Mais bem votado ao Senado por São Paulo, Derrite fez campanha calcada na pauta da segurança pública e no bolsonarismo

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

O deputado federal Guilherme Derrite (PP-SP) foi eleito senador por São Paulo neste domingo (4), com 11,9 milhões de votos, após uma campanha calcada na pauta da segurança pública e como o candidato mais ligado a Flávio Bolsonaro (PL) desta eleição. Seu companheiro de chapa, André do Prado (PL), também foi eleito, com XXX milhões de votos. Natural de Sorocaba, Derrite passou mais de 20 anos na Polícia Militar e passou quatro anos pelo Corpo de Bombeiros, chegou até as Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota) — considerado o batalhão de elite da corporação paulista — e se candidatou pela primeira vez para um cargo eletivo em 2018, quando se elegeu deputado federal pelo PP. Em 2022, se reelegeu, dessa vez pelo PL, mas no ano seguinte se licenciou após um convite do recém-eleito governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) para comandar a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo.

Derrite foi alçado a candidato ao Senado muito antes da campanha começar. Ainda era julho de 2024 quando o então secretário estadual de Segurança Pública passou a falar publicamente em entrevistas que aspirava concorrer ao cargo de senador. Não demorou muito para que ele conseguisse agregar apoios a seu projeto político e, após acordos, ficou combinado que ele trocaria o PL pelo PP – partido pelo qual já havia sido eleito deputado federal em 2018. Na época, o PL pretendia lançar Eduardo Bolsonaro ao posto, por isso a mudança de sigla era necessária. Coube a Ciro Nogueira, presidente nacional do PP, articular a volta de Derrite à sigla.

No papel de secretário, Derrite ganhou protagonismo pelo discurso “linha-dura” na segurança pública, mas por vezes causou desgaste à própria gestão Tarcísio ao defender policiais que cometem abusos, mesmo antes que as investigações fossem concluídas. Sob seu comando, o estado registrou aumento na letalidade policial. Em 2025, houve o maior número de mortes decorrentes de intervenção policial desde 2019, segundo dados da Rede de Observatórios da Segurança.

Distante de Tarcísio Por causa disso, ao longo do mandato houve um afastamento entre o secretário e o chefe do Executivo estadual, sob a avaliação de que o secretário estaria politizando o cargo em prol de seu projeto eleitoral pessoal. Com o tempo, a gestão passou a controlar mais a exposição do secretário em situações polêmicas.

Derrite deixou seu posto na gestão Tarcísio em dezembro de 2025, quando pôde enfim dedicar-se mais a projetar sua imagem de pré-candidato. De olho na principal preocupação dos paulistas segundo as pesquisas, ele voltou à Câmara dos Deputados para relatar o PL Antifacção, que se somou às ações que ele explorou durante toda a campanha como sua principal plataforma: promessas para combater a insegurança pública.

Derrite deu o pontapé inicial na campanha com o apoio formal de Tarcísio, mas sem o engajamento efetivo do governador em prol de sua candidatura — o “braço direito” do titular do Palácio dos Bandeirantes, afinal, era André do Prado (PL), que também concorria ao Senado na chapa.

O deputado do PP foi aconselhado por aliados a “colar” mais no governador para ampliar o eleitorado, já que apenas sua aliança com Flávio poderia limitar seu alcance. O conselho foi ouvido e Tarcísio e Derrite passaram a aparecer mais juntos em atos diversos, não apenas aqueles ligados à segurança. Assim, o postulante do PP gradualmente viu seu desempenho nas pesquisas de intenção de voto crescer, o que fez com que ele virasse o “favorito” da direita.

Derrite ainda passou boa parte da campanha no meio de uma disputa entre Prado e Ricardo Salles (Novo), que disputavam o posto de “candidato da direita” e o segundo voto do eleitor que votaria no ex-secretário de Segurança. Próximo do candidato do Novo e com receio de herdar a desconfiança que parte do eleitorado bolsonarista nutria por Prado, Derrite evitou comprar briga pelo colega de chapa e afirmou que “os três representavam a direita”. Dias antes do pleito, porém, na última segunda-feira (28), Salles anunciou a desistência, gravou vídeo ao lado de Derrite.

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