A escalada das tensões no Oriente Médio prosseguiu nesta quarta-feira com sinais de que a guerra entre EUA e Irã está envolvendo novos países.
Pela primeira vez desde a ofensiva americana e israelense, iniciada em 28 de fevereiro, a Arábia Saudita tomou parte em uma ação de ataque conjunto com os Estados Unidos, visando um grupo apoiado pelo Irã no Iraque. E drones teriam chegado a um porto do Egito no Mar Mediterrâneo, causando explosão e danos a duas embarcações.
Com isso, o petróleo teve um dos dias de maior alta desde o início do conflito, voltando a ser negociado acima de US$ 90, a US$ 90,74 por barril, em alta de quase 8% para o Brent na sessão.
O Irã deve receber nas próximas semanas a primeira remessa da China de um lote de até 400 sistemas portáteis de defesa aérea, disseram à Reuters três fontes. Na semana passada, o presidente dos EUA, Donald Trump, havia alertado China e Rússia contra envolvimento na guerra.
“Dois grandes países que as pessoas mencionam com frequência quando se fala do Irã, [mas que] na minha opinião, não estão participando. Se participassem, seria muito ruim para eles — certamente não seria do interesse deles”, escreveu Trump em publicação na Truth Social.
Hoje, em resposta ao ataque de caças americanos e sauditas a uma milícia associada ao Irã no Iraque, Teerã disparou mísseis contra bases americanas na Jordânia. Desde a ruptura da mais recente tentativa de cessar-fogo, grupos apoiados pelo Irã têm aberto novas frentes de combate, e reativado antigas, envolvendo Arábia Saudita, Iraque, Líbano e Jordânia no que, até há pouco tempo, era um conflito que se restringia a países da costa do Golfo Pérsico.
Os EUA alegaram hoje que o Irã determinou a aliados no Iraque que atacassem forças americanas e a infraestrutura de energia saudita. E o Ministério de Relações Exteriores do Irã condenou o ataque dos EUA e da Arábia Saudita como uma tentativa de expandir o conflito.
Na costa do Mediterrâneo, dois navios — incluindo uma embarcação de armazenamento de gás, de propriedade americana — pegaram fogo no porto de Damietta após uma explosão, de acordo com a Kpler, uma empresa de monitoramento de navegação.
Outra empresa, a Ambrey, reportou que a explosão teria decorrido de um ataque de drone, mas nenhum grupo ou país confirmou a ação militar. Embora o Ministério de Petróleo do Egito não tenha confirmado a versão, duas fontes da área de segurança consideram que um ataque por drone é a causa provável da explosão no porto de Damietta, de acordo com a Reuters.
A participação saudita em atuação conjunta com os EUA representa uma escalada na medida em que o reino se mantinha afastado de ação direta, ao menos de modo público. Anteriormente, o país teria lançado de forma secreta algumas ações de retaliação ao Irã, de acordo com autoridades americanas, reporta o jornal The New York Times.
Nesta semana, os sauditas precisaram conter diversos ataques de drones contra instalações de petróleo. E a milícia houthi, apoiada pelo Irã no Iêmen, alvejou ontem um petroleiro saudita no Mar Vermelho, outra via essencial ao transporte na região.
Hoje, o Ministério de Relações Exteriores da Arábia Saudita disse, em comunicado, que não busca uma escalada militar, mas que responderá a agressões.
Também nesta quarta-feira, forças da Jordânia disseram ter abatido cinco mísseis disparados pela Guarda Revolucionária Islâmica, que alegou estar reagindo a agressão dos EUA. As forças americanas disseram que os ataques ao Iraque foram uma resposta a mais de 30 drones lançados por grupos associados ao Irã nas 72 horas anteriores. Uma fonte militar dos EUA disse que cerca de 20 militares e assessores técnicos do Irã morreram no ataque conjunto.
O primeiro-ministro do Iraque, Ali al-Zaidi, afirmou que a ofensiva de EUA e Arábia Saudita é uma “agressão inaceitável”. As Forças de Mobilização Popular — como é conhecido o agregado de milícias iraquianas, muitas das quais próximas ao Irã — disseram em comunicado que ao menos 20 integrantes morreram no ataque conjunto.
A Guarda Revolucionária do Irã disse ter atingido três petroleiros, mas não mencionou a localização. A Arábia Saudita está procurando construir uma coalizão internacional para proteger a navegação no Mar Vermelho de ataques houthis, disseram à Reuters duas fontes. Dezenas de países estariam participando das discussões.
Os houthis anunciaram em 20 de julho um bloqueio à Arábia Saudita no Mar Vermelho, em resposta ao que descreveram como cerco saudita ao Iêmen, alegação que Riad nega. Desde então, houve ataques contra embarcações sauditas. E o país respondeu com bombardeios contra o que seriam instalações militares houthis no porto de Hodeidah, no Iêmen.
Valor