidade que influencia o momento e a maneira como essas questões são compartilhadas. A nova relação com o sexo: menos cobrança e mais atenção ao bem-estar Magnific Menos performance, mais consciência Os resultados desenham um cenário em que a sexualidade aparece cada vez menos isolada de outras dimensões da vida. Prazer, saúde mental, confiança e autoconhecimento passam a fazer parte da mesma conversa, enquanto a pressão para corresponder a determinadas expectativas perde espaço entre uma parcela dos entrevistados. "Estamos acompanhando uma evolução na forma como os solteiros se relacionam e vivenciam a intimidade. Nossos usuários estão se libertando de pressões ultrapassadas e redefinindo a sexualidade como uma parte essencial e consciente do bem-estar geral. Ao deixar a busca por desempenho de lado para focar em autoconhecimento, confiança e saúde mental, eles constroem conexões muito mais saudáveis, tanto consigo mesmos quanto com futuros parceiros", diz Karima Ben Abdelmalek, CEO e presidente do happn.

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