Mais de 20 mil israelenses já retornaram ao país desde o início da guerra com o Irã, e 120 mil ainda tentam voltar
Uma operação de repatriação foi iniciada por Israel para trazer de volta milhares de cidadãos que ficaram retidos no exterior após o fechamento temporário do espaço aéreo do país, medida adotada por razões de segurança. A restrição foi implementada no sábado, depois que Israel e os Estados Unidos realizaram ataques militares de grande escala contra o Irã.
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A ação elevou o risco de retaliações com mísseis ou drones e de uma escalada militar na região, levando as autoridades israelenses a suspender pousos e decolagens de voos comerciais.
Com o espaço aéreo fechado, passageiros que estavam fora do país não conseguiram retornar por rotas aéreas regulares. De acordo com dados citados pelas autoridades, cerca de 120 mil israelenses no exterior manifestaram interesse em voltar ao país. Entre eles estão turistas, viajantes a trabalho, estudantes e cidadãos que visitavam familiares ou estavam em trânsito internacional.
Nos últimos dias, o governo começou a organizar o retorno desses passageiros. Segundo o Ministério dos Transportes de Israel, mais de 20 mil pessoas já conseguiram retornar.
Parte dos cidadãos voltou por passagens terrestres de fronteira, entrando em Israel a partir de países vizinhos como Jordânia e Egito. Nesses casos, os viajantes voaram para destinos próximos e completaram o trajeto por terra.
Também foram utilizadas rotas marítimas, com embarcações e ferries levando passageiros até portos israelenses. O tráfego aéreo permanece limitado e controlado, com prioridade para operações de repatriação.
Com a flexibilização parcial das restrições, companhias aéreas israelenses passaram a operar voos especiais para trazer cidadãos de volta ao país. Entre as empresas envolvidas estão a El Al, a Arkia e a Israir.
As rotas e os horários podem ser ajustados de acordo com as condições de segurança e, em muitos casos, partem de grandes centros internacionais onde há maior concentração de passageiros aguardando retorno.
O Ministério dos Transportes estima que a operação para trazer todos os cidadãos de volta pode levar entre sete e dez dias. O prazo depende principalmente da evolução da situação de segurança na região e do número de voos que poderão ser autorizados durante esse período.
Caso o conflito com o Irã se intensifique, existe a possibilidade de novas restrições ao tráfego aéreo.
Ataque 'em larga escala'
As Forças Armadas de Israel lançaram um ataque "em larga escala" contra Teerã e eliminaram um dos líderes do movimento palestino Hamas no Líbano, em renovadas ofensivas lançadas nas duas frentes da guerra nesta quinta-feira, quando o conflito chega ao seu 6º dia.
O comando militar israelense afirmou ter atingido alvos de instituições da estrutura de repressão interna na capital iraniana em uma ofensiva que contou com 90 caças, além de ter feito novos avanços no território libanês. A República Islâmica acusa Israel de atacar de forma deliberada alvos civis — em um momento em que a liderança política israelense não dá sinais de interromper a ofensiva.
Cerca de 40 alvos foram atacados em Teerã nesta quinta-feira, incluindo uma sede da unidade especial responsável por todas as forças de segurança interna do regime, apontou um comunicado militar que descreveu a ofensiva como a 12ª onda de ataques à capital iraniana. O ataque foi realizado com 90 caças da Força Aérea israelense e despejou sobre os alvos iranianos cerca de 200 munições, ainda de acordo com o comunicado.
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"O quartel-general [atacado na quinta] comanda todas as unidades especiais do regime terrorista iraniano na província e serve para dirigir as Forças Armadas do regime", detalhou o comunicado, mencionando também alvos ligados à Guarda Revolucionária do Irã e das forças Basij, milícia do regime com participação notória na repressão a dissidências internas.
A ação com intenso poder de fogo ocorre em um momento em que as autoridades israelenses e dos EUA escalam as operações e fortalecem a retórica em torno do esforço de guerra. Em um comentário sobre uma conversa com o secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, o ministro da Defesa israelense, Israel Katz, afirmou ter recebido um pedido do aliado americano para prosseguir com a operação "até o fim".
"O secretário de Defesa [dos EUA] disse: 'Sigam em frente até o fim, estamos com vocês'", disse Katz, citado em um comunicado do Gabinete do Ministro israelense.
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Apesar da confirmação de baixas entre os militares americanos e das perdas civis em Israel, o ataque conjunto dos aliados tem provocado danos muito mais extensos ao regime iraniano. A eliminação do líder supremo, Ali Khamenei, nas primeiras horas de guerra, foi apenas o começo de uma conflito que se propõe a eliminar todas as capacidades de projeção de poder do Irã — embora um objetivo citado de forma marginal pelos EUA seja uma mudança de regime. Estimativas atualizadas por organizações humanitárias apontam que 1.230 pessoas morreram no país desde o início do conflito.
O regime iraniano lançou uma extensa campanha de retaliação que alcançou toda a região — que fontes com conhecimento sobre o regime afirmam ter sido planejada pelo próprio Khamenei. A fim de prevenir tentativas de tomada do poder, enquanto a liderança está entrincheirada para fugir dos ataques aéreos, Teerã bombardeou grupos curdos no Iraque — que fontes americanas sugeriram estar nos planos dos EUA para acrescentar pressão no solo — e bloqueou o acesso à internet no país — segundo o monitor NetBlocks, que monitora a atividade on-line no país a partir das redes sociais, a conectividade atual é de cerca de 1%.
O regime acusou Israel e EUA de estarem realizando "ataques deliberados" contra áreas civis. Em uma publicação nas redes sociais, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano Esmail Baqai afirmou que o povo "está sendo brutalmente massacrado" e que os inimigos atingem de "áreas civis e qualquer lugar que acreditam que provocará o máximo sofrimento e perdas humanas".
