Mais de um ano após incêndio com 19 mortos na Califórnia, vítimas enfrentam cobrança de até R$ 208,6 mil para religar energia
Os moradores atingidos pelos incêndios florestais de Eaton, que devastaram o sul da Califórnia no início de 2025, enfrentam um novo impasse na tentativa de reconstruir suas vidas. Além das perdas humanas e materiais, 19 mortos e milhares de casas destruídas em Altadena, Pasadena e Sierra Madre, parte dos sobreviventes agora precisa arcar com valores que podem chegar a US$ 40 mil, cerca de R$ 208,6 mil, para religar suas residências à rede elétrica.
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Em abril do ano passado, a concessionária Southern California Edison anunciou que substituiria as linhas aéreas por um sistema subterrâneo nas áreas afetadas. A medida foi apresentada como estratégia de mitigação de novos incêndios. No entanto, uma política estadual anterior à tragédia determina que os proprietários devem custear a ligação entre suas casas e a nova infraestrutura.
Moradores de Altadena relataram ao jornal Los Angeles Times que receberam orçamentos entre US$ 20 mil e US$ 40 mil. De acordo com a imprensa local, Connor Cipolla, membro do conselho municipal local, afirmou à publicação que a comunidade ficou “furiosa” e “completamente pega de surpresa”. Segundo ele, chegou a ser orientado pela empresa a escavar a entrada recém-pavimentada de sua garagem para viabilizar a conexão, alternativa posteriormente revista.
Carolyn Hove, outra moradora, questionou ao LA Times até quando a população suportaria novos ônus. Ela afirmou que a comunidade ainda está traumatizada e atribuiu o incêndio à concessionária, embora a causa oficial siga sob investigação.
Disputa judicial e programa de indenização
Dois processos movidos pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos alegam que linhas de transmissão operadas pela Edison podem ter provocado o incêndio. Paralelamente, moradores ingressaram com ações contra a companhia e o Condado de Los Angeles. A concessionária, por sua vez, processou o condado, seis agências de água e a Agência de Gás do Sul da Califórnia, alegando que suas ações contribuíram para a dimensão da tragédia. A empresa não admitiu culpa.
No outono passado, a Edison lançou um programa de compensação financeira para moradores que concordassem em não processá-la. O prazo terminou em novembro. Na sexta-feira, a empresa informou ter enviado mais de 500 ofertas de indenização, somando US$ 165 milhões. Os valores podem ser utilizados na reconstrução das casas.
A Rede de Sobreviventes do Incêndio de Eaton classificou a iniciativa como insuficiente, chamando-a de “gota no oceano”, segundo o site Pasadena Now. O grupo defende que as famílias desalojadas recebam US$ 200 mil cada, sem a exigência de renúncia a ações judiciais.
Em entrevista à emissora KTLA, a Edison afirmou que a segurança é sua prioridade e justificou a rede subterrânea como medida preventiva. Em comunicado, a empresa declarou que, conforme tarifas aprovadas pela comissão estadual de serviços públicos, cabe aos proprietários custear a conexão entre o limite de seus imóveis e a nova rede.
O plano de reconstrução foi detalhado em carta do CEO Pedro Pizarro ao governador Gavin Newsom. À época, a estimativa era de que a infraestrutura custaria entre US$ 8 mil e US$ 10 mil por residência. Moradores afirmam que o valor final é significativamente superior.
Brandon Tolentino, vice-presidente de Resiliência Empresarial e de Incêndios Florestais da concessionária, disse ao LA Times que a empresa busca diferentes fontes de financiamento, incluindo subsídios públicos e recursos filantrópicos, para reduzir os custos aos proprietários. Já Mark Ellis, ex-economista-chefe de empresas de energia da região, avaliou ao jornal que a cobrança pode gerar lucro à concessionária.
