Mais de 48 milhões de brasileiros não têm casa própria e precisam morar de aluguel
Embora o número de brasileiros morando em casas próprias ainda seja maior que o que paga aluguel, a parcela vem caindo ao longo dos últimos anos. Na contramão, a quantidade de brasileiros que precisa alugar um imóvel para morar aumentou em mais de 11 milhões nos últimos nove anos, saindo de 35 milhões em 2016 para 48,7 milhões em 2025.
Nesse período, o número de pessoas morando em casas próprias, caiu de 137,9 milhões para 129,8 milhões.
Em termos percentuais, a fatia de casas e apartamentos alugados no total de domicílios subiu de 18,4% em 2016 para 23,8% em 2025. Os imóveis próprios com financiamento já quitado caíram de 66,8% para 60,2%. Já a participação dos que ainda têm crédito a paga subiu levemente, de 6,2% para 6,8% no período.
Com isso, os aluguéis avançaram 54,1% de 2016 a 2025, um ritmo bem mais intenso que outras formas de moradia, superando com folga o crescimento dos imóveis próprios — tanto os já quitados, que cresceram apenas 7,3% nesse período, quanto os ainda em financiamento, que avançaram 31,2%.
Segundo William Kratochwill, analista da Pnad, os dados mostram que há uma evolução na produção de apartamentos, que tem sido maior do que a de casas, e são inclusive muitas vezes construções mais baratas, até pelo tamanho. Mas esse aumento não está sendo transferido para a possibilidade de compra pela população.
— O aumento do rendimento tem sido consistente ao longo dos últimos trimestres e anos, mas talvez não o suficiente para que as pessoas tenham acesso para comprar uma casa. As pessoas crescem, casam ou vão morar sozinhas e não estão conseguindo comprar, então estão optando mais pelo aluguel.
Por fim, os cedidos somavam apenas 8,9% em 2025, e outras formas de ocupação, como invasões, tinham participação residual de 0,3%.
Apartamentos puxam avanço do aluguel
O aumento do aluguel foi mais forte entre apartamentos. Em 2016, 30,4% desses imóveis eram ocupados por locatários, percentual que subiu para 38,9% em 2025. Nas casas, o avanço foi mais moderado, de 16,3% para 20,6% no mesmo período.
Apesar disso, as casas ainda predominam no país, representando 82,7% dos domicílios (65,6 milhões), contra 17,1% de apartamentos (13,6 milhões). Ainda assim, o número de apartamentos cresceu 48,7% entre 2016 e 2025, ritmo bem superior ao das casas, que avançaram 14,2% no período.
— O Brasil, nas últimas décadas, se tornou um país muito urbano. As cidades abrigam as pessoas para possibilitar trabalho e lazer. E para suportar todas essas pessoas indo para as cidades, há um aumento da densidade urbana, então se criam os apartamentos. Em um mesmo terreno de 600 metros em que seriam talvez duas casas, se cria um prédio com x apartamentos, onde se colocam 20 famílias, por exemplo — explica Kratochwill.
O analista menciona ainda que muitos tendem a se sentir mais seguros em um condomínios fechados, e que essa tendência foi identificada pelo mercado imobiliário, que percebeu a capacidade de lucrar mais com edificações do que com casas.
