Maioria no PL a favor do fim da escala 6x1 gera ruído na campanha de Flávio, e aliado tenta mudar proposta no Senado

Maioria no PL a favor do fim da escala 6x1 gera ruído na campanha de Flávio, e aliado tenta mudar proposta no Senado

 

Fonte: Bandeira



O apoio majoritário do PL na Câmara à aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do fim da escala 6x1, bandeira do governo Lula, provocou um ruído na campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), crítico ao projeto. Dos 97 deputados do partido, 83 se posicionaram a favor. Diante do cenário, o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da empreitada presidencial de Flávio, apresentou uma PEC alternativa e tenta mudar a rota do debate no Senado.

Entre os votos favoráveis à PEC estiveram justamente deputados ligados diretamente ao núcleo político de Flávio Bolsonaro, como os líderes do PL Altineu Côrtes (RJ) e Sóstenes Cavalcante (RJ), além de aliados bolsonaristas como Carlos Jordy (RJ), Bia Kicis (DF), Gustavo Gayer (GO), General Pazuello (RJ), Helio Lopes (RJ), Nikolas Ferreira (MG) e Sanderson (RS). O resultado expôs uma divisão entre o discurso mais crítico adotado pelo senador e a postura da própria bancada do partido diante de uma pauta de forte apelo popular.

O texto de Marinho propõe que empregados escolham entre o regime tradicional da CLT e um modelo baseado em horas efetivamente trabalhadas. Pela PEC articulada pelo coordenador da pré-campanha de Flávio, a compensação de horários e a redução da jornada poderão ocorrer por acordo individual, convenção coletiva ou negociação direta entre empregado e empregador.

O texto também prevê que contratos individuais possam prevalecer sobre instrumentos coletivos em determinadas situações. A proposta estabelece ainda que trabalhadores submetidos ao regime flexível recebam remuneração proporcional à carga horária efetivamente trabalhada, respeitando o salário mínimo nacional ou o piso da categoria. Benefícios como férias, décimo terceiro salário e FGTS também passariam a ser calculados proporcionalmente às horas trabalhadas.

Na mensagem enviada a senadores para pedir apoio à proposta, Marinho afirmou que a PEC busca “modernizar as relações de trabalho no Brasil sem suprimir direitos historicamente assegurados aos trabalhadores brasileiros”.

O senador Eduardo Gomes (PL-TO), primeiro vice-presidente do Senado, disse que a votação na Câmara foi influenciada pelo temor de reflexos na eleição.

— A gente não pode falar pelo PL da Câmara. Há um direcionamento dessa matéria mais preocupado com o efeito eleitoral dela do que com a colocação da matéria em prática — afirmou, defendendo celeridade na discussão. — O assunto tem que ser enfrentado o mais rápido possível. Há um apelo da população por essa discussão e, a partir daí, a gente vai tomar a decisão.

A proposta alternativa foi protocolada com assinaturas de nomes como o próprio Flávio, Damares Alves (Republicanos-DF), Hamilton Mourão (Republicanos-RS), Sergio Moro (União-PR), Ciro Nogueira (PP-PI), Tereza Cristina (PP-MS), Magno Malta (PL-ES) e Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG).

Pressão na campanha

Nos bastidores da campanha, integrantes do entorno de Flávio admitem que o episódio embaralhou o discurso da pré-candidatura justamente em um momento em que o senador tenta ampliar pontes fora do bolsonarismo mais fiel e construir uma agenda econômica própria sem entrar em colisão direta com pautas populares.

A avaliação interna é que o tema possui forte apelo popular e que Flávio não poderia aparecer liderando uma resistência frontal à proposta.

Ao mesmo tempo, aliados afirmam reservadamente que o PL também não poderia simplesmente aderir integralmente à pauta do governo Lula e temem a capitalização por parte do Palácio do Planalto.

Integrantes da campanha admitem reservadamente que a aprovação da PEC aumentou a pressão para que Flávio consiga construir uma agenda econômica própria sem perder espaço numa discussão de forte apelo popular explorada pelo governo Lula.

Outro grupo minimiza o potencial eleitoral da proposta aprovada na Câmara e afirma que temas ligados à jornada de trabalho possuem forte apoio difuso, mas baixa capacidade de alterar efetivamente o voto do eleitor.

— As pessoas confundem quantidade estatística com intensidade. A maioria da população apoia a redução da escala porque nem entende os impactos, só quer mais tempo livre. Mas, na prática, isso não muda o voto de quase ninguém — afirmou Paulo Figueiredo, que passou a semana com o presidenciável em agendas em Washington.

O caminho no Senado

Alcolumbre sinalizou a aliados incômodo com a forma como a PEC foi aprovada pela Câmara. A avaliação é que Hugo Motta acelerou ao aprovar no mesmo dia a iniciativa na comissão especial e no plenário.

Mesmo assim, há um entendimento de que dificilmente o texto será barrado pelos senadores, devido à pressão popular.

A expectativa é que o Congresso esgote todas as etapas da tramitação e coloque as mudanças em prática antes das eleições. Para isso, serão definidas semanas de esforço concentrado para que, mesmo os senadores que estejam em suas bases articulando suas pré-campanhas, possam se organizar e ir para Brasília debater o tema.

O presidente do Senado deve convocar uma reunião de líderes na semana que vem para alinhar um calendário e definir quais comissões irão votar a medida. Também há expectativa de que, depois da reunião, seja definido um relator. O ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSD-MG) é um dos cotados.