Mais de dois bilhões de pessoas no mundo não têm acesso a água potável e segura, segundo a ONU
Mais de dois bilhões de pessoas no mundo não têm acesso a água potável e segura. Além disso, as mulheres são mais afetadas pela crise hídrica global do que os homens. As informações são do Relatório Mundial das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento dos Recursos Hídricos, divulgado nesta quinta-feira (19).
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O estudo é publicado todo ano como parte da campanha da ONU para o Dia Mundial da Água, comemorado no dia 22 de março.
O coordenador de Ciências Humanas e Sociais e de Ciências Naturais da UNESCO no Brasil, Fabio Eon, explicou como as desigualdades e o crescimento populacional impactam a oferta de água.
"Quatro bilhões de pessoas, metade da população mundial, portanto, enfrenta situações de alto estresse hídrico ao menos um mês por ano. O relatório também aponta desigualdades no Brasil, como uma forte favelização e a dificuldade de ampliar a rede de saneamento no ritmo de crescimento das nossas cidades. Isso faz com que comunidades informais paguem mais caro por água de pior qualidade", disse.
Papel das mulheres
Os dados mostram que mulheres são responsáveis pela coleta de água em 70% dos domicílios rurais que não recebem água encanada.
Elas também são mais vulneráveis a consequências da falta de sanitários e água para a higiene. Esses fatores prejudicam a saúde, causam a perda de acesso à educação e qualificação profissional, e contribuem para a violência de gênero.
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Mesmo assim, as mulheres são pouco representadas na gestão dos recursos hídricos pelo mundo. Elas ocupam menos de 10% dos cargos governamentais relacionados à água e ao saneamento em países de baixa e média renda. As mulheres também não chegam a ser um quinto dos trabalhadores do setor hídrico e, quando trabalham nessas empresas, recebem salários menores em média do que os homens.
O relatório propõe ações para a redução da desigualdade de gênero no acesso à água de qualidade, como a eliminação de barreiras legais e financeiras que ficam entre mulheres e a posse de água, terra e serviços.
A organização também cobrou investimento na pauta, dizendo que o mundo precisa ir além de "ações de baixo custo" que dependem de trabalho não remunerado e ampliam as desigualdades.
